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Chegar a Viseu... só por ar porque IP3 não serve

por Redação

16 de março de 2018, 09:30

Foto Arquivo Jornal do Centro

Empresários da região mobilizam sociedade civil com petição. Iniciativa culminará a 24 de março, o "dia do IP3"

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Perto de quatro mil pessoas já subscreveram a petição online que reclama uma requalificação completa e adequada do Itinerário Principal (IP) 3. Os mentores desta iniciativa têm também marcada para 24 de março uma grande ação que vai reunir autarcas e empresários que vão estar presentes em zonas comerciais da cidade para recolher assinaturas e assim chegarem mais rapidamente às 10 mil que são necessárias para agendar um debate na Assembleia da República.

O “Dia do IP3”, como os promotores da petição intitularam esta iniciativa, visa tornar mais visível o alerta que tem vindo a ser feito para uma requalificação “muito urgente” desta via que já está apelidada como estrada da morte.

Lançada no início do mês de fevereiro, a petição é encabeçada pela Associação Empresarial da Região de Viseu (AIRV) juntamente com a Associação Comercial, a Associação Empresarial de Mangualde e a Associação Empresarial de Lafões, a que se juntou a Comunidade Intermunicipal Viseu Dão Lafões, e pretende reunir o número suficiente de assinaturas para que este assunto seja discutido no Parlamento e o governo e os deputados o assumam como uma prioridade da nação. Online, a petição já tem perto de quatro mil assinaturas mas muitas mais existem em papel, referiu fonte da AIRV.

O presidente da Associação Empresarial de Mangualde, José Ribeiro, considera que é necessária a união de todos porque como diz, as forças políticas da região estão áquem da sua missão.

Entre os vários subscritores estão nomes como o presidente da Câmara de Viseu, Almeida Henriques, Jorge Coelho, ex-ministro das Obras Públicas, ou Rogério Abrantes, presidente da Comunidade Intermunicipal Viseu Dão Lafões e da Câmara de Carregal do Sal.

“Não podemos esperar mais!” é como foi intitulado o documento que visa “mostrar a voz firme e indignada da sociedade civil”.

Chegar a Viseu só por ar
E esta voz, para o presidente da Associação Empresarial de Mangualde é necessária que seja “unida”, até porque as forças políticas têm estado “aquém daquilo que é a sua missão”. José Ribeiro assinala que a petição assume ainda maior importância pelas entidades que a subscrevem. “é um ato que faz transparecer uma unidade na voz que infelizmente não tem sido norma na região quando se trata de conseguirmos realizações que interessam à própria região e reclamada por todos. Isto é uma achega para o setor político que tem tido um discurso isolado e sem a expressão que deveria ter”, sustenta.

Para o empresário, as forças políticas da região, principalmente os deputados, têm estado muito aquém daquilo que tem sido a sua missão. “No que toca ao IP3 sinto que estão muito ligadas às disciplinas partidárias e não são uma voz forte e unidade perante um problema que é gravíssimo”.

Classificando esta via como a “pior de Portugal”, José Ribeiro desabafa que neste momento a forma “mais pacífica” para chegar à região de Viseu acaba por ser por ar. “

“Se vier de sul tem o famigerado IP3, se vier de comboio não chega cá ou fica parado no meio da linha”, descreve, lembrando que as outras vias, como a A25 ou A24 estão sujeitas a portagens.

“Este documento, além da unidade, é importante porque nitidamente esta região está enclausurada em vias de acesso deficitárias. Não fosse a tragédia humana que há, quase que diria que se podia aproveitar para um slogan turístico de um raide de aventura”, ironiza.

IP3 afasta Viseu do conhecimento e das decisões
“O IP3 é uma rodovia sem os requisitos mínimos de segurança e um limitador ao desenvolvimento do Centro, em particular dos distritos de Viseu e Coimbra”, referem os subscritores.

