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25 de 01 de 2023, 15:02

Diário

Atendimentos a vítimas de violência doméstica com aumento ligeiro na região

Gabinete de Informação e Estabilização da Vítima localizado no Tribunal de Viseu está a ter mais procura neste arranque de 2023

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Fotógrafo: Arquivo Jornal do Centro

O ano passado procuraram ajuda nas várias respostas sociais da Casa do Povo de Abraveses, em Viseu, perto de 300 vítimas de violência doméstica. Os centros de acolhimento destas pessoas receberam 150 vítimas, entre elas algumas crianças. Os números revelam “um ligeiro acréscimo” face a 2021, adiantou ao Jornal do Centro Carla Andrade, técnica da Casa do Povo de Abraveses.

“Nas diversas respostas sociais da Casa do Povo de Abraveses, no Núcleo de Atendimento às Vítimas de Violência Doméstica, existente no cento e no norte distrito, no Gabinete de Informação e Estabilização da Vítima no Tribunal de Viseu e na Resposta de Apoio Psicológico para Crianças em Contexto de Violência Doméstica atendemos cerca de 300 pessoas. No ano anterior teriam sido 220, 240”, adiantou.

Já no Centro de Acolhimento e Emergência foram acolhidas 130 vítimas, na maioria oriundas do distrito de Viseu (40% são do resto do país). Entre estas 130 pessoas, 57 eram crianças e as restantes mulheres. Já a Casa Abrigo para Mulheres Vítimas de Violência Doméstica com Doença Mental, recebeu 20 pessoas, cinco das quais menores de idade. Estes números revelam “um ligeiro acréscimo”, acrescenta Carla Andrade.

Na sua grande maioria, mais de 90%, as vítimas que procuraram o Núcleo de Atendimento às Vítimas de Violência Doméstica são do sexo feminino. Há ainda casos de homens a pedir ajuda e que eram agredidos por outros elementos do sexo masculino. As situações em que as mulheres são agressoras são residuais.

O núcleo é contactado por pessoas de todo o distrito. Na zona norte, em concelhos como Moimenta da Beira, São João da Pesqueira, Tabuaço, Armamar, Lamego, Penedono e Sernancelhe, há uma técnica que vai aos centros de saúde locais falar com as vítimas, sinalizadas pelos serviços de saúde e autoridades. O ano passado essa profissional atendeu 60 pessoas.

As vítimas de violência doméstica, a procurar ajuda, têm, sobretudo, idades compreendidas entre os 30 e os 50 anos. “Há um dado que é bastante preocupante que é o facto de haver pessoas, em grande número, com mais de 65 anos, que são vítimas de violência doméstica. São pessoas com mais de 65, 70 e 80 anos que são vítimas do cônjuge ou até dos próprios filhos e cuidadores. São pessoas que pela idade e saúde apresentam maior vulnerabilidade”, afirma Carla Andrade.

A responsável destaca este ano, o “aumento bastante significativo” dos atendimentos no Gabinete de Informação e Estabilização da Vítima localizado no Tribunal de Viseu e antecipa novo crescimento nos restantes meses de 2023.

“Estamos a perspetivar que haja um aumento bastante significativo porque atualmente os magistrados reconhecem a importância do acompanhamento e o apoio que disponibilizamos às vítimas, nomeadamente na estabilização e preparação para declarações para memória futura e suporte psicossocial. Este mês de janeiro já estamos com um aumento muito significativo em comparação com o ano anterior. Já atendemos 22 pessoas”, revela, salientando que o ano passado “não houve tantos encaminhamentos”.