Autor

Vitor Santos

03 de 09 de 2021, 17:59

Colunistas

O Fair-Play é um conceito positivo

A falta de cultura desportiva e de Fair-Play dos adeptos não só realça as questões de violência e racismo no desporto, mas também tem impacto na sociedade

Fair-Play significa muito mais do que o simples respeitar das regras. Cobre as noções de amizade, de respeito pelo outro e de espírito desportivo, um modo de pensar e não simplesmente um comportamento. O conceito de Fair-Play, numa tradução para o português, significa jogo limpo, sendo muitas vezes entendido também como Desportivismo e Espírito Desportivo.

O conceito abrange a problemática da luta contra a batota, a arte de usar a astúcia dentro do respeito das regras, o doping, a violência (tanto física como verbal), a desigualdade de oportunidades, a comercialização excessiva e a corrupção. Compreende e incorpora também uma série de valores fundamentais que não são apenas do desporto, mas da nossa vida quotidiana. Competição justa, respeito, amizade, espírito de equipa, igualdade, respeito pelas regras escritas e não escritas, integridade, solidariedade, tolerância, etc.

Na sequência da parceria conjunta entre o Panathlon Internacional e as Organizações Mundiais e Europeias de Fair-Play (CIFP e EFPM) e por iniciativa do Panathlon Club de Wallonie (Bruxelas), comemora-se no dia 7 de setembro o Dia Mundial do Fair-Play.
“O Fair-Play é o princípio fundamental que inspira o comportamento do homem honesto no desporto e em todas as circunstâncias da vida. O Dia Mundial do Fair-Play deve ser uma oportunidade para destacá-lo”, salientou Pierre Zappelli, presidente do Panathlon Internacional.

Muitas vezes temos a sensação de que os agentes desportivos demonstram Fair-Play. Na prática não passa, na sua grande maioria, disso mesmo: sensação. Não sabem lidar com as emoções e gerir as expetativas. Refugiam-se em “mau perder” perante a sua incapacidade de lidar com a competição desportiva.
Na verdade, o futebol português é rico em estratégias que evidenciam a falta de FairPlay, quer na perda de tempo no jogo, quer fingindo faltas e "mergulhos", quer fazendo ruído comunicativo e promovendo a batota ao tentar enganar o árbitro. Os principais clubes não incentivam os seus adeptos a respeitarem os valores do jogo. Muito pelo contrário. O mérito nunca é reconhecido.

Estes comportamentos repercutem-se nos jovens jogadores de futebol, que replicam as mesmas estratégias antiéticas. Quando se consegue ludibriar o árbitro, comemora-se quase como se de um golo se tratasse. Não podem os treinadores e dirigentes permitir este tipo de conduta aos atletas. Amanhã, quando formos nós a perder por uma situação idêntica, não vamos gostar e vamos sentir que o nosso trabalho – duro, mas de qualidade –, foi defraudado por uma simulação!

A falta de cultura desportiva e de Fair-Play dos adeptos não só realça as questões de violência e racismo no desporto, mas também tem impacto na sociedade. O futebol deve promover os valores intrínsecos ao desporto, tornando-se um fator de mudança positiva. Para isso, é necessário que a classe política e os dirigentes desportivos entendam que o desporto é uma atividade sociocultural que enriquece a sociedade e a amizade entre as nações, contanto que seja praticado legalmente.

O desporto é também considerado como uma atividade que, se for exercida com lealdade, permite ao indivíduo conhecer-se melhor, exprimir-se, realizarse, desenvolverse plenamente, adquirir uma arte e demonstrar as suas capacidades. O desporto permite uma interação social, é fonte de prazer e proporciona bem-estar e saúde. O desporto, com o seu vasto leque de clubes e voluntários, oferece a ocasião para o indivíduo se envolver e assumir responsabilidades na sociedade. Além disso, o envolvimento responsável em certas atividades pode contribuir para o desenvolvimento da sensibilidade para com o meioambiente.

Votos de uma excelente época desportiva 2021/2022 com Fair-Play.