Autor

Paulo Rebelo

15 de 06 de 2024, 17:57

Colunistas

Cancro do Rim: um tumor silencioso de que importa falar

O aparecimento de novos casos é maior nos países ocidentais. Há um predomino no sexo masculino (1,5 homens para cada mulher) com um pico de incidência na sexta década de vida.

A propósito do Dia Mundial do Cancro do Rim, que se assinala a 20 de junho, importa sensibilizar a população para esta patologia, desde os sintomas ao diagnóstico e tratamento.
O cancro do rim representa cerca de 3% de todos os tumores, sendo o mais frequente o carcinoma de células renais com quase 90% dos casos.
O aparecimento de novos casos é maior nos países ocidentais. Há um predomino no sexo masculino (1,5 homens para cada mulher) com um pico de incidência na sexta década de vida.
Existem vários fatores de risco conhecidos, como por exemplo: o tabaco (cerca de 50% dos casos são ou foram fumadores), a obesidade, a hipertensão arterial e a existência de familiares diretos com carcinoma de células renais. Há medidas de proteção conhecidas que incluem a cessação tabágica e a diminuição de peso em casos de obesidade.
Em 3% a 5% dos casos, o tumor renal é transmitido de forma familiar através de genes que passam de pais para filhos, surge em idades mais precoces (quarta e quinta décadas de vida) e pode afetar os dois rins ou ter vários focos dentro do mesmo rim.
Em estadios iniciais estes tumores não apresentam sintomas e, por isso, atualmente, a maioria dos tumores do rim são diagnosticados aquando a realização de exames de imagem - como a ecografia renal ou a TAC - para investigação de queixas não relacionadas propriamente com esse tumor.
Em estadios mais avançados podem aparecer sintomas como a dor lombar, sangue na urina e massa abdominal palpável ou visível. Por vezes, podem, ainda, existir sintomas relacionados com substâncias produzidas pelo tumor (conhecidos como síndromes paraneoplásicos), como por exemplo febre, anemia ou alterações das análises da função do fígado.
O diagnóstico é feito habitualmente por TAC com contraste ou ressonância magnética nuclear. Estes exames geralmente permitem visualizar um nódulo renal suspeito de malignidade. Por vezes, pode ser difícil de avaliar se o nódulo visualizado é maligno ou benigno. Nestes casos pode ser necessário realizar uma biópsia ou proceder à sua remoção cirúrgica.
Dependendo das dimensões do tumor, da sua localização e da função renal, opta-se pela remoção apenas do tumor ou pela remoção de todo o rim. Em casos de doentes com idades mais avançadas e tumores pequenos, ou doentes com tumores múltiplos ou com rim único, pode optar-se por um tratamento minimamente invasivo, que implica a colocação de agulhas no interior do tumor e a utilização de crioterapia ou de termoterapia para fazer a ablação das células malignas.
Quando a doença se encontra disseminada, a cirurgia poderá ser curativa no caso de se conseguirem remover todos os implantes do tumor. Contudo, em casos selecionados opta-se por realizar cirurgia paliativa porque, embora não seja curativa, parece ter impacto na resposta à terapêutica seguinte e na sobrevida.
Estes tumores não respondem à quimioterapia, pelo que, nos casos de doença avançada, o tratamento passa pela realização de imunoterapia ou de fármacos inibidores da angiogénese.?A radioterapia pode ter algum papel no caso de doença óssea ou cerebral. Contudo, cada caso é único e o médico irá indicar qual o melhor tratamento para cada situação. Em caso de dúvidas, aconselhe-se com o seu médico.


Paulo Rebelo, Coordenador de Urologia no Hospital CUF Viseu