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Fotografia e cinema como películas de Viseu em 2020

por Redação

24 de Janeiro de 2020, 14:33

Foto Igor Ferreira

Cidade quer afirmar-se como espaço cultural, histórico e criativo, usando a imagem

CLIPS ÁUDIO

Há, pelo menos, quatro razões que motivam a esta opção de programa: “Viseu 2020. Luz, Câmara, Ação”.

Democraticidade. “A fotografia e o cinema são artes profundamente democráticas, populares e acessíveis ao cidadão comum, a artistas emergentes e jovens em formação”, interessantes no ponto de vista de “mobilizar e convocar a comunidade, a população e as escolas a participar, a criar, a demonstrar e a publicar”, começa por explicar Jorge Sobrado, vereador da Cultura da Câmara Municipal.

Em segundo lugar, fotografia e cinema são artes e tecnologias dominantes na cultura contemporânea. O autarca vê em Viseu um “grande potencial” e considera o tema “um empurrão para que profissionais, artistas e a comunidade em geral possam criar imagens”.

A existência de um conjunto artístico e profissional em Viseu, é o terceiro motivo. “[Há] um ecossistema ainda emergente que procura consolidar-se nestas áreas de expressão, e este programa procurará também criar oportunidades de afirmação, formação, e sensibilização para uma cultura fotográfica”. O vereador da Cultura considera que há um longo caminho a percorrer, por isso mesmo este não será apenas o trabalho de um ano. “É uma semente lançada para que depois outras dinâmicas surjam”, sustenta.

Para este ano, já foram escolhidos os embaixadores. António-Pedro Vasconcelos, realizador, Mário Augusto, jornalista e apresentador de programas de cinema, e Nuno André Ferreira, fotojornalista.

Salvaguardar o património

A quarta razão que levou a autarquia a pensar um programa dedicado a este tema é a criação de um projeto voltado para a memória visual da própria cidade.

O município está interessado em conhecer o que foi e é partilhado pelas famílias e cidadãos em geral e salvaguardar todos esses registos. Um desígnio que terá impulso, entre 2020 e 2021, no projeto do Museu de História da Cidade e passa pela criação de um arquivo de imagens. “Uma das medidas previstas é a criação de uma imagoteca municipal, que é um objetivo de médio prazo”, já que “não existe acervo organizado em Viseu, do ponto de vista da fotografia e do cinema, que constitua um referencial de memória visual da cidade”.

Para este “arquivo comunitário” será lançado um apelo às pessoas para disponibilizarem “as fotografias e filmes que sejam testemunhos de tempos de Viseu, de acontecimentos e de tradições, como, por exemplo, a Feira de S. Mateus”.

Há, ainda, um acordo com o Centro de Conservação da Cinemateca Portuguesa que “está disponível para receber em depósito esses filmes”, refere Jorge Sobrado, justificando que “o município não terá condições técnicas, nem recursos humanos, para garantir a sua salvaguarda e o seu estado”.

Viver a sétima arte

A exposição fotográfica “Acasos Objetivos”, na Quinta da Cruz, do jornalista Carlos Magno, abriu o leque de eventos a acontecerem ao longo do ano em Viseu. A mostra resulta de residências e safaris fotográficos do jornalista pelas cidades do Porto, Lisboa, Aveiro e Viseu. Esta coleção fotográfica pode ser vista até 28 de fevereiro.

A linha Criar do programa Viseu Cultura irá, também, afirma o autarca, “majorar, discriminar positivamente, projetos na área da fotografia e do cinema”, com o objetivo de que surjam “projetos de criação local”. O Festival de Street Art, as Cavalhadas de Vildemoinhos, a Feira de S. Mateus, entre outros, adotarão como tema a Fotografia e o Cinema.

De 20 a 23 de fevereiro, a cidade de Viriato acolhe o congresso anual da Associação Portuguesa dos Profissionais da Imagem (APPImagem) – The Way 2020. O acontecimento vai reunir cerca de 300 profissionais e contar com uma programação rica: 22 conferências, workshops e concursos abertos ao público.

No mês de outubro, entre os dias 20 e 23, acontece o festival internacionais de cinema de turismo e marketing de territórios – Art & Tur –, numa parceria com a Entidade Regional de Turismo do Centro e a Centro de Portugal Film Comission.

O que dizem os especialistas viseenses

São vários os profissionais da imagem instalados na região. João Cosme, fotógrafo de natureza, considera que o tema do ano é “positivo e abre outras portas a fazermos mais trabalhos, aos fotógrafos da região serem conhecidos e divulgar o trabalho de cada um”. “Se forem iniciativas com bastante qualidade que tragam cá fotógrafos de outras regiões do país, isso acaba por incentivar a mostrar o que se faz e promover o distrito”, acrescenta.

Nuno André Ferreira, fotojornalista, considera esta escolha “espetacular”. “Quanto mais iniciativas houver direcionadas para a imagem, melhor”, diz. “Quem está a pensar seguir uma carreira nos audiovisuais, tem aqui uma oportunidade boa para tirar proveito”, acrescenta.

“Ter Viseu a dedicar-se ao cinema e fotografia e saber que podemos pensar esses meios durante o ano, é uma alegria enorme”, afirma Luís Belo. Enquanto fotógrafo, considera este um grande passo pois há “falta de oferta de formação e exposições”. O Shortcutz (exibição periódica de curtas metragens em Viseu) do qual Luís Belo também faz parte, irá acontecer, mas por enquanto não haverá nenhuma atividade complementar. “Espero que este ano possa iluminar caminho para as atividades que surjam continuem para lá deste ano, que não seja só em 2020”, conclui.

Gonçalo Loureiro, realizador de cinema natural de Oliveira de Frades, pensa que Viseu é cinematográfico, mas não é algo com que se relacione a cidade. “Não é muito comum pensar em Viseu, enquanto esse tipo de destino... o que, por um lado, é positivo porque podemos desflorar a cidade e encontrar novos recantos, descobrir outros sítios e fazer de Viseu algo que ainda não foi”, justifica. “Não há uma aposta contínua na feitura de cinema em Viseu. Se 2020 marcar esse pontapé de saída será excelente”, adianta.

Cine Clube espera por programa completo

Uma das instituições que mais investe na área do cinema, no concelho, é o Cine Clube de Viseu. Quanto à temática escolhida para este ano, prefere, por enquanto, aguardar para saber mais. “Não temos nada a comentar porque não conhecemos detalhadamente o plano para o ano”, afirmam os dirigentes.

Ainda assim, há eventos com os quais se pode contar da parte do Cine Clube. Além das sessões semanais no Instituto Português do Desporto e da Juventude de Viseu, também se realiza mais uma edição do Vista Curta. Já o Cinema da Cidade está em standby, em termos de financiamento. Nos resultados provisórios da linha Programar, do Viseu Cultura, o evento não faz parte. No entanto, o Cine Clube contestou a decisão e espera agora pelos resultados finais.

Caso não recebam o apoio monetário da autarquia, o Cinema na Cidade vai acontecer pois é uma atividade com mais de 30 anos de tradição.