10 Abr
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Cultura

“Boca a Boca” é uma lufada de ar fresco oferecida pelo Teatro Viriato

por Redação

24 de Março de 2020, 16:59

Foto Igor Ferreira

CLIPS ÁUDIO

“Boca a Boca” é o novo projeto do Teatro Viriato.

O primeiro episódio, intitulado de “A Nossa Voz”, foi lançado esta tarde nas redes sociais da instituição.

Patrícia Portela, a nova diretora artística, é quem dá o mote a esta iniciativa e irá guiar os ouvintes durante todas as sessões.

Ao longo de pouco mais de cinco minutos ouvimos a diretora do Teatro Viriato a explicar em que consiste o magazine “Boca a Boca”, ao mesmo tempo que leva os ouvintes numa viagem de reflexão acerca do papel do teatro em momentos de aflição, ao mesmo tempo que é abordada a nova programação e o magazine em si.

“Estávamos todos no Teatro Viriato. Muitos nos bastidores, uns atrás das câmaras, outros atrás dos computadores, prontos para a transmissão em direto. Ninguém na plateia. No palco, a coreógrafa Tânia Carvalho entrava em cena com os seus viajantes oníricos...”. Assim começa o episódio. Um relato do primeiro momento do Teatro Viriato de portas fechadas e da estreia de Patrícia Portela à frente do mesmo. “De mão dada com uma equipa de ouro”, é como descreve o desafio que encontrou no dia em que ao invés de abrir as portas da sua nova casa teve de as fechar.

Para travar batalhas e não perder a inspiração e criatividade, recorda bailarinos como Margot Fontaine e Rudolf Nureyev que continuaram a dançar no Royal Ballet (Londres, Reino Unido) durante os bombardeamentos de Londres na 2ª Guerra Mundial e que lhe serviram de exemplo. “Eu, tendo esta profissão, tenho apenas de ficar em casa. Cuidar dos meus e puxar pelo músculo da imaginação”, conclui.

“Aqui estamos. Juntos, a desenhar e a apresentar, quase em tempo real, uma nova programação que acompanha os ares dos tempos”, diz Patrícia Portela que define a nova programação como visível e invisível, em simultâneo, assim como presente e remota. “Uma nova agenda que tem como objetivo central a mais antiga premissa de qualquer teatro: não quebrar o elo entre o público e artistas, entre pensamento e ação, entre teoria e prática, entre obra e o mundo onde ela acontece”, finca.

A diretora do Teatro Viriato revela que, claramente, faz falta o aplauso, o edifício, as conversas, mas deixa uma premissa aos ouvintes: “tudo o que precisamos agora é de ar. Ar saudável”. São muitas as referências de inspiração que a diretora aponta, como Sócrates, Kant, Alexandre O’Neill e até os nossos avós para nos relembrar que “todos partilhamos o mesmo ar”.

“Em março de 2020 a produção de vida e conhecimento estão mais interligadas do que nunca e um teatro pode bem ser um veículo privilegiado de encontro entre estas duas forças vitais”, atira.

As crónicas tiveram o seu arranque hoje e Patrícia Portela deixa uma proposta: encher a nova agenda do Teatro Viriato de múltiplas realidades. Relembra, assim, como referências, o direto de “Onironauta” de Tânia Carvalho feito há cerca de duas semanas e a estreia, na passada quinta-feira (19 de março), do Consultório Literário.

Perto da despedida, a porta-voz do Teatro Viriato recorda uma carta que recebeu outrora que terminava da seguinte forma. “Apesar da distância, quando me sinto sozinho vou até à janela, olho para a Lua e sorrio. Sei que estamos debaixo do mesmo céu”. Para nos fazer pensar que estamos todos no mesmo barco.

O podcast termina com música de Frank Sinatra, “Fly Me To The Moon”.

O que é o “Boca a Boca”

“O ‘Boca a Boca’ é um magazine do teatro que lançaremos todas as semanas com informação regular sobre a nossa programação”, começa por dizer Patrícia Portela. Sendo que, nesta altura, a programação é feita, na sua maioria, de forma remota, hoje deu-se início “com uma pequena crónica que será de dois a três minutos a dar o tema da semana”.

Haverá entrevistas com os artistas que estariam a apresentar os seus espetáculos no Teatro Viriato, críticos, pensadores, entre outros. Vai ser possível, também, “escutar um bocadinho os espetáculos, ter reflexões de espetadores sobre aquilo que acabaram de ouvir, e que gravaremos na saída do espetáculo, ou agora entrevistando as pessoas a partir das suas casas”, esclarece a diretora artística.

No geral, será um magazine de doze minutos que “terá a nossa agenda para a semana, uma reflexão minha e uma participação de alguém que está relacionado com o Teatro Viriato”, resume.

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