Geral

20 de 09 de 2021, 16:44

Autárquicas'21

Caça ao voto é "surda e muda", dizem os comerciantes de Viseu

Em tempo de campanha eleitoral, poucas foram as propostas que os lojistas de Viseu ouviram dos partidos candidatos à Câmara para o comércio local. Apenas lhes chegam folhetos e canetas das candidaturas

Cartazes da campanha para as autárquicas 2021

Fotógrafo: Igor Ferreira

Uns passam e deixam folhetos ou canetas, outros “passam e andam”. Quem o diz é uma das comerciantes da Rua Formosa, em Viseu, quando lhe perguntámos pela passagem das caravanas dos partidos candidatos às eleições autárquicas deste ano. Em campanha desde a passada terça-feira (14 de setembro), as oito candidaturas à Câmara de Viseu já percorreram algumas das ruas e freguesias da cidade. Durante a manhã desta segunda-feira, o Jornal do Centro fez parte do trajeto para ouvir o feedback dos lojistas de Viseu e perceber os ‘resultados’ de uma semana de campanha eleitoral.

Perto do Largo de Santa Cristina, conhecemos pequena loja de artigos para casa, e não só. A lojista que, preferiu manter-se em anonimato, com um sorriso aconchegante e não hesitou quando lhe perguntámos se o movimento da campanha já se fazia sentir: “é uma campanha surda e muda, aqui só ainda passaram aqui três caravanas e passam mudos, andam calados, lá dão uma caneta, perguntam como é que vai o comércio e de perguntas zerinho”. Falou-nos ainda de uma rua movimentada pelos partidos com “as caravanas todas muito bonitinhas e enfeitadas, mas de resto nada. Só levei uma caneta, mais nada”, disse, entre gargalhadas.

Já na Rua Direita, entrámos numa ourivesaria que já viu pelo menos três partidos a passar. Conhecemos uma lojista que, também preferiu não se identificar, não acompanha a corrida às autárquicas de perto. Ainda assim, apercebeu-se da passagem “dos partidos mais conhecidos”, apesar de não ter ouvido nenhuma promