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Viseu

Desporto

Uma obrigação que resultou em sucesso

por Redação

14 de fevereiro de 2020, 11:00

Foto Arquivo Jornal do Centro

Treinador do Viseu 2001 fala da sua carreira, numa entrevista ao Jornal do Centro

CLIPS ÁUDIO

Paulo Fernandes é treinador do Viseu 2001, equipa pela qual acabou de renovar. Já passou por clubes como o Benfica ou o Sporting. Ao serviço destas duas equipas foi cinco vezes campeão nacional, venceu por três ocasiões a Taça de Portugal e ainda três Supertaças de futsal. Já no Viseu 2001, clube que representa atualmente, conseguiu o título de campeão da Segunda Divisão nacional e elevou Viseu ao ponto mais alto do panorama do futsal português. Numa conversa com o Jornal do Centro, O treinador revela algumas histórias que viveu ao longo da sua carreira.

O Paulo já treina há cerca de 30 anos. Na altura começou no Grupo Desportivo Bons Dias. Como recorda esses tempos?

Tempos fantásticos. Comecei por ser atleta do clube e quando era sénior, o meu treinador, na altura, quase que me obrigou. Eu era capitão e havia o sub-capitão ele pegou nos dois e disse: "um de vocês vai ter que ser o treinador dos nossos iniciados". Eu disse logo que não, tinha a minha vida, na altura até namorava e trabalhava, e pus logo de parte a ideia. O outro rapaz era casado e também disse que não. Então as baterias recaíram todas em cima de mim. Obrigaram-me, é a palavra certa, porque me disseram que tinha dois caminhos: ou jogava e treinava ou então nem jogava nem treinava. Lembro-me perfeitamente desse dia, nem me despedi dos meus colegas, como era normal e fui direto a casa. No dia seguinte, quando fui treinar, o treinador perguntou-me qual era a minha opção e eu como adorava jogar disse que ia fazer o treino, que ia lá experimentar. Foi assim que começou a minha carreira como treinador.

E como é que foi o seu passado enquanto jogador?

Naquela altura era o futebol. Fiz a minha carreira sempre numa mais de brincadeira e ainda fui treinar ao Sporting. Estive lá dois anos nas camadas jovens. Mais tarde acabei por ingressar nos clubes lá da zona de Odivelas. É aí que depois aparece o Bons Dias, onde comecei logo como sénior. Não tem nada a ver com esta realidade de hoje. Na altura, era um misto de futebol de salão com futebol de cinco. Federado comecei, então, no futebol de cinco no Bons Dias. Felizmente, hoje os atletas não conhecem essa realidade, que era treinar à chuva num ringue... eram outros tempos. Até que surgiu a oportunidade de começar a treinar.

Teve passagem pelo Sporting e pelo Benfica, clubes onde amealhou alguns títulos. Considera esse período o auge da carreira enquanto treinador?

É como tudo na vida, são fases. Estive 18 anos no Sporting, com muito orgulho. Antes de ser treinador, já tinha treinado com o Orlando Duarte como adjunto. Depois com a passagem do Orlando Duarte para a Seleção Nacional acaba por ingressar no Sporting outro grande treinador, o Beto Aranha, e eu sempre como treinador adjunto. Entretanto, o Beto Aranha teve um grave problema familiar e a sua estabilidade emocional em Portugal nunca foi aquela que era essencial para aquilo que o Sporting queria na altura. A sua saída deu-se a meio da época em 2002 e foi quando a direção me fez o convite. Percebi, na altura, que era de forma interina.

Depois de Portugal, esteve duas épocas no Qatar e regressou a Portugal, onde abraçou de imediato o projeto do Viseu 2001. São quatro épocas ao serviço deste clube. Já se pode falar em memórias?

Foi muito engraçado o meu regresso a Portugal e vim diretamente para o Viseu. Eu estava no Qatar e tinha um contrato só para fazer a Liga dos Campeões Asiática, mas depois houve a possibilidade de continuar nesse clube na época a seguir. Entretanto, houve uns problemas com a incerteza da minha continuidade, até porque na altura o treinador que lá estava acabou por resolver a sua situação. Eu falei com a minha família e disse-lhes que não queria lá ficar e que queria regressar. Nesse mesmo dia recebo um contacto do Viseu 2001 de uma forma algo tímida. Eu pedi que me fizessem uma proposta, que depois decidia. Passados 10 minutos recebi a proposta por WhatsApp. Li, analisei e fiz uma contraproposta. A primeira vez que eu entro no Viseu foi, exatamente, no dia da apresentação. O plantel já estava formado, não tinha a mínima noção de quem eram os atletas. Cheguei, apresentei-me, falei com os eles, disse-lhes o que é que pretendia e começámos a trabalhar.

Faz agora dois anos que Portugal foi campeão europeu de futsal. Como treinador, como viveu esse momento?

Na final estava em viagem para Lisboa e ia de autocarro. No banco da frente ia um senhor a ver o jogo e então damos por nós, de uma forma natural, no meu banco e no banco ao lado, tudo a ver a partida. Foi uma alegria enorme.

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