Two men sit at a polished wooden conference table in a historic room; one in a suit and the other in a uniform, with a large colorful presentation screen to the left.
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Line of motorcycles parked in front of a historic municipal building, with riders in white shirts standing beside them on a cobblestone plaza.
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Já não chega só fazer teatro

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 Chuva, trovoada e muitas nuvens esta semana em Viseu
29.09.21
fotografia: Jornal do Centro
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 Chuva, trovoada e muitas nuvens esta semana em Viseu
29.09.21
Fotografia: Jornal do Centro
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 Já não chega só fazer teatro

Na passada sexta-feira recebemos Paisagens para não colorir, do grupo La-Resentida com encenação de Marco Layera, a partir das histórias e entrevistas realizadas a 170 adolescentes vítimas de violência nas ruas do Chile. No palco, nove adolescentes entravam em cena. E, o espetáculo começava assim:
“Temos entre 14 e 17 anos. Somos nove e entre todas há: Uma que dorme com um peluche. Seis que não acreditam em Deus. Cinco que já pensaram em suicidar-se. Uma que nunca deu um beijo. Três que já tiveram relações sexuais. Uma que viu o pai cuspir na mãe. Duas que foram ameaçadas de morte no thiscrush.com. Uma que abortou com misotrol. Sete que foram vítimas de bullying. Nove que marcharam no 8 de março. Cinco que foram agredidas fisicamente pelos pais. Nove que sofreram de assédio na rua. Nove que foram chamadas de puta. Nove que querem deixar de ser invisíveis. Nove que precisam urgentemente de ser ouvidas.”
“A realidade é excessiva”. E, contra ou a favor da realidade, “já não chega só fazer teatro”, afirma o encenador desta peça. Se fazemos uma peça sobre uma comunidade que não vem ao teatro, fazemos esta peça para quem? E, para quê?
A pergunta ecoou por toda a sala durante todo o espetáculo. A pergunta fazia ricochete e cada espectador se perguntou, certamente? Porque vimos ao teatro, porque estamos sentados a ver este espetáculo? Para que serve estarmos a ver este espetáculo e o que vamos fazer depois de o ter visto? Não chega só ver teatro e reconhecer em cada cena algo que já presenciámos, que sabemos que existe, que sabemos que se perpetua, que, quem sabe, também perpetuamos ou justificamos.
A certa altura em cena um técnico da companhia faz de Pai e lê um jornal enquanto a filha grita: Papá, ouve-me! Papá ouve-me! Papá ouve-me! Cada vez mais alto.
Não há resposta.
Do outro lado, na plateia, nós, que já fomos todas filhas, algumas são mães, a grande maioria nesta sala adultas, todas nós já nos vimos em situações semelhantes. A de não sermos ouvidas, mas também a de não ouvirmos. E, já não chega termos voz. Já não chega termos consciência dos nossos erros. Já não chega fazermos teatro, irmos ao teatro. Mas é sem dúvida um princípio fundamental. O começo de uma viagem através de um encontro, através de uma partilha para que todas e todos, juntos, lutemos por um lugar mais igualitário, mais livre, mais democrático, mais empático, mais justo. Assim o fizemos na passada sexta-feira, numa sala quase esgotada. A ovação de pé que se ouviu soou a pacto. Ninguém se vai calar, até que o último lugar na Terra seja o melhor lugar.

Patrícia Portela, diretora artística do Teatro Viriato

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