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A Cáritas Paroquial de Santa Maria, em Viseu, reconhece que a sua situação financeira é frágil e os seus responsáveis dizem que os apoios do Estado não chegam para suportar todas as despesas. A instituição, que dispõe de várias valências, tem como principal fonte de receita os acordos com a Segurança Social, mas o seu presidente, o cónego Manuel Matos, diz que o apoio da tutela “é pouco e cobre cada vez menos”.
“Nós prestamos um trabalho que exige recursos humanos permanentes, nas várias respostas sociais, e a maioria é suportada por nós. Se multiplicarmos aquilo que fazemos pelos 365 dias do ano é um valor alto e as despesas são cada vez maiores”, diz o responsável, citado numa nota da Diocese de Viseu.
Manuel Matos acrescenta que mesmo o aumento da comparticipação da tutela “não acompanha” as necessidades da instituição. “Como nós temos um acordo atípico ainda pior, porque alguns apoios que têm existido ao meio do ano para as outras instituições, nós não recebemos”, alerta.
Além dos problemas financeiros, o também pároco de Santa Maria de Viseu também alerta para a necessidade “urgente” de obras na sede da Cáritas Paroquial, na Rua Silva Gaio, mas reconhece que a instituição não tem verba para as intervenções necessárias.
Apesar dos desafios, a Cáritas de Santa Maria continua de portas abertas a quem mais precisa. Por exemplo, a instituição tem em funcionamento uma loja social que tem como objetivo angariar verbas numa altura em que aumentam os pedidos de ajuda.
A ideia da loja social – aberta há mais de um ano – partiu de Ana Paula Ribeiro, diretora técnica da Cáritas há 13 anos. A responsável viu na loja social uma oportunidade de angariar verbas para apoiar os utentes da Cáritas Paroquial e escoar os donativos que a instituição recebe.
“Temos muitas doações de roupa, calçado, brinquedos, artigos de bebé, bolsas, artigos para a casa, utensílios para o lar, objetos de decoração e também algumas peças de mobiliário. Muitos dos artigos são novos e outros são-nos dados em muito bom estado e não temos espaço para armazenar tanta coisa. Quando os recebemos fazemos uma seleção prévia. Uns são dados diretamente às famílias que apoiamos e os restantes são encaminhados para a loja”, explica Isabel Francisco, educadora social e responsável pela loja.
O estabelecimento ambiciona conseguir um espaço maior, com uma área para armazém, e ter mais voluntários que permitam ter a loja sempre aberta. O espaço funciona de segunda a sexta-feira no Centro Comercial Académico, sempre que a disponibilidade dos voluntários assim o permite. Quem quiser fazer doações deve dirigir-se às instalações da Cáritas de Santa Maria, na Rua Silva Gaio, atrás da Igreja da Misericórdia.
Cáritas de Santa Maria serviu milhares de refeições no ano passado
A Cáritas de Santa Maria apoia bebés, crianças, jovens, adultos e idosos, conta com as valências do centro de acolhimento temporário – que “encontra-se com capacidade máxima” e acolhe grávidas, crianças e refugiados, diz Ana Paula Ribeiro – e do refeitório e cantina sociais.
A instituição coordena em Viseu a distribuição de alimentos no âmbito do Programa Operacional de Apoio às Pessoas Mais Carenciadas. Os bens alimentares chegam todos os meses a 1.184 beneficiários que representam cerca de 390 famílias. Já nas restantes respostas, os pedidos têm vindo a aumentar. Só no ano passado, a cantina social serviu cerca de 1.600 refeições e o refeitório social, cujo apoio é alargado ao distrito de Viseu, serviu 1.440 refeições a cerca de 60 beneficiários.
“Há pessoas que vêm pedir refeição durante a noite e nós damos, nunca fechamos”, acrescenta a diretora técnica. Mas a Cáritas prepara-se para dar mais apoios. A partir de março, as pessoas que são apoiadas pela instituição e que estejam a trabalhar passam a ter autonomia para fazerem as suas compras alimentares através de um cartão refeição. “Vão ficar responsáveis pelas suas compras e pela gestão do valor que vai ser dado em cartão. É uma novidade e vamos ver como corre”, adianta Ana Paula Ribeiro.
Depois da pandemia, a diretora reconhece que houve um aumento nos pedidos de ajuda. Atualmente, uma das preocupações é a habitação, elencando-a como “um problema, pelos preços que se praticam”. “Apoiamos pessoas que trabalham e que têm o seu ordenado, mas não conseguem que o seu rendimento seja suficiente para todas as despesas”, diz.
Os responsáveis da Cáritas de Santa Maria apelam à comunidade que continue a contribuir com aquilo que pode e às entidades locais que não se esqueçam da instituição, lembrando que, para situações de emergência, “a Cáritas é sempre a primeira a ser contactada”.