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Edição impressa: roubados sinais que indicavam corte de estrada em Vouzela

por Redação

10 de janeiro de 2020, 18:59

Foto Arquivo Jornal do Centro

CLIPS ÁUDIO

A sinalização que foi colocada para alertar os automobilistas para o fecho da Estrada Nacional (EN) 228 em Vouzela foi roubada em plena tempestade. Os meliantes fizeram-se valer da máxima “a ocasião faz o ladrão” para furtar os sinais de trânsito, na maioria em metal, que foram colocados pela Câmara Municipal para indicar o fecho da via na sequência de duas derrocadas, que abriram autênticas crateras no pavimento.

O trânsito está interrompido na EN 228 desde o dia 19 de dezembro, na sequência da depressão Elsa. Para salvaguardar a segurança das pessoas, a Câmara de Vouzela substituiu-se mais uma vez ao Estado, o dono da estrada, e colocou na via a sinalização que “tinha à mão” e que acabou roubada.

O presidente do município já solicitou ao Governo que instalasse no local os devidos sinais de trânsito. “No mínimo o que se exige é que coloquem lá estruturas que não permitam a violação e a passagem. Já houve pessoas que desviaram a sinalização e avançaram só que a autoridade, e bem, castigou essas pessoas que não respeitam a sinalização porque esta é uma questão de segurança”, afirma Rui Ladeira. O autarca acredita que os trabalhos de reparação da EN 228 vão durar mais de um ano e que a reparação vai custar milhares de euros.

“Já desistiram destes territórios”

Para alertar para os problemas que a interrupção da via está a causar ao concelho, mas também para os outros estragos causados pelo temporal, que semeou um rasto de destruição em toda a região, o edil já escreveu cartas a vários governantes, mas não recebeu qualquer resposta dos gabinetes ministeriais. Rui Ladeira lamenta que depois do que aconteceu ninguém do Governo tenha passado pelo concelho que dirige, ao contrário do que aconteceu na região do Mondego, questionando se os titulares de cargos governamentais “já desistiram destes territórios” e se Vouzela faz “parte do mesmo país”.

“Para quem sofreu com os incêndios, quem tem estes problemas todos depois dos incêndios e acontece esta calamidade na região e até hoje ainda não veio ninguém? Acho que só vem um governante ao terreno quando acompanha o Presidente da República, porque de resto não vejo nenhum”, critica, apelando em particular aos ministérios do Ambiente e Agricultura para se deslocarem às zonas afetadas “para perceberem os problemas que existem” porque só assim é que os conseguirão identificar.

Milhares de euros em prejuízos

Sem ajudas do Estado, é a Câmara Municipal que mais uma vez se dispõe a ajudar quem sofreu perdas, dentro daquela que é a sua “capacidade de resposta”. A autarquia tem já técnicos dispostos a ajudar, sobretudo os agricultores, a fazer o levantamento dos prejuízos.

As perdas ao nível das infraestruturas municipais, como estradas, caminhos, pontes, zonas de lazer, redes de saneamento, cifram-se já “em alguns milhares de euros”, um valor que de acordo com Rui Ladeira espelha bem “aquele que é o problema e a gravidade da situação”.

“Estamos a falar de dezenas de moinhos que desapareceram nos rios, muros de suporte de contenção em particular nos rios Zela e Alfusqueirro, calçadas que foram arrastadas pelas enxurradas, um muro no Monte da Senhora do Castelo, pontes e pontões no Porto Várzea, nos rios Couto, Alfusqueiro”, aponta o autarca, acrescentando que na agricultura também se registaram prejuízos avultados.

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