06 Abr
Viseu

Jorge Coelho

OPINIÃO

"O fundamentalismo ambiental não pode prejudicar o desenvolvimento"

"Sou contra qualquer tipo de extremismo"

14 de Fevereiro de 2020, 00:00

CLIPS ÁUDIO

Os concelhos de Mangualde, Sátão e Penalva do Castelo são apontados como territórios de potencial exploração mineira. O secretário de Estado João Galamba anda pelo país a apresentar a nova lei das minas às autarquias. As associações, como o movimento Contra Mineração Penalva do Castelo, Mangualde e Sátão (Viseu), reclamam mais transparência e participação das populações neste processo. O Governo tem um plano para criar um ‘cluster’ do lítio e da indústria das baterias. Devemos ter receios destes projetos que podem ter algumas consequências ambientais ou ter esperança de que possam trazer dinamismo económico a regiões com fraca atividade empresarial?

No concelho de Mangualde, onde fui criado, havia muitas minas de urânio que foram deixadas ao abandono. Algumas, nem todas, só foram requalificadas e seladas nos últimos anos. Eram outros tempos. Agora as questões ambientais e climáticas têm cada vez maior importância para as populações. A informação disponível sobre esses projetos de exploração mineira ainda é muito escassa. Se essa exploração for feita com certificação e devidamente acompanhada pode ser positiva para o desenvolvimento económico das regiões. Mas tem que ser tudo bem certificado. As populações do interior já têm o custo de viverem em territórios isolados e não se lhe pode colocar em cima mais uns problemas ambientais.

As associações ambientais devem ser informadas?

Acho bem que existam para recolherem informação e a disponibilizarem às populações e para participarem no debate para que tudo seja esclarecido e verificado.

Basta ao Governo apresentar os projetos às autarquias?

Ao Governo também compete verificar em cada território a existência de recursos naturais e outros que possam melhorar a vida das populações. Estamos ainda na fase dos estudos e verificação se são ou não bons projetos. As autarquias quando receberem o plano vão ficar a olhar para ele para ver se é bonito ou feio. Isto exige estudos de empresas especializadas e as autarquias têm a obrigação de levantar todas as questões em defesa dos territórios e das populações e tornar isso público. Mas sobre isso não tenho qualquer dúvida de que será assim.

No passado as questões ambientais não eram uma grande preocupação. Hoje não estaremos a cair no outro extremo em que por causa do ambiente nada ou muito pouco se pode fazer?

Conheço bem essa problemática da altura em que fui ministro das Obras Públicas. Como em tudo na vida, tem de que haver bom senso e um meio-termo. As questões ambientais também não podem estar contra a qualificação da vida das pessoas. O ambiente deve ser colocado ao serviço das pessoas e da melhoria da sua qualidade de vida. Há especialista que têm a obrigação de estudar o que deve ser estudado, aconselhar e apontarem as melhores soluções para que as riquezas minerais possam ser colocadas ao serviço do desenvolvimento da economia das regiões onde existem. Não pode haver extremismos nem para um lado nem para o outro. Os estudos têm que ser rigorosos e feito por entidades credíveis. Sou contra qualquer tipo de extremismo, seja político, religioso, desportivo, etc.

Pelo facto destes projetos serem apontados para territórios de baixa densidade populacional, não há o risco de haver a tendência de se negligenciar os aspetos ambientais para valorizar os económicos?

Se o fizerem fazem mal e devem ser penalizados por isso. As questões ambientais são essenciais na sociedade em que vivemos. E não acredito que alguém responsável queira ficar com uma marca no seu percurso de ter cometido um atentado ambiental contra as populações. Tem que ser tudo bem feito, sem populismo ou extremismos.

Rui Rio, ao iniciar novo mandato como líder do PSD, veio pedir pactos de regime para reformar a justiça e o sistema político. Vai ser possível esse entendimento?

Seja qual for o momento político que se viva, o país precisa de encontrar soluções para os principais problemas da sociedade. Em Portugal, para haver reformas estruturais tem que haver maioria de dois terços e, para isso, tem que haver entendimentos entre os dois maiores partidos. Espero que se forme esse entendimento para se fazerem as reformas necessárias.

Na reforma do sistema político, Rui Rio defende, entre outras iniciativas, o alargamento da limitação de mandatos para os deputados. Concorda?

Totalmente. E não só para os deputados. Fui eu que no PS lançou pela primeira vez a ideia da limitação de mandatos dos presidentes de câmara. Arranjei à conta disso alguns inimigos. Continuo a ter o mesmo entendimento de que os cargos devem ter limitação de mandatos.

Outros temas abordados na Conversa Central: a preocupação dos bancos nacionais serem dominados por espanhóis; os efeitos Luanda Leaks; como é que um mundo cada vez mais desenvolvido é apanhado de surpresa pelo vírus coronavírus.

Pode ouvir o podcast da Conversa Central em www.jornaldocentro.pt/podcasts

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