Comer é que a Gente se Entende foi até ao coração do…
Em Orgens o Carnaval é um pretexto para reviver tradições seculares. As…
Já pensaram no trabalho minucioso por detrás da construção de um instrumento…
por
Ricardo Horta
por
Joaquim Alexandre Rodrigues
por
Raquel Lopes, diretora processual ERA Viseu Viriato
A Câmara de Santa Comba Dão assina esta sexta-feira (28 de fevereiro) o protocolo de cooperação com a associação Ephemera para a concretização do Centro Interpretativo do Estado Novo, um projeto defendido pela autarquia do concelho onde nasceu António de Oliveira Salazar, mas que tem merecido polémica nos últimos anos.
O protocolo vai ser assinado às 11h30 na Casa da Cultura de Santa Comba Dão e foi aprovado pelos órgãos municipais. A autarquia explica que o documento estabelece as “bases da cooperação para a concretização” do espaço que pretende retratar a história do regime do Estado Novo – que foi a mais longa ditadura da Europa ocidental, vigorando entre 1926 e 1974 – e da sua resistência.
A Escola Cantina Salazar, em Vimieiro, mantém-se como o local escolhido para receber o centro interpretativo.
Em comunicado, a Câmara de Santa Comba Dão refere que o protocolo com a Ephemera, o arquivo histórico fundado por José Pacheco Pereira, “pretende acabar de vez com qualquer suspeita de saudosismo da ditadura, que gorou tentativas anteriores, e abrir caminho ao estudo histórico de todos os aspetos políticos, militares, biográficos, económicos, sociais, culturais e iconográficos desse período”.
O município assegura ainda que a autonomia do projeto, a prioridade da preservação da memória documental e a investigação no centro interpretativo serão asseguradas por uma comissão científica “constituída por historiadores e académicos prestigiados” e pela Ephemera.
“Este projeto servirá também a população de Santa Comba Dão, trazendo debates, exposições, investigadores nacionais e internacionais à autarquia”, promete a Câmara.
A ideia do centro interpretativo remonta a 2018, quando a Câmara de Santa Comba Dão anunciou o projeto inicialmente em parceria com o Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra (UC) e como parte da Rota das Figuras Históricas da ADICES – Associação de Desenvolvimento Local. Mas, cerca de duas décadas antes, já se falava no “museu Salazar”.
O projeto mereceu tanta polémica que a União de Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP) apresentou duas petições na Assembleia da República contra o projeto: em 2009, com 16 mil assinaturas, e em 2020, com 11 mil assinaturas. Entretanto, as parcerias com a UC e a ADICES caíram por terra, mas a Câmara de Santa Comba Dão sempre defendeu a viabilidade do projeto. Agora, vai assinalar o protocolo de cooperação com a Ephemera.