Group of nurses and caregivers pose with an elderly woman in a wheelchair in front of pink '100' balloons and gold streamer backdrop, celebrating a milestone.
Crowd enjoying an outdoor concert at night with a bright, illuminated stage and smoky beams in the air
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Line of motorcycles parked in front of a historic municipal building, with riders in white shirts standing beside them on a cobblestone plaza.
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Pessoas e partidos

 Esse pouco, esse tanto
11.03.23
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As pessoas têm opiniões, os partidos não. Esta afirmação é contra-intuitiva, mas descreve exactamente o que se passa na política.
Comparemos os dois últimos ministros da saúde:
— Marta Temido foi uma ministra ideológica (gastou muita energia nas abstracções de uma nova Lei de Bases da Saúde, mas nenhuma a diminuir as listas de espera ou o caos nas urgências), cristalizou-se à esquerda (foi uma espécie de trigémea das manas Mortágua, até acabou com as PPP nos hospitais de Braga, Vila Franca de Xira e Loures que funcionavam bem), foi centralista (transformou as administrações dos hospitais em meros verbos de encher) e hostilizou os operadores de saúde não-públicos (enquanto a classe média, assustada, ia contratando seguros de saúde);
— já Manuel Pizarro está a mostrar-se pragmático e sem palas ideológicas, entende a saúde como um “sistema” complexo e não como um “serviço” burocrático comandável a partir de Lisboa, não se esconde nem esconde os problemas.
Como se vê, Marta e Manuel são do mesmo partido, do mesmo governo com o mesmo primeiro-ministro, mas com políticas de saúde completamente diferentes.
Lá está: as pessoas têm opiniões, os partidos não.

Karl Popper explicou isto muito bem numa conferência que deu em Lisboa, em 1992, a convite de Mário Soares: “Se as opiniões dos homens merecem sempre o maior respeito, os partidos políticos, enquanto instrumentos típicos de promoção pessoal e de poder, com todas as possibilidades de intriga que isso implica, não podem de forma alguma ser identificados com opiniões.”
As pessoas importam. As pessoas é que importam. Esta evidência devia ter consequências na nossa forma de votar. Devíamos poder escolher e poder rejeitar nomes das listas que os partidos põem a votos. Se nos fosse dado esse poder, os eleitos tinham de nos prestar contas a nós e não ao chefe que os põe nas listas.
Quando os viseenses puderem escolher os seus eleitos, estes vão ter que lhes prestar contas primeiro e só depois ao seu maioral de Lisboa. Se esta personalização do voto alguma vez acontecer, talvez então valha a pena os viseenses saberem os nomes dos “seus” oito deputados.

 Esse pouco, esse tanto

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