18 Fev
Viseu

Região

Rede de geotermia alargada a mais 14 hotéis

por Redação

02 de Fevereiro de 2020, 17:00

Foto Arquivo Jornal do Centro

Alargamento em S. Pedro do Sul vai custar 1,6 milhões de euros

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A rede de geotermia que desde a década de 90 abastece os dois balneários das Termas de S. Pedro do Sul e dois hotéis (Parque e Rural Vila do Banho) vai ser melhorada e alargada a mais 14 unidades hoteleiras localizadas naquela que é considerada a maior estância termal da Península Ibérica. O projeto prevê um investimento de 1,6 milhões de euros, comparticipado pelo Fundo de Apoio à Inovação em 70 por cento.

Os 16 hotéis vão ser aquecidos pelas águas que brotam da terra a 68,7 graus. “O potencial que a água termal tem aqui é muito superior ao que nós utilizamos”, sustenta Vítor Leal, presidente do conselho de administração da Termalistur, a empresa municipal que gere o complexo termal sampedrense.

Segundo este responsável, atualmente as águas quentes e sulfurosas são utilizadas quase na totalidade nos tratamentos termais. “A pequena utilização que nós fazemos da geotermia hoje em dia, com aproveitamento para aquecimento de dois balneários, de uma forma muito incipiente, e para dois pequenos hotéis, irá estender-se a todos os hotéis e pensões que existem nesta localidade”, explica.

Vítor Leal fala de “um projeto extremamente ambicioso”, que pode ajudar a afirmar ainda mais a estância termal de S. Pedro do Sul e que acarreta vários benefícios ambientais, destacando-se a redução da emissão de gases com efeito de estufa. Para além disso, traz também benefícios “do ponto de vista económico para as empresas que gerem os hotéis e pensões, que têm nas despesas energéticas um grande custo”.

A expectativa é que o projeto seja lançado a concurso ainda esta primavera, para começar a ser desenvolvido no primeiro semestre do ano. “A correr bem no final do ano os novos hotéis já terão geotermia”, adianta o responsável.

Ideia antiga

O fornecimento de calor começou na década de 90, com Bandeira Pinho (PS) à frente dos destinos da Câmara Municipal. Já na altura havia a ideia de alargar o sistema a mais zonas das Termas e unidades hoteleiras. O projeto previa até que a rua principal do complexo, em frente ao Balneário D. Afonso Henriques, fosse aquecida com o calor da terra, mas esta proposta integrada no projeto turístico Terra Nostra, nunca chegou a avançar.

Bandeira Pinho recusa falar ao Jornal do Centro sobre o projeto. Já o presidente da Termalistur diz que a ideia esteve na gaveta por falta de financiamento, uma vez que necessitaria de “grandes investimentos”. “Nunca houve fundos disponíveis, nem programas de apoio para o alargamento desta energia renovável e foi com este Governo que foram lançados estes concursos para projetos pilotos de energia renovável”, explica Vítor Leal.

De acordo com o responsável, para já a rede é aumentada aos hotéis, mas a Termalistur não descarta a hipóteses de “numa futura fase, alargar a mais hotéis e pensões e a outras instituições nas Termas”. “O que temos disponível neste momento só nos permite chegar até aqui. Isso não quer dizer que no futuro não se possa vir a alargar o projeto através de novas captações, do Vau por exemplo, para mais aproveitamentos e para podermos ter mais capacidade de geocalor para distribuição”, conclui.