22 Fev
Viseu

Cultura

Fotografia e música juntam-se num programa especial

por Redação

14 de Fevereiro de 2020, 00:00

Foto Carina Martins

O espaço Venha a Nós a Boa Morte, em Viseu, vai receber exposição de Carina Martins

CLIPS ÁUDIO

“Physis” é a mostra de fotografia de Carina Martins e com curadoria de Rui Matoso que amanhã está aberta ao público na cidade de Viseu.

Carina Martins trabalha, principalmente, com fotografia e vídeo. Explora paisagens industriais, a natureza e lugares perdidos e interessa-se pela desocupação humana dos lugares.

“Trata-se de uma série fotográfica que tem como ponto de partida uma outra relação com a natureza. Não como objeto, uma matéria prima ao dispor dos humanos, mas como um sujeito, um ser vivo ou um organismo que merece o nosso respeito e amor”, começa por explicar Rui Matoso, curador.

O docente da Escola Superior de Teatro e Cinema considera que estas imagens são “interessantes e importantes”, pois envolvem esforço e a tentativa de ultrapassar o registo fotográfico normal. “Por norma as fotografias são tiradas de dia. Neste caso, a abordagem ela é feita à noite, na penumbra, quando já há muito pouca luz ou noite mesmo. Tenho acompanhado esse processo e as dificuldades que acarreta. Ela (Carina Martins) dá a ver aquilo que é quase impossível ver no nosso regime ocular”, justifica.

O conjunto de imagens que serão expostas, segundo Rui Matoso, “afastam-nos do regime diurno determinado pela razão instrumental moderna, favorecendo uma digressão dos sentidos para além do imediatamente visível e levando-nos a percorrer uma certa geografia da noite e da penumbra”.

As fotografias da artista, tiradas no seio da natureza, já estiveram expostas na Galeria Diferença, em Lisboa. Agora, em Viseu, haverá mais imagens reveladas.

Rui Matoso considera que por vezes há uma “crítica irónica sobre o papel do curador no seio da arte contemporânea”, no entanto, o trabalho com Carina Martins revela uma “relação natural e complementar”.

Depois da imagem, que venha a música

A dupla Tobias Preisig (Suíça) e Jan Wagner (Alemanha), estreiam-se em Portugal neste evento organizado pela Venha a Nós a Boa Morte.

Os músicos vivem em Berlim, onde colaboram regularmente desde há cinco anos. Esta é a primeira vez que viajam juntos para apresentar o seu projeto experimental que se divide em duas partes de, cada uma, aproximadamente 40 minutos.

Tobias Preisig é violinista, compositor e improvisador. A sua música percorre o experimental, a música eletrónica e a neo-contemporânea. Além de atuar a solo, faz parte de projetos como Egopusher e Levitation. Recentemente colaborou, por exemplo, com The Cinematic Orchestra.

Jan Wagner é pianista, produtor e engenheiro de som. Explora a simplicidade de expressão que maximize a verdade emocional de cada uma das suas composições. No seu currículo conta com discos produzidos para a Ostgut, editora de música sediada em Berlim, e colaborações com o Faust studio Scheer, estúdio de produção musical, há mais de dez anos.

O seu disco de estreia, “Nummern”, foi lançado em outubro de 2019.

O fecho da noite está ao encargo de Afonso Macedo. Um DJ de música de dança há mais de duas décadas que “revela um saber, sensibilidade e sentido de direção quase únicos”.