29 set
Viseu

Cultura

O espetáculo onde todas as pessoas são protagonistas

por Redação

07 de fevereiro de 2020, 13:00

Foto D.R./Estelle Valente

"Um Museu Vivo de Memórias Pequenas e Esquecidas" estreia este fim de semana no Teatro Viriato, em Viseu

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Ditadura do Estado Novo, Revolução do 25 de Abril e o Processo Revolucionário, são os momentos centrais da peça que sobe ao palco do Teatro Viriato.

Em 2014 estreava “Um Museu Vivo de Memórias Pequenas e Esquecidas”, no âmbito da comemoração dos 40 anos do 25 de Abril. Após seis anos, continua a comprovar-se a ressonância que tem sobre o público que, ainda hoje, pede para que o espetáculo se realize.

Esta é uma peça de duração: são cinco horas e há jantar pelo meio. “É um acontecimento e por isso não o fazemos muitas vezes”, começa por explicar Joana Craveiro. “É um espetáculo pensado como um acontecimento, em que o público vem e fica connosco durante essas horas a ouvir histórias de pessoas reais, anónimas, e outros factos históricos sobre a ditadura, a resistência à ditadura, a guerra colonial, o 25 de Abril e o processo revolucionário e também como ainda hoje comemoramos, nos lembramos ou transmitimos essa memória”, esclarece. Reflexivo e de uma enorme profundidade do ponto de vista dos testemunhos que têm vindo a ser recolhidos, é a melhor forma de descrever esta obra que está em cena.

Ao longo destes anos, o espetáculo tem estado sempre aberto a alguma novidade que surja e a pesquisa de Joana Craveiro tem continuado a ser feita, dando até origem a outros trabalhos. “Por isso chamamos um ‘museu vivo’, em permanente atualização. Muitas histórias continuam a vir ter connosco. As pessoas querem contar a sua história e que nós a registemos e ter a possibilidade de ver essa história em palco como uma algo importante. A ideia base do museu vivo é que todas as pessoas são protagonistas, não são só os políticos e os militares”, justifica a encenadora.

O momento de refeição

Uma das características dos espetáculos do Teatro do Vestido que os distingue é terem, na medida do possível, comida. Pode ser em forma de jantar, uma pequena ceia ou até partilhar uma garrafa de vinho.

No caso desta peça em específico, deve-se à sua longa duração. “Queríamos que o público estivesse disponível para estar connosco durante aquelas horas todas. Assim, tem de se criar condições para que as pessoas o possam fazer. Uma das condições é as pessoas serem alimentadas”, elucida Joana Craveiro. O jantar é um intervalo. Cronologicamente situa-se após o 25 de Abril. Quando o público volta, já estão em pleno processo revolucionário e desenrolam-se novos acontecimentos, o que, segundo a intérprete “dramaturgicamente faz sentido”.

A refeição é portuguesa. Caldo verde e bacalhau não podem faltar. “Em todos os sítios, até no estrangeiro, fazemos questão de manter esta ementa e é um convite a que as pessoas passem essas horas connosco, mas que não sintam por algum momento que estão a desperdiçar o seu tempo. Que se entreguem mesmo ao espetáculo. Criámos as condições, no nosso entender, que me permitem isso”, conta Joana Craveiro.

Em Viseu, o espetáculo “demorou muitos anos a acontecer” e a equipa sente que será “um momento irrepetível”. Hoje, “Um Museu Vivo de Memórias Pequenas e Esquecidas” sobe ao palco do Teatro Viriato pelas 19h00 e amanhã (sábado) às 17h30.

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