24 Fev
Viseu

Sociedade

Deputados de Viseu divididos sobre a eutanásia

por Redação

13 de Fevereiro de 2020, 11:00

Foto Arquivo Jornal do Centro

Pedro Alves (PSD) é contra. Já deputados do PS revelam-se a favor

CLIPS ÁUDIO

12 Fev 2020

Pedro Alves, deputado do PSD

12 Fev 2020

Lúcia Silva, deputada do PS

13 Fev 2020

José Rui Cruz, deputado do PS

Os deputados eleitos pelo distrito de Viseu na Assembleia da República estão divididos sobre a legalização da eutanásia.

O tema tem estado em debate nos últimos dias e o Parlamento vota cinco projetos de lei para a despenalização da morte assistida, do Bloco de Esquerda, Iniciativa Liberal, PS, PAN e Partido Ecologista “Os Verdes”, que preveem essa possibilidade sob várias condições, no próximo dia 20 de fevereiro.

Pedro Alves, eleito pelo PSD, defende a realização do referendo, mas mostra-se contra a prática da morte assistida.

“Há uma preocupação clara relativamente a estas temáticas, sobretudo porque são sensíveis e focam-se num direito fundamental, que é a vida. Temos vindo a procurar dar dignidade, principalmente àqueles que estão em sofrimento no fim da vida. Julgo que há um caminho a percorrer ao nível da qualidade dos serviços prestados no fim de vida pelo Estado, como os cuidados continuados e paliativos, cuja rede é diminuta”, sustenta.

O social-democrata justifica ainda o seu voto contra “como forma de suprir a falta de prestação de cuidados”.

Já a deputada do PS, Lúcia Silva, considera que devem ser os parlamentares a decidir e diz que concorda com a legalização da eutanásia.

“A pessoa tem a liberdade de tomar as suas decisões vitais ao longo da vida e também deve ter liberdade para ter um espaço legalmente reconhecido da decisão quanto à sua própria morte”, defende a socialista.

“Não se trata da afirmação de uma liberdade geral de qualquer pessoa de poder cometer suicídio. O que pretendemos é que a pessoa que pede eutanásia e que está em situação de sofrimento extremo com lesão definitiva ou doença fatal e incurável precise de ajuda para concretizar um ato que não deixa de ser uma decisão individual, livre e esclarecida”, acrescenta.

Lúcia Silva defende ainda que a decisão de legislar a eutanásia deve ser tomada “em consciência” pelos deputados do Parlamento, “porque estamos eleitos para tomar decisões”.

A posição de Lúcia Silva também é defendida pelo socialista José Rui Cruz.

“Acho que as pessoas devem poder decidir, com todas as regras e precauções, porque têm de ser devidamente acauteladas. Nada tenho contra o referendo, mas esta matéria tem muita delicadeza e requer muito conhecimento, estudo, dedicação e empenhamento. Se toda a gente tivesse informação, eu não tinha nenhum problema em admitir que o referendo seja uma boa solução, mas não me parece que seja assim”, sustenta o deputado.

O bispo de Viseu, D. António Luciano, também se mostrou esta semana como sendo contra a legalização da eutanásia, por considerar que a vida deve ser respeitada desde a conceção até à morte natural.