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Lançado novo concurso público para obras nas urgências do Hospital de Viseu

por Redação

23 de Janeiro de 2020, 11:20

Foto Arquivo Jornal do Centro

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O Centro Hospitalar Tondela-Viseu (CHTV) revelou esta quinta-feira (23 de janeiro) que foi publicado em Diário da República o novo concurso público para as obras de alargamento e remodelação das urgências do Hospital de S. Teotónio.

O anúncio foi feito na antevéspera da realização prevista de uma manifestação organizada pela Liga dos Amigos do CHTV pelas obras no serviço de urgência e também pelo projeto do centro oncológico, que decorrerá no sábado (dia 25) no Rossio.

Em comunicado, a administração da instituição de saúde sublinha que a obra representa um investimento total de 6.460.627,53 euros, “traduzindo um acréscimo de 811.588,44 euros face ao valor previsto inicialmente no PIAS - Plano de Investimentos na Área da Saúde”.

“A intervenção tem um prazo de execução de 400 dias, prevendo-se o arranque da obra no mais curto prazo possível a partir da consignação da empreitada, cumpridos que estejam todos os prazos e procedimentos legais, designadamente visto prévio do Tribunal de Contas”, pode ler-se na nota de imprensa.

O lançamento do novo concurso foi desencadeado depois de, segundo o CHTV, “no procedimento anterior, as empresas terem recusado as condições financeiras do concurso, por estarem abaixo dos custos praticados pelas novas condições de mercado”.

Os responsáveis pelo CHTV garantem ainda que o novo serviço de urgência vai proporcionar “uma significativa melhoria das condições de prestação de cuidados de saúde urgentes e emergentes às nossas populações, potenciando a qualidade e prestigiando o Serviço Nacional de Saúde”.

A administração também enaltece, no comunicado, que os objetivos e prazos definidos para a conclusão da obra “mantêm-se como anteriormente”, incluindo a remodelação, o alargamento e a otimização das condições de trabalho, dos espaços de acolhimento, atendimento e acessibilidades e das infraestruturas de urgência e emergência.

O lançamento do concurso não cancela a manifestação de sábado, afirma o presidente da Liga de Amigos do CHTV, Fernando Bexiga. “É mais uma promessa e nós temos de vê-la efetivada. Senão, é sinal de que tivemos razão. E se se efetivar de que as obras começam dentro de três ou quatro meses, só temos de parabenizar porque contribuímos para que a população tivesse um melhor serviço”, diz ao Jornal do Centro.

Fernando Bexiga recorda que as obras nas urgências são reclamadas há uma década. “O serviço é demasiado pequeno para tanta população e devia atender cerca de 250 doentes em média diária, enquanto atende 500, 600 ou 700. Não é possível aos profissionais prestarem um bom serviço, nem aos doentes serem bem atendidos porque não têm espaço e não há conforto. São doentes urgentes numa população cada vez mais envelhecida e que não têm condições nenhumas de atendimento”, lamenta.

A polémica

No dia 9 de janeiro, o Governo tinha aprovado, em Conselho de Ministros, uma resolução que permitiu reprogramar os encargos relativos à obra de alargamento e remodelação das atuais instalações da Urgência Polivalente. Esta obra é há muito reclamada, tendo o seu atraso motivado críticas de políticos e da sociedade civil.

A Liga de Amigos e Voluntariado do CHTV marcou para sábado à tarde, no Rossio, uma concentração pela defesa das obras da urgência, pela concretização do prometido centro oncológico e “pela dignificação do trabalho dos profissionais e conselho de administração, que tem visto quartados os seus esforços pela melhoria dos cuidados de saúde”.

Em dezembro de 2019, também a Assembleia Municipal de Viseu decidiu agir, convocando os grupos municipais para tomarem iniciativas relativamente à degradação do serviço de urgência.

O presidente da Assembleia Municipal, Mota Faria, disse que “a questão da urgência tem sido tratada por este Governo de uma forma vergonhosa” e este órgão autárquico não podia ficar de braços cruzados, devendo exigir a prometida ampliação.

O presidente da Câmara de Viseu, Almeida Henriques, considerou “desumana a forma como as pessoas são tratadas” naquele serviço.

“As urgências estão adjudicadas há dois anos e meio e, na altura, o ministro das Finanças e a ministra da Saúde não desbloquearam as verbas para a contrapartida nacional”, recordou, durante a reunião da Assembleia Municipal.

O autarca acrescentou que, quando as verbas foram finalmente desbloqueadas, “a empresa já não estava interessada em fazer a obra por aquele valor”.

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