O presidente da Associação Empresarial de Lafões, Gil Ferraz, é também um dos promotores e recorda que o que está em discussão não é apenas uma estrada segura ou uma autoestrada. “É mais do que isso”, refere. Em causa, está a ligação ao conhecimento, à inovação e ao desenvolvimento.

O IP3 é, na sua opinião, uma estrada que afasta a região de Viseu de Coimbra, do conhecimento, e de Lisboa, centro de decisões. “Mais do que discutir uma obra, estamos a alertar para uma estratégia que até aqui não houve de desenvolvimento do Interior”, sublinha.

Para o presidente da Associação Empresarial de Lafões, é “urgente” existir obra física do IP3. “Todos nós conhecemos as limitações desta via para já não falar nas vítimas que tem havido fruto dos acidentes que acontecem quase todos os dias. Os empresários tem de estar na linha da frente pelo desenvolvimento de todos nós porque todos beneficiamos. É o território que ganha. Parabéns a região porque estamos a remar todos para o mesmo lado”, remata.

Estrada da morte
“O IP3 liga Viseu a Coimbra e foi concluído há 30 anos. É a via rodoviária mais perigosa em Portugal, sendo apelidada de “estrada da morte”. É indigna do Portugal moderno, inibidora da fixação de pessoas e da atividade económica. A memória de todos os que têm ali perdido a vida, leva-nos à obrigação cívica de tudo fazer para que, de uma vez por todas, quem de direito faça o que tem de ser feito – a requalificação completa e adequada do IP3. Assumimos esse compromisso e não pararemos enquanto isso não for uma realidade”, lê-se no texto que acompanha a petição.

Esta foi também a urgência deixada em sessão da Assembleia Municipal de Viseu, onde foi aprovada mais uma moção apresentada pela bancada do PSD e CDU e na qual, além das obras, foi pedida a divulgação da planificação das intervenções que o Governo anunciou já que iria fazer neste itinerário principal. 

Para os promotores da petição, a requalificação da estrada deve ser “muito urgente” e deve incluir “elementos indispensáveis à circulação” como duas faixas de rodagem em cada sentido, um separador central e iluminação e sinalização adequadas.

Testemunhos
“Numa estrada que têm tão elevado número de ambulâncias e transporte de doentes em circulação é um imperativo requalificar, não se percebe que existam autoestradas em paralelo e com localizações duvidosas e numa ligação como esta, onde mais se justifica, continuemos com o malfadado IP3”
Paulo C.

“Sou utente frequente do IP3. Cada viagem que realizo vivencio momentos de angustia, incerteza e medo que me subtraem horas de sono e interferem com a minha saúde. Temo pela minha vida e pela dos outros. É urgente intervir, melhorar e requalificar”
Filomena M.

“O IP3 é por mim utilizada no mínimo duas vezes por mês e já tive dois acidentes, destruindo por duas vezes o meu carro. Basta de adiar....é preciso resolver!”
Fernando F.

“O IP3 é um acesso essencial para esta zona do interior. A sua requalificação urge para combater a sua desertificação. Só quem viaja regularmente nesta estrada sabe os perigos que encerra e o que é circular na esperança de que não aconteça nada de mal durante a viagem”
Diana D.

“Para que todos os cidadãos que necessitam de circular pela IP3 por motivos vários possam vir a ter uma maior segurança é necessário a Requalificação Completa e Adequada do IP3 . já perdi familiares nessa trágica via pública”
Flávio P.

“É urgente acabar com vítimas no IP3. Há quase 3 autoestradas Lisboa-Porto e há um abandono deste IP, Porquê?”
Carlos G.

“É urgente a requalificação desta via de comunicação responsável por grande número de acidentes mortais. Para além de ser um desrespeito pelas gentes do interior do país ter um itinerário principal que para além de um traçado perigoso, não é alvo de manutenção o que ainda aumenta o seu grau de sinistralidade. Enquanto isso no litoral constroem-se duas auto-estradas paralelas, pois aí sim deve valer a pena investir para ajudar à desertificação do interior!!!”
Fernando P.

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