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Quarentena para quem chega de fora: Direção-Geral de Saúde prepara medida, mas há quem já a esteja a aplicar

por Redação

20 de Março de 2020, 18:40

Foto Arquivo Jornal do Centro

Autarcas defendem medida e informam as regras a cumprir. Agrupamentos de Centro de Saúde instalam áreas destinadas à Covid-19

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O município de Moimenta da Beira determinou o isolamento de quem chega do estrangeiro ao concelho por 14 dias. Trata-se de um isolamento profilático de contenção do risco de contágio pelo novo coronavírus. Uma medida que está, para já, alargada a todos os municípios que fazem parte da área de abrangência do Agrupamento dos Centros de Saúde (ACES) do Douro Sul, entidade que deu a orientação.

De acordo com José Eduardo Ferreira, presidente da Câmara de Moimenta da Beira, as medidas são muito práticas. “Quem chega deve manter-se num quarto exclusivo, com casa de banho se possível. Evitar o contacto com a família. Medir a temperatura duas vezes por dia, adotar as regras de etiqueta respiratória e se tiver alguns sintomas ligar para a linha Saúde 24”, esclarece. O autarca lembra que estas medidas não são recomendações, mas sim “determinações”, frisando que a “fiscalização”, além de ser “uma responsabilidade de todos”, “compete a todas as autoridades com quem estamos em constante e permanente contacto”.

Entretanto, o Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Douro Sul criou três áreas destinadas à Covid-19. Uma no Centro de Saúde de Lamego, a segunda no Serviço de Urgência Básica de Moimenta da Beira e a terceira na unidade de saúde de S. João da Pesqueira.

“As orientações nacionais referem áreas dedicadas para avaliação e tratamento de doentes COVID-19) por cada agrupamentos de centros de saúde, mas de acordo com a dispersão geográfica do nosso ACeS implementamos três de modo a darmos uma resposta mais célere a todos os cidadãos.

Esta guerra é uma tarefa de todos, mas estamos na comunidade, com uma equipa que reúne excelentes e generosos profissionais, atentos às necessidades dos cidadãos”, refere a diretora do ACES do Douro Sul, Albertina Cardoso.

Já na área de abrangência do ACES Dão Lafões, Cabrita Grade, diretor executivo, anunciou que os 14 concelhos vão igualmente ter áreas dedicadas. Em Viseu, um dos locais vai ser junto ao prédio da Segurança Social.

O médico aguarda também as orientações das autoridades de saúde nacionais para avançar com a quarentena preventiva. “A minha posição é a de que ela seja aplicada”, sublinha, à semelhança do que transmitiu nas reuniões que tem tido com os autarcas da região.

Rogério Abrantes, presidente da Comunidade Intermunicipal Viseu Dão Lafões, é da opinião que a medida já deveria estar no terreno. “Há pessoas a chegar e até de outras zonas do país para a nossa região. Temos de tomar medidas”, sublinha o autarca que disse ter sido pedida orientação à Administração Regional de Saúde.

Só esta sexta-feira, à hora de almoço, é que a diretora-geral de Saúde, Graça Freitas, anunciou que está a ser preparada uma norma nacional para os serviços se orientarem. A indicação, que deverá ser dada na próxima segunda-feira, será a de isolamento profilático durante 14 dias para quem entrar em Portugal. “Essa vai ser a indicação genérica. Dito isto, as autoridades de saúde competentes da região para onde as pessoas vão podendo fazer uma avaliação mais fina do risco e tomar medidas que excecionem esta regra”, disse Graça Freitas.

 

O regresso

O regresso dos emigrantes aos concelhos de origem está a preocupar as autoridades de saúde por causa do risco destas pessoas poderem transportar a doença de Covid-19. Nesta altura, são vários os municípios a apelar aos emigrantes para que fiquem no país de origem. Um deles é Vila Nova de Paiva, que tem a aldeia mais francesa de Portugal, Queiriga. Ao concelho, estão a regressar várias pessoas de França e Alemanha, e muitas delas trazem consigo os netos, afirma o presidente da Câmara local, José Morgado. “Sabemos o que se está a passar nesses países, nomeadamente a França, que está completamente fechada em fábricas e serviços. As pessoas aproveitam para vir às aldeias”, diz. O autarca revela que também estão a acontecer “mais dois fenómenos”. “Estamos a ter muita imigração interna de lisboetas, que estão também a regressar a Vila Nova de Paiva. Também estão a regressar muitos da Alemanha. Já lançámos um comunicado para que haja da parte deles uma ação preventiva, porque vêm sempre cheios de saudades, mas todos temos de fazer esta luta. Sensibilizamos-lhes para que não façam atos sociais preventivamente e se reservem”, explica. O autarca diz que o ideal era as pessoas continuarem em casa e lembra que os contactos em territórios envelhecidos, como Vila Nova de Paiva, constitui um risco.

José Morgado diz que o município paivense viu-se obrigado a tomar mais medidas com o aumentar dos casos de Covid-19 em Portugal, incluindo encerramentos de equipamentos municipais, como piscinas, auditórios, pavilhões desportivos, parques infantis, parques urbanos e cemitérios, para que as pessoas continuem mais afastadas, numa medida para travar o avanço do novo coronavírus. O autarca apela ainda às freguesias para que haja também afastamento social nas localidades.

Em Cinfães, o presidente da Câmara, Armando Mourisco, lembra que esta zona do país tem preocupações acrescidas não só com os emigrantes, mas também com a população envelhecida. 

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