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Exigida abertura de inquérito à morte de um homem no Hospital de Lamego

por Redação

14 de Fevereiro de 2020, 07:54

Foto Arquivo Jornal do Centro

Exigência é do Bloco de Esquerda

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O Bloco de Esquerda (BE) defendeu a abertura de um inquérito e o acesso ao relatório final à morte de um homem, na última segunda-feira (10 de fevereiro), no Hospital de Lamego após ter esperado seis horas para ser atendido na urgência.

Em comunicado, o BE disse ter enviado perguntas à ministra da Saúde, Marta Temido, sobre o caso, nomeadamente sobre se o Governo tem conhecimento da situação e se a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) vai abrir um inquérito ao atendimento prestado ao utente nas urgências do Hospital de Lamego.

As perguntas surgem depois, de o Governo e o Hospital já se terem pronunciado sobre a abertura de um inquérito interno.

Nas questões apresentadas ao Ministério da Saúde, o BE pede também o acesso ao resultado do inquérito.

O BE quer igualmente saber se o Governo prevê para breve "a reabertura de alguma das especialidades que foram subtraídas àquele hospital" como são o caso da urgência pediátrica, da ortopedia, da obstetrícia ou da urologia”.

De acordo com os bloquistas, algumas destas especialidades foram removidas com a promessa de reabrirem aquando da mudança para as atuais instalações.

O BE quer também que o Governo esclareça se existem “recursos humanos necessários” ao funcionamento daquela unidade hospitalar, se foram acautelados os reforços necessários" ao aumento da procura e que esforços estão a ser feitos para "fomentar a contratação de pessoal clínico e evitar o recurso à subcontratação”.

Contudo, um dia antes de o BE ter enviado as perguntas ao Governo, o Ministério da Saúde garantiu estar a seguir “com toda a atenção” o caso da morte de um homem de 65 anos, na segunda-feira, após uma espera de seis horas para ser atendido no Hospital de Lamego.

“Acompanharemos isso com toda a atenção e estamos em articulação com a direção do hospital”, declarou a ministra da Saúde, Marta Temido.

Falando aos jornalistas portugueses, em Bruxelas, no final de uma reunião extraordinária de ministros da Saúde da União Europeia sobre o surto do novo coronavirus, a responsável explicou que, no caso da morte após espera nas urgências, “houve já a abertura de um inquérito interno, nesta fase”.

“Depois, o encaminhamento do inquérito dependerá daquilo que, ao nível interno e a curto prazo, possa ser encontrado”, acrescentou Marta Temido.

A governante adiantou que a abertura de uma eventual investigação pelo Ministério Público “dependerá das conclusões preliminares [do inquérito interno] e poderá acontecer”.

Já na quarta-feira (dia 12), o Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro (CHTMAD) anunciou que vai averiguar as circunstâncias da morte.

Em comunicado, o CHTMAD explicou que, na segunda-feira, a afluência ao serviço de urgência do Hospital de Lamego foi "excecionalmente alta, quando comparada com os dias anteriores".

O doente “teve um agravamento do estado clínico” e foi “assistido no local e encaminhado para a sala de emergência”, tendo acabado por morrer, acrescentou.

O CHTMAD referiu que nesse dia, entre as 8h00 e as 20h00, foram atendidos 128 doentes, sendo que 116 receberam a pulseira amarela ou a laranja na triagem.

O jornal Correio da Manhã noticiou que o homem, que tinha uma doença pulmonar, morreu nos braços da mulher depois de ter estado seis horas à espera para ser atendido por um médico na urgência do Hospital de Lamego. A família está revoltada e acusa a unidade de saúde de negligência médica.