05 Abr
Viseu

Sociedade

Morreu bispo emérito de Viseu, D. Ilídio Leandro

por Redação

21 de Fevereiro de 2020, 12:50

Foto Igor Ferreira

Cerimónias fúnebres realizam-se sábado e domingo, com cortejo até à Sé Catedral

CLIPS ÁUDIO

21 Fev 2020

António Minhoto - Associação dos Ex-Trabalhadores das Minas de Urânio

21 Fev 2020

Sandra Oliveira, diretora dos Jardins Efémeros

As cerimónias fúnebres do bispo emérito de Viseu, D. Ilídio Leandro, estão marcadas para este domingo (23 de fevereiro).

Segundo a Diocese de Viseu, a missa de exéquias está marcada para as 15h00, na Sé Catedral de Viseu. Antes, o corpo de D. Ilídio Leandro estará num cortejo fúnebre que arranca às 12h00 no Centro Pastoral, onde terá lugar a missa da manhã às 9h30.

Depois da eucaristia exequial, o corpo do antigo prelado irá deslocar-se às 16h15 para a sua terra natal de Rio de Mel (concelho de S. Pedro do Sul), onde será homenageado uma última vez e sepultado no cemitério local.

Antes, neste sábado (dia 22), o corpo de D. Ilídio Leandro estará em câmara ardente na igreja do Centro Pastoral de Viseu, onde decorrerá a partir das 12h00 uma sessão de tempo de oração e vigília. Às 16h30, há a celebração do ofício de vésperas e, às 21h00, a celebração do ofício de leitura de defuntos.

O emérito bispo de Viseu, D. Ilídio Leandro, faleceu esta sexta-feira (21 de fevereiro) no Hospital de S. Teotónio, onde estava internado na Unidade de Cuidados Intensivos há cerca de duas semanas, vítima de doença prolongada. Tinha 69 anos.

“Com profundo pesar, a Diocese de Viseu comunica o falecimento do seu bispo emérito, D. Ilídio Pinto Leandro. Partiu para a casa do Pai às 11h30 deste 21 de fevereiro de 2020, no Hospital de S. Teotónio (Viseu), onde estava internado após agravamento da sua saúde”, revelou a Diocese viseense numa nota publicada no seu site.

O percurso

D. Ilídio Leandro foi nomeado bispo de Viseu pelo Papa Bento XVI e ordenado, na Sé Catedral de Viseu, no dia 23 de julho de 2006, sucedendo a D. António Marto. Em 2017, o Papa Francisco aceitou o seu pedido de resignação por motivos de doença.

D. Ilídio Leandro passou o bastião da Diocese de Viseu em 2018 a D. António Luciano, que foi nomeado para o cargo de bispo em maio desse ano.

Nascido a 4 de dezembro de 1950, em Rio de Mel (concelho de S. Pedro do Sul), Ilídio Leandro frequentou os seminários da Diocese de Viseu e foi ordenado sacerdote a 25 de dezembro de 1973. Licenciou-se em Teologia Moral em Roma (Itália) e foi professor de Teologia Moral no Seminário Maior de Viseu, cargo que acumulou com o de diretor espiritual da mesma instituição.

Como padre, Ilídio Leandro passou, entre outras paróquias, por Canas de Senhorim (Nelas), S. Salvador (Viseu), Torredeita (Viseu), Farminhão (Viseu), Boaldeia (Viseu) e Caparrosa (Tondela).

As reações e as memórias

No anúncio oficial da Diocese, o atual bispo de Viseu, D. António Luciano, deixou uma nota de reconhecimento pelo trabalho de D. Ilídio Leandro. “Demos graças a Deus pelo dom da sua vida e ministério. Que o Senhor Ressuscitado, aquele que venceu a morte, o receba no seu Reino glorioso. Amen”, escreveu o atual prelado.

Já a Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) manifestou, em comunicado, “o sentido pesar” pela morte do bispo emérito.  Num comunicado assinado pelo secretário Manuel Barbosa, os votos de pesar são estendidos “particularmente aos seus familiares e aos diocesanos de Viseu que Dom Ilídio serviu com toda a dedicação ao longo do seu ministério sacerdotal e episcopal”.

“Manifesto igualmente um forte reconhecimento pelo seu prestimoso contributo no seio da Conferência Episcopal, nomeadamente nas suas comissões e outros serviços”, continua o documento, que faz ainda referência à “grande serenidade” que Ilídio Leandro “manteve durante a grave doença que o atingiu nos últimos anos da sua vida”.

A Câmara de Viseu também já reagiu à morte do bispo emérito de Viseu. Em comunicado, a autarquia viseense disse que viu a notícia da morte com “profundo pesar” e sublinhou que D. Ilídio Leandro “serviu com espírito de abnegação e amor ao próximo a comunidade viseense” durante muitos anos.

A profunda renovação que empreendeu na Diocese de Viseu e as qualidades pastorais e humanas reveladas na relação com as populações e as mais diversas instituições da cidade e região são marcas indeléveis do seu percurso, que todos reconhecem”, pode ler-se na nota.

