22 Fev
Viseu

Destaque

Viseu na rua pelo Hospital

por Redação

24 de Janeiro de 2020, 14:44

Foto Arquivo Jornal do Centro

Liga de Amigos do Centro Hospitalar quer Rossio cheio para manifestação. Almeida Henriques apela à participação, mas PS não vai comparecer

TÓPICOS

saúde

Hospital de Viseu

CLIPS ÁUDIO

Quinhentos e oitenta dias é o tempo previsto para o novo serviço de urgências do Centro Hospitalar Tondela Viseu (CHTV) entrar em funcionamento. Um ano e cinco meses para que o concurso seja lançado e as obras efetuadas. Um prazo que utentes e profissionais esperam que seja cumprido.

Para que as obras não se atrasem, nem tenham contratempos como já aconteceu, a Liga dos Amigos e Voluntariado do Centro Hospitalar Tondela Viseu (CHTV) marcou uma manifestação para este sábado (25 de janeiro) no Rossio e apela a que todos se juntem num protesto que visa pressionar o governo.

A manifestação, que tem vindo a ser organizada há várias semanas, surge mesmo depois da ministra da saúde ter anunciado, a 9 de janeiro, a verba que vai ser aplicada na ampliação das Urgências e a abertura de um novo concurso para as obras. Um concurso que chegou a ser aberto mas que posteriormente foi anulado por atraso na disponibilização das verbas.

“Ao Serviço de Urgência acorrem diariamente doentes urgentes desta vasta região e nele passam horas incontáveis para serem socorridos, muitas vezes em situação de enorme fragilidade, atendimento que deveria ser prestado de forma célere e em condições de dignidade e conforto, quer para o doente, quer para os profissionais. Há décadas que são exigidas ao poder central obras de beneficiação e alargamento. Esta questão tem-se arrastado, sem que nada tenha sido feito”, refere, a direção da Liga, que volta a reforçar que “basta” dos “sucessivos avanços e recuos” e do “imobilismo dos que têm governado o país”.

Também a criação do Centro Oncológico está nas reivindicações, uma obra “prometida há muito”, mas que “não passa hoje de uma já gasta placa colocada, e escondida, no meio de altas ervas e de carros estacionados” (o anúncio foi feito em maio de 2017).

“Os nossos doentes não têm condições no Hospital de Dia Oncológico que já há muito não tem capacidade para acolher quem sofre. Para realizarem radioterapia continuam e ter de atravessar o malcuidado IP3 ou então Vila Real. Para realizar este tratamento de minutos gastam-se horas e dias inteiros”, descreve a Liga.

Estas são duas das razões pelas quais a organização da manifestação diz que Viseu não pode “continuar a comer e calar”.

“Viseu e a sua vasta região continuam a ser filho de um deus menor e têm um Hospital Central que cada vez o é menos. É hora de dizer basta. É tempo de mostrar quantos somos e o que valemos. Chegou o momento de exigir obra e deixarmos de acreditar em promessas”, apela a Liga.

PS de fora e PSD com um pé dentro e outro fora

Mas nem todos vão estar presentes e há quem considere que o protesto é “extemporâneo”. “É uma manifestação fora do tempo”, refere José Rui Cruz, deputado socialista eleito por Viseu. Na sua opinião, a situação foi desbloqueada com o anúncio do Governo, garantindo que o concurso é mesmo uma realidade. “O despacho do Conselho de Ministros retira o ónus que estava em cima do Ministério das Finanças”, reforça. Isto porque, no anterior concurso, lançado em 2017, a verba ficou cativa, o tempo passou e o empreiteiro acabou por desistir.

A mesma opinião é partilhada por Lúcia Silva, também deputada do PS, vereadora na Câmara de Viseu e presidente da Concelhia socialista. Diz que o protesto, neste momento, “não se entende”. “Foi aprovada a verba, já está o calendário que define todo o processo. Neste momento não se entende o porquê desta manifestação”, reforçou.

A manifestação envolve também a reivindicação pela criação do centro oncológico, mas os deputados socialistas frisam que esse é um “processo evolutivo” que não depende do Governo que, afirma, aguarda que lhe seja apresentado o projeto final. “É uma luta da qual não desistimos e cujo projeto queremos que seja incluído na versão final do Orçamento de Estado”, disse José Rui Cruz.

Se o PS se afasta deste protesto, também há quem no PSD não vá marcar presença na manifestação de sábado, embora concorde com as razões. Pedro Alves, deputado social-democrata e presidente da Distrital, diz que as formas de luta são bem vindas, mas critica quem convocou o protesto que em 2017 “já deveria ter estado do lado certo”. “Se a Liga tivesse vergonha... foram os primeiros a defender este Governo e esta administração. Agora é inconsequente porque já se sabe que da parte do Governo não há abertura”, sustentou Pedro Alves.

Críticas que passam ao lado dos organizadores. “O que aqui está em causa são problemas que se arrastam e não vemos solução. Vemos muita promessa e não vemos obra feita e como andamos fartos chegou a altura de mostrar que a sociedade de Viseu tem força suficiente para dizer basta”, contrapôs, por seu lado, Fernando Bexiga, presidente da Liga.

Já Luís Viegas reforçou com a segunda razão. “Não há qualquer indicação que haja verbas ou disponibilização ou vontade para o centro oncológico”.

Os dirigentes da Liga acreditam que o Rossio vai encher. “Se tal não acontecer é sinal que está tudo bem, mas para nós está tudo mal”, concluíram.

Ao lado das reivindicações da Liga está o presidente da Câmara de Viseu que anunciou já a sua presença. Almeida Henriques disse que não se deixa convencer com o mais recente anúncio para a ampliação do serviço de urgências de Viseu e lamenta que o governo não lhe tenha dado o caráter de urgência, quando o poderia fazer.

“Não vi, em momento nenhum, alguém dizer que este concurso seria lançado com caráter de urgência, porque a lei permite a contratação pública e a contratação urgente e isso preocupa-nos”, frisou o autarca, que considerou, por outro lado, que o centro oncológico já devia estar aberto de acordo com os planos lançados em 2017 pelo Governo de então.

Também a FNAM – Federação Nacional dos Médicos se associa ao protesto. Noel Carrilho, presidente e médico em Viseu, espera um Rossio cheio de gente, mas também de alguns colegas, pelo menos aqueles que possam ir. “Temos chamado à atenção que é preciso investir para continuar a garantir qualidade. No Hospital de Viseu, é sabido, e faz parte das nossas denúncias que o investimento no centro oncológico, no serviço de urgência e em tecnologia de radiologia e equipamento cirúrgico é essencial. Alguns desses investimentos já foram pedidos há algum tempo e é um bom sinal que a sociedade civil se mobilize para fazer este tipo de exigência”, frisou o médico.

E do mesmo “lado da barricada” está o PCP e também o Bloco de Esquerda. Duas forças partidárias com assento na Assembleia Municipal de Viseu, órgão onde já foram aprovadas dezenas de moções a favor das obras e pelo centro oncológico.

“Estaremos presentes na defesa do investimento e empenho necessários para salvar o Serviço Nacional de Saúde. Pelo célere processo de requalificação e aumento do serviço de Urgências. Pela célere construção do ‘bunker’ de radioterapia necessária ao melhor funcionamento do prometido Centro de Oncologia”, referem os bloquistas que vão ainda mais longe e lembram que também é necessária a construção da ala para a instalação junto do Hospital de S. Teotónio do Serviço de Psiquiatria.