06 Abr
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Câmara de Viseu assume relações beliscadas com entidade gestora do Teatro Viriato

por Redação

06 de Fevereiro de 2020, 13:03

Foto Arquivo Jornal do Centro

Autarquia insiste que não foi ouvida no processo de mudança da direção artística

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06 Fev 2020

Almeida Henriques, presidente da Câmara de Viseu

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Almeida Henriques garante que não vai cortar os apoios ao Teatro Viriato

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José Pedro Gomes, vereador do PS na Câmara de Viseu

O presidente da Câmara de Viseu, Almeida Henriques, aponta o dedo à associação Centro de Artes do Espetáculo de Viseu (CAEV) e à agora ex-diretora do Teatro Viriato, Paula Garcia, pelas mudanças anunciadas na última quarta-feira (5 de fevereiro) no espaço cultural.

A autarquia viseense, que é proprietária do edifício do Teatro e principal financiadora da instituição, estranha as mudanças na direção artística e lamenta não ter tido uma palavra a dizer na escolha da nova diretora Patrícia Portela.

“Não concordamos que alguém que está a desenvolver um projeto o deixe a meio e saia para exercer outras funções, embora seja uma questão legítima. As pessoas estão sempre livres de iniciar novos percursos na sua vida, mas quando se assume um compromisso, deve-se levá-lo até ao fim”, disse Almeida Henriques, referindo-se ao facto de Paula Garcia ter sido autora da candidatura em vigor apresentada à Direção-Geral das Artes, cujo projeto está em vigência até 2021.

“Por outro lado, estranhamos que tenhamos sido confrontados com um facto consumado. A ética diria que o CAEV tivesse feito uma reunião prévia com o município, para que fosse parte ativa na escolha da pessoa”, acrescentou o presidente da Câmara.

Em declarações feitas à margem de mais uma reunião do executivo municipal, decorrida esta quinta-feira (dia 6), Almeida Henriques admitiu mesmo que este incidente belisca as relações institucionais com o CAEV, mas garantiu que não vai cortar nos apoios ao Teatro Viriato, dizendo que a Câmara tem um contrato e que ela vai honrá-lo até ao fim.

“Lamentamos que este tipo de procedimentos possa ter ocorrido e que tenha sido este o comportamento. Só estamos a colocar isto do ponto de vista ético”, lamuriou o autarca.

A posição da maioria é criticada pelo vereador do PS, José Pedro Gomes.

“Parece-nos que não se passa nada de grave ou problemático. A diretora Paula Garcia recebeu uma proposta profissional interessante e decidiu aceitar, o que nos parece claro. Segundo, o CAEV preparou isto e tem vindo a trabalhar sobre esta decisão. Terceiro, o CAEV escolheu Patrícia Portela para substituir Paula Garcia na direção artística. Quarto, Paula Garcia vai permanecer ligada ao Teatro Viriato através da direção do CAEV”, salientou.

“O município não ficou satisfeito e isso é claro no comunicado emitido. Não sabemos se estão mais uma vez a questionar a autonomia do CAEV. Não queremos acreditar nisso, mas parece-nos que, do lado do Teatro, reina a tranquilidade com esta mudança”, acrescentou o socialista.

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