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Edição impressa: da terra da mostarda para o coração do Dão

por Redação

05 de Janeiro de 2020, 15:00

Foto Arquivo Jornal do Centro

A história de Nathalie Chazot

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Nathalie Chazot chegou a Portugal há 20 anos. Deixou Dijon, uma cidade na França conhecida pela mostarda, e instalou-se em Nelas, concelho que se autointitula o coração do Dão.

Esta francesa mudou-se para o nosso país depois de ter conhecido no país natal o homem que viria a ser o pai do seu filho. Quando chegou a terras lusitanas Nathalie “não falava uma palavra” e socorreu-se de um programa para aprender português.

O filho Lucas, agora com 18 anos, já nasceu em Portugal. O primeiro trabalho que esta emigrante teve foi como rececionista. “Falo cinco línguas e isso ajudou bastante”, conta. Hoje, Nathalie é funcionária do ABC de Nelas, clube onde joga o filho. “Nunca gostei muito de bola, mas acompanhava-o sempre nos jogos. Foi então que o mister Jorge Coelho perguntou se queria fazer parte da direção, e claro que aceitei, porque ia ser mais um desafio para mim. Comecei a treinar três escalões, fui campeã todos os anos, enquanto acompanhava o escalão do Lucas e desde então nunca mais quis outra coisa. Em 2015, entrei como funcionária do clube”, recorda.

No nosso país, Nathalie passou por muitos bons momentos, mas também alguns maus. Foi vítima de violência doméstica e sobreviveu a um cancro da mama. A ajuda da família, dos amigos e do atual companheiro foi determinante para ultrapassar estas fases menos boas.

Esta emigrante não esquece “o choque” que sentiu quando aterrou em Portugal e passou a viver numa aldeia pequena, onde “toda a gente fala da vida dos outros”, algo que não lhe agrada. “Também senti o choque das culturas, como por exemplo quando via a minha ex-sogra fazer o comer para os animais, ou sopa na lareira, numa panela de barro. A ir buscar água à fonte com os cântaros. Nunca tinha visto isso”, diz.

Nathalie continua a achar Portugal um pouco “antiquado” em vários aspetos. Critica os baixos salários em comparação com outros países e ainda o funcionamento do Serviço Nacional de Saúde. “Fiquei chocada com o sistema e continuo a ser chocada”, afirma, acrescentando que o nosso país tem também várias virtudes, como as “praias lindas, as serras ou os monumentos cheios de história”, o sol e o calor do verão. “Adoro viver cá”, sustenta.

Apesar das queixas e das saudades que tem da terra natal e da sua família, esta emigrante diz que “por enquanto não” pensa em regressar a França. “Tenho aqui casa, trabalho, amigos, e sobretudo o meu filho, que é o meu maior tesouro. Enquanto precisar de mim, estarei por cá”, conclui.