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Acusações de votos comprados e militantes disfarçados nas eleições socialistas de Resende

por Redação

14 de Fevereiro de 2020, 00:00

Foto Arquivo Jornal do Centro

Comissão Política fala em "mau perder" por parte da oposição. Denúncias apontam para "esquema fraudulento"

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As eleições para a Concelhia do PS em Resende estão debaixo de polémica. Há quem acuse a lista vencedora, liderada por Jorge Caetano, de ter montado um “esquema fraudulento” para “conseguir a vitória”. Dizem que houve quotas pagas, dinheiro oferecido para deslocações e até apoiantes do PSD a serem militantes do PS.

O recém-eleito presidente da Concelhia rejeita as acusações e diz que se as denúncias se efetivarem, a Concelhia é a “primeira a tomar as medidas que forem convenientes”. “Quem acompanha a vida política do PS em Resende sabe bem que a nossa Concelhia é das estruturas com mais história nos últimos dez anos a nível de militância. Não sei se é a oposição (PSD) ou se a nível interno ainda está algum mau perder, daqueles que ainda não perceberam como até hoje ganharam eleições e não conhecem os militantes”, referiu Jorge Caetano.

Mas, em Resende, as histórias que se contam são outras. “Fala-se que foram doados seis mil euros para pagamento de quotas e que deram 50 euros a alguns jovens para pagar as deslocações para irem votar”, contou um militante que pediu o anonimato. A mesma fonte disse ainda que houve situações de pessoas “coagidas a votar na lista que acabou por vencer”. “Para comprovar que tinham votado, foram obrigadas a tirar fotografia. E vimos também pessoas ligadas ao PSD, que inclusive estiveram em campanhas, inscritos como militantes socialistas”, denunciou ainda.

Alguns militantes questionados pelo Jornal do Centro rejeitam ter sido coagidos, mas a mesma fonte garante que “houve votos a troco da manutenção ou promessa de emprego”.

“A denúncia tem de ser feita, pois corremos o risco da verdadeira militância estar desvirtuada”, alegou.

A lista que perdeu e que era liderada por António Silvano, atual chefe de gabinete do presidente da Câmara, está a considerar fazer uma exposição sobre o sucedido à sede nacional do PS. A lista, durante a campanha, mostrou o apoio para a recandidatura de Garcez Trindade nas autárquicas de 2021. Nestas eleições votaram 408 militantes, num universo de 451. É a Concelhia que mais militantes tem com as quotas em dia.

Depois das eleições do início do mês, este órgão continua, assim, a ser liderado por Jorge Caetano que também já foi chefe de gabinete de Garcez Trindade e do qual foi despedido. O socialista é tido como “próximo” de António Borges, atual presidente da Federação Distrital do PS que anunciou já não se recandidatar ao cargo nas eleições de março próximo.

Quanto a um possível apoio da Concelhia à recandidatura de Garcez Trindade, Jorge Caetano diz que ainda é cedo para se tomarem decisões. “Depois de tomar posse, nos órgãos internos do partido iremos abrir a discussão. Mas fica uma nota: é que as pessoas de uma forma muito clara mostraram aquilo que não querem para Resende”, sustentou, aludindo ao facto de nos cartazes de campanha da lista derrotada a fotografia que aparecia era a do atual presidente da Câmara.