Autor

Sónia Barbosa

22 de 03 de 2024, 15:50

Colunistas

Jornalismo de proximidade

Esta postura onde compromisso se cruza com padrões de excelência, inovação se cruza com proximidade, abertura se cruza com exigência, é para mim a melhor postura possível nos tempos que correm

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O Jornal do Centro (JC) encaixa-se na categoria de imprensa local no interior do país, ligando-se ao chamado “jornalismo de proximidade”. A contextualização é importante para percebermos qual o universo em que nos movemos, e ao mesmo tempo, ganharmos consciência da amplitude da visão a que nos propomos. Para mim, enquanto artista e responsável por uma estrutura de criação artística em Viseu – a Ritual de Domingo, que dirijo em conjunto com Cristóvão Cunha – a tensão entre estas duas realidades – a realidade do “local” e “interior”, e a realidade da nossa visão artística e ambições – mantêm-nos em contínua agitação interior e actualização. Como imagino que deve acontecer com o JC. Questões como: “como continuar próximo do nosso público sem perder uma visão abrangente?”; ou “como resistir às influências e constrangimentos que esta proximidade com as estruturas envolventes pode implicar?”; ou ainda “como atrair profissionais de alta qualidade para fazer um trabalho de alta qualidade, em circunstâncias que não têm essa visibilidade nacional?”; fazem parte do nosso quotidiano na Ritual de Domingo, como, imagino, também façam parte do quotidiano do JC.
Ao ler-se no Estatuto Editorial do JC frases como “informa com rigor e verdade”, “acompanha as últimas tendências editoriais e mudanças tecnológicas, para melhor servir os seus leitores”, “projeto profissional, em que a redação pauta a sua prática pelo Código Deontológico dos Jornalistas”, e “aberta à participação de toda a comunidade”, percebe-se a dimensão das suas ambições e ao mesmo tempo o compromisso com o seu contexto.
Esta postura onde compromisso se cruza com padrões de excelência, inovação se cruza com proximidade, abertura se cruza com exigência, é para mim a melhor postura possível nos tempos que correm, onde tudo nos procura empurrar para os extremos e para a superficialidade do momentâneo. O retorno do JC à versão impressa, após 3 anos de experiencia no formato exclusivamente digital é, para mim, um desses sinais da procura desse compromisso – o melhor possível nas circunstâncias presentes, com a consciência de que as circunstâncias podem mudar. E é inspiradora esta postura, é corajosa, é digna de ser congratulada. Parabéns, Jornal do Centro!