10 Abr
Viseu

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Mundo do ciclismo regional não escapou ao impacto da Covid-19

por Redação

25 de Março de 2020, 14:09

Foto Arquivo Jornal do Centro

CLIPS ÁUDIO

A Federação Portuguesa de Ciclismo esclareceu que os ciclistas com contrato profissional podem treinar na rua, desde que o façam sozinhos. A medida é elogiada na região de Viseu pela entidade máxima da modalidade.

Em declarações ao Jornal do Centro, o presidente da Associação Regional de Ciclismo de Viseu, Pedro Martins, diz concordar com a decisão, mas lembra que fica ao critério de cada atleta optar por treinar em casa ou na rua

“O facto de se ser permitido circular na estrada não quer dizer que os ciclistas o façam. Cada um vai entender se deve fazer ou não. Circular na rua tem sempre alguns riscos associados, como queda, atropelamento e situações mais graves no caso de terem de ser assistidos no hospital e expor um risco desnecessário”, explica.

“Mas apesar de termos as vidas em stand-by, quando o coronavírus passar, vamos ter de retomar tudo outra vez e convém que os atletas estejam num nível de condição física que permite retomar a atividade normal”, acrescenta.

Na região de Viseu, está pensado estender o calendário de provas de ciclismo para o inverno. Contudo, segundo Pedro Martins, nada é certo. “É uma situação que ainda paira no ar, porque não sabemos quando é que vamos ter condições de segurança para podermos retomar as nossas vidas normalmente. Também há a hipótese de não haver qualquer calendário em 2020”, admite acrescentando que os eventos foram apenas adiados e não cancelados.

Para já, ao presidente da Associação Regional de Ciclismo de Viseu, não têm chegado queixas nem preocupações dos clubes de ciclismo.

“Os clubes estão a analisar e na expetativa. Estão todos parados, a tentar perceber o que é que vai acontecer e o que vai ser o futuro. Para já, não há grandes preocupações. Estamos a esperar para ver o que isto vai chegar e, depois em certa altura, vamos agir em conformidade e tentar fazer com que as coisas voltem ao normal”, remata.

 

Tiago Clamote preocupado com o futuro

Ainda pelo desporto sobre rodas, o Jornal do Centro também esteve à conversa com Tiago Clamote, ciclista da equipa Vasconha BTT e enfermeiro de profissão. O atleta conta que olha para o momento que vivemos devido à Covid-19 com “incerteza para o futuro”.

“É uma situação nova, sobretudo como profissional de saúde, que é o que mais me preocupa. Não é o vírus em si, porque, fora dos grupos de risco, acaba por não provocar sintomas de maior. O grave problema é que não há imunidade reconhecida e não há vacinas”, explica.

Tiago Clamote assume que, para já, o ciclismo passa para segundo plano e admite que as preocupações são outras neste momento. Os treinos “passaram para quarto plano, porque há outras prioridades”. “Há-que tentar manter a família isolada e tentar não os contaminar, porque sou parte do grupo de risco. Há muitas outras coisas na nossa cabeça que são prioritárias em relação aos treinos. Não há objetivos, nem há motivação para treinos”, diz.

O ciclista afirma que, para se manter motivado e se distrair, aderiu a aplicações digitais.

Quanto à medida tomada pela Federação Portuguesa de Ciclismo, que anunciou que todos os ciclistas profissionais podem treinar ao ar livre, desde que o façam sozinhos e acompanhados da devida identificação, Tiago Clamote antevê que esta decisão, que considera malfeita, será brevemente ultrapassada pela força da lei, com eventuais proibições.

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