24 Fev
Viseu

Região

Censura retratada em exposição

por Redação

09 de Fevereiro de 2020, 10:00

Foto Arquivo Jornal do Centro

Exposição pretende dar a conhecer parte da história "riscada" de Portugal

CLIPS ÁUDIO

“Um olhar crítico sobre o modo como a censura afetou não só a cultura como a vida dos portugueses num modo geral”, abordando um período crítico da história entre 1936 e 1974, caracterizado pela privação da liberdade de expressão, é o que se vê na mostra cedida pela Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) e composta por 25 telas.

Organizada por Fernando Filipe, cenógrafo e artista plástico, a exposição foi construída a partir de materiais do acervo documental da cooperativa e de outros documentos, entretanto, recolhidos.

Segundo a Câmara Municipal de Mortágua, a mostra inclui obras, textos, fotos e documentos que foram censurados ou proibidos pelo regime do Estado Novo nas várias áreas da cultura e das artes, como a literatura, o cinema (Maria Papoila, a Garça e a Serpente), a música, o teatro, o jornalismo (rádio, televisão e jornais), entre outros. Os carimbos com as expressões “Censurado”, “Proibido”, “Aprovado com Cortes” são a marca visível da “mão implacável” da censura.

Muitos destes documentos são exibidos pela primeira vez nesta mostra, que pretende alcançar vastas camadas de público, em destaque o público mais jovem. “Este espólio nunca foi mostrado antes”, lê-se na nota da autarquia.

“Esta exposição recorda o que foi a censura e o que fez, pensando sobretudo nas gerações que a não conheceram e dela pouco ou nada sabem”, afirma, por seu lado, José Jorge Letria, presidente da direção da SPA, no texto de apresentação da exposição.

Nesta exposição é possível encontrar referência ao nome do escritor mortaguense Tomás da Fonseca (1877-1968), um dos autores nacionais afetado pela ação persecutória do Estado Novo.