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A inscrição no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial da Procissão de Triunfo, que se realiza há 130 anos pelas ruas de Lamego, com andores armados em cima de coches puxados por bois, encontra-se em consulta pública.
O anúncio, publicado esta sexta-feira (4 de abril) em Diário da República, era aguardado pela Irmandade de Nossa Senhora dos Remédios, que tutela a procissão (realizada em 8 de setembro) e que apresentou a candidatura na sequência de um trabalho realizado nos últimos cinco anos.
“O processo está a andar. A 21 de maio termina a consulta pública, depois regressa ao Património Cultural, que tem 120 dias para se pronunciar”, disse à agência Lusa Fernando Cabral, responsável pela elaboração da candidatura.
Fernando Cabral contou que, apesar de a Procissão de Triunfo datar de 1894, ela tem raízes em outras procissões que se realizavam em homenagem a Santo Estêvão nos séculos XIV e XV e depois, nos séculos XVI, XVII e XVIII, à Nossa Senhora dos Remédios, mas em datas e com características distintas.
A Procissão de Triunfo constitui o momento mais solene das Festas em Honra de Nossa Senhora dos Remédios, considerada a mais antiga romaria que se realiza em território português.
“Tem características únicas no mundo”, frisou Fernando Cabral, autor do livro “Procissão de Triunfo – Património da Humanidade”, acrescentando que, entre as várias particularidades desta manifestação religiosa, está a presença dos bois no transporte dos carros-andores.
Segundo o autor da candidatura, “coches que são originais de 1894 foram ligeiramente adaptados para acomodarem os andores, transformando-se em carros-andores”.
Outra particularidade é o facto de, em cima dos carros-andores, irem crianças como parte integrante dos quadros ou temas bíblicos apresentados em cada um deles, acrescentou.
A procissão conta com uma grande participação comunitária e atrai todos os anos mais de 150 mil pessoas à cidade. Em Lamego, é habitual que pessoas de várias gerações da mesma família tenham estado em cima dos carros-andores envergando vestes brancas, levando a que sejam chamados de “pequenos anjos”.
Fernando Cabral realçou que esta “é também a única procissão em Portugal, e uma das poucas no mundo, que conta com a participação de militares”.
A Procissão de Triunfo tem um percurso de quase três quilómetros, com início às 16h00, na Igreja das Cinco Chagas de Cristo, e termina na Igreja de Santa Cruz, onde os militares do Centro de Tropas de Operações Especiais de Lamego têm o seu aquartelamento.
“Os militares sempre se associaram a essa receção”, contou Fernando Cabral, acrescentando que, mais recentemente, “criaram um carro militar para levar depois a imagem de regresso ao santuário”.