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Taxa sobre produção de carne “destrói equilíbrio” ambiental e territorial

por Redação

31 de Janeiro de 2020, 15:13

Foto Arquivo Jornal do Centro

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O presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) defendeu hoje que a proposta para taxar a produção de carne vai “destruir o equilíbrio” ambiental, que “é preciso incrementar”, e vai desequilibrar a gestão do território.

“Nesta região, há uma ajuda da autarquia aos produtores de gado, agora imaginem o que seria criar um imposto para retirar interesse à produção pecuária, desequilibrando os benefícios da produção pecuária, com a manutenção da atividade agrícola, o equilíbrio da gestão do território e o contributo para a fixação do carbono”, disse Eduardo Oliveira e Sousa.

O presidente da CAP falava a meio de uma reunião com mais de uma dezena de associações ligadas à agricultura e pecuária em Cinfães, zona de produção de carne arouquesa, a propósito da proposta, esta semana, por parte do Partido Pessoas–Animais–Natureza (PAN) para alteração ao Orçamento do Estado para 2020 (OE2020) no sentido de criar uma taxa sobre a produção de carne.

Eduardo Oliveira e Sousa contou que, “ao contrário da mensagem que se manda para o exterior, de que a criação de gado é altamente poluente, é o inverso”, e explicou que na produção de carne há uma contrapartida para os gases de efeito de estufa que outras atividades não têm.

“As pastagens biodiversas fixam carbono, porque no meio do campo existem árvores que também beneficiam da presença de animais e essas árvores também são produtoras de oxigénio e fixadoras de carbono”, justificou.

Este responsável acrescentou que, “maioritariamente, a carne produzida em Portugal é em regime extensivo, não é em regime intensivo”, e, por isso, “o assunto merece ser debatido fora do quente da discussão ideológica”, o que, no seu entender, “não acontece com uma proposta desta natureza”.

“Há todo um equilíbrio que temos de incrementar e não tentar destruí-lo, que é o que pode acontecer com o lançamento de uma taxa destas. Além disso, essa taxa a acontecer algum dia vai refletir-se, obviamente,, no consumidor e isto não tem qualquer espécie de cabimento”, disse.

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No decorrer das reuniões que a CAP tem realizado pelo país, para ouvir as associações sobre as medidas do Governo para o setor agrícola e florestal, Eduardo Oliveira e Sousa disse que percebeu que “os agricultores estão a ficar alarmados” com esta “possível taxa”.

Neste sentido, apelou para que as autarquias olhem “para este problema” e façam “chegar aos seus grupos parlamentares” essa preocupação e alertou os “principais partidos para que não se deixem enredar neste tipo de posicionamentos ideológicos”.

Eduardo Oliveira e Sousa assumiu que na “produção de carne há alguma componente da contribuição da pecuária para os gases de efeito de estufa”, mas, no seu entender, “é uma questão que está empolada, está exagerada, porque tem uma carga ideológica” associada.

“E é essa carga ideológica que nós não aceitamos trazer para a discussão”, afirmou, desafiando a que o assunto seja “objetiva e tecnicamente tratado, no sentido de minimizar e diminuir os efeitos da pecuária nas implicações com as alterações climáticas”.

Até porque, defendeu, “a percentagem ou a relação da produção pecuária nessas alterações climáticas é diminuta e não tem o envolvimento ou a responsabilidade conforme é transmitida para a opinião pública”.