A Câmara revelou ainda que a bandeira do município será colocada a meia haste durante três dias, em homenagem a D. Ilídio Leandro.

O antigo bispo foi homenageado, no feriado municipal de 2018, com a distinção de Viriato de Ouro, a mais elevada condecoração local atribuída pelo município viseense. Além disso, D. Ilídio Leandro também foi homenageado pelo Jornal do Centro ao ter recebido o prémio de Personalidade do Ano na cerimónia da Celebração da Primavera do mesmo ano.

Já o arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, que participou na ordenação episcopal de D. Ilídio Leandro, também deixou uma mensagem de condolências na sua página na rede social Twitter.

"É com grande pesar que tomo conhecimento da partida para a Casa do Pai do meu caríssimo amigo D. Ilídio Leandro, Bispo Emérito de Viseu. Obrigado pelo dom amizade. Descansa em paz! Aos familiares, amigos e Diocese de Viseu os meus sentimentos e orações", disse D. Jorge Ortiga.

D. Ilídio Leandro esteve sempre ligado a temas da sociedade. Desde a primeira hora, esteve ao lado dos antigos mineiros da Urgeiriça, em Canas de Senhorim (concelho de Nelas), onde foi sacerdote.

Ao Jornal do Centro, António Minhoto, da Associação dos Ex-Trabalhadores das Minas de Urânio, diz que a Urgeiriça nunca vai esquecer D. Ilídio.

“É uma grande perda para a família mineira de urânio. Era um padre bom e que serviu a sua igreja, mas também servia todos. Portanto, esteve do lado dos mineiros nesta causa nobre, porque ele dizia que tinha de ser feita justiça. Foi um grande intérprete e um grande homem que nos ajudou e pôs a Igreja a declarar essa justiça”, afirma acrescentando que D. Ilídio chegou a atuar como mediador dos mineiros, inclusive mesmo junto do Governo.

“Nesta hora de morte e despedida, sentimo-nos com grande sentimento e sentido de dor, mas que fica para sempre a sua obra e o seu trabalho. Os mineiros nunca o esquecerão”, acrescenta António Minhoto.

Outra das causas defendidas por D. Ilídio Leandro foi a do uso do preservativo para combater a SIDA. Em 2009, na sua mensagem da Quaresma, o então bispo disse que havia casos em que existia “obrigação moral” de não provocar a doença e admitiu que os infetados com a SIDA deviam usar contracepção para evitar a transmissão, lembrando também que "a pessoa que não prescinde de uma relação sexual é moralmente obrigada a não transmitir a doença, com preservativo, meio que evita essa propagação".

O antigo bispo de Viseu também esteve uma forte ligação com a cultura. Na cidade de Viriato, apoiou o festival Jardins Efémeros e abriu as portas da Sé a iniciativas culturais. A diretora dos Jardins, Sandra Oliveira, considera que Viseu perdeu uma “grande figura”.

“Perdeu-se também um companheiro e uma pessoa com quem se poderia conversar e refletir sobre a cidade e a humanidade. É uma grande perda para Viseu. Eu presto-lhe aqui uma grande homenagem, sentida e profunda, como pessoa e diretora de um festival que ele apoiou desde o início”, afirma.

Sobre os Jardins Efémeros, Sandra Oliveira diz que D. Ilídio “percebeu que a arte tem de ser para todos, mesmo aquela mais exploratória e dinâmica e menos conservadora, e ela tem de ser humanista. Aí, estamos juntos e agradeço-lhe profundamente todo o trabalho que fez e toda a pessoa que foi”.

Várias reações também estão a surgir nas redes sociais, como o Tondela, que colocou uma foto do antigo bispo com um cachecol do clube.

A Freguesia de Viseu também deixou uma reação à morte de D. Ilídio Leandro.

O Departamento Nacional da Pastoral Juvenil também reagiu nas redes sociais à morte do bispo emérito de Viseu, que foi responsável por esta instituição canónica entre 1999 e 2000

Em comunicado, o presidente da Câmara Municipal de S. Pedro do Sul, concelho de origem de D. Ilídio Leandro, também já veio “em nome do município, manifestar profundo pesar pelo falecimento” do bispo emérito.

“Foi com enorme tristeza que fomos confrontados com este pesaroso acontecimento do falecimento de tão ilustre sampedrense, que ao longo da sua vida se pautou sempre pela dignificação das relações humanas e pelo elevado sentido que conferiu ao trabalho pastoral que abraçou desde sempre. Personalidade que deixa um vazio em toda a comunidade que muito extravasa os limites geográficos concelhios e distritais”, salienta Vítor Figueiredo.

Na nota publicada nas redes sociais, o autarca salienta ainda a proximidade de D. Ilídio Leandro para “com as comunidades, o seu sentido de partilha e a proximidade que manteve com a população e com as instituições da região”.

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