24 Fev
Viseu

Entrevista

José Pedro Lopes fala sobre "A Floresta das Almas Perdidas"

por Redação

29 de Janeiro de 2020, 14:35

Foto Arquivo Jornal do Centro

Viseu distingue o cinema e a fotografia

CLIPS ÁUDIO

No âmbito do ano comemorativo do cinema e fotografia na cidade de Viseu, o Jornal do Centro falou com o realizador José Pedro Lopes, que filmou o filme de terror "A Floresta das Almas Perdidas" na Serra do Caramulo. A longa metragem desenrola-se num lugar ficcional e sombrio numa zona fronteiriça entre Portugal e Espanha, um local escolhido por muitos para terminar a vida, onde duas personagens levadas por motivos diferentes se encontram por acaso.

Como surgiu a possibilidade de filmar em Viseu? 

“A floresta das almas perdidas” foi filmado, na sua maioria, na Serra do Caramulo, apesar de que a sua narrativa é numa floresta sem nome entre Portugal e Espanha. Decidimos filmar no Cabeço da Neve e no Caramulinho, porque a zona florestal era perfeita para o ambiente que queríamos criar: belo, frio, místico. Também a região de Viseu tinha bons acessos à zona florestal, o que para a nossa logística era muito importante.

Considera que a cidade reúne boas condições para se tornar um destino de cinema?

A região de Viseu para nós, que somos do Porto, é muito interessante pela proximidade, paisagem natural, e cidades mais pequenas. É um distrito que tem todas as condições para ser um destino de cinema.

Voltaria a filmar em Viseu se tivessem essa oportunidade?

Tenho muito interesse na zona de Queiriga, pelas grutas e pela zona das minas. Mais recentemente estive envolvido num trabalho comercial que foi filmado na cidade. Ou seja, há muito interesse na região. Mesmo assim há que lembrar que há muito desvirtuação na hora de atrair rodagens. Quando estamos a preparar um projeto, o que mais se ouve é “não”. “Aqui não pode ser, ali não tens autorização...” ou a ideia que uma rodagem tem dinheiro infinito e que tudo tem de ser pago a peso de ouro. A culpa disso é das entidades públicas, mas também dos privados - é uma questão de mentalidade. Mas se estás a tentar preparar uma rodagem e te deparas com demasiado problemas num local, mudas para outro local. As histórias podem ser adaptadas. Já vi projetos interessantes saírem de Portugal para outros sítios por este motivo. E a verdade é que é com cinema e televisão que temos os nossos locais a terem histórias para serem vistas. É um património importante, o do imaginário.

Que projetos tem para o futuro?

Tenho conciliado a produção de projetos de outros com o trabalho na distribuição de cinema. Estou de momento a desenvolver uma série de vídeos criativos para um projeto musical chamado “Os Barbosas”, que conta com uma componente audiovisual importante. Espero em breve começar a trabalhar noutro filme, seguindo o trabalho de “A floresta das almas perdidas”.