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Coronavírus: Circo vive dias difíceis, à espera de retomar a magia

por Redação

25 de Março de 2020, 15:36

Foto Igor Ferreira

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Há quem lhe chame o maior espetáculo do mundo, mas por estes dias está parado. De norte a sul de Portugal não há qualquer circo a funcionar. Por Viseu não é exceção. Junto à antiga estação de comboios, há trinta pessoas paradas. Quando anunciou as medidas incluídas no estado de emergência, o Governo proibiu várias atividades desde cinemas aos teatros passando por pavilhões e campos desportivos. O circo foi também incluído na lista de atividades suspensas.

O que se faz num circo parado

Com tudo pronto para que o circo entre em funcionamento, há várias tarefas a cumprir: cuidar das tarefas domésticas, pintar, retocar os materiais e, claro, treinar os exercícios para apresentar no dia em que o circo possa voltar. Aqui a palavra parado é quase proibida. Para já, Israel Modesto, responsável pelo “Super Circo”, não consegue quantificar o exato valor do prejuízo. “Financeiramente vai ser um caos. É só ver quantas viaturas estão aqui paradas, quantas rodas estão sem se mexerem. Os governantes, por favor, tomem atenção. Isto é uma situação grave. Estão várias famílias paradas. em vários pontos do país. Isto está complicado”, reforça. O responsável pelo circo instalado em Viseu, diz nem querer imaginar se a situação se prolongar muito mais no tempo. “Vamos ter de chamar as autoridades para tomarem atenção a isto”, prevê. 
No interior do edifício típico de um circo, há gente a trabalhar. No entanto, garante Israel, estão em vigor todas as medidas de segurança. “Ninguém sai daqui, tirando uma ou duas senhoras, no máximo, que vão buscar alimentação e voltam. Estamos todos a trabalhar à porta fechada”, reafirma o responsável

"Nunca fomos ajudados" 

Caso haja um abrandamento nas restrições e o circo possa reabrir, Israel Modesto deixa a garantia de que haverá um ainda maior controlo na higiene. “Como é lógico tem de haver mais regras. Nós não queremos contaminar ninguém, nem pôr em risco a vida humana. Em risco estariam também os nossos filhos e as pessoas cá do circo”, acrescenta. Nesta hora de silêncio, sem a magia própria de um espetáculo que vive da presença de público com interação constante entre artista e espectador, Israel apela a uma maior atenção do Governo. “Esta é uma atividade que nunca foi protegida. Nunca. Nunca tivemos apoios de ninguém. Esta é uma altura em que podem colaborar connosco. Nós nunca andámos a pedir que nos ajudassem.”, assinala. Por agora não há magia, suspiros de admiração ou gargalhadas. Só silêncio, à espera de melhores dias.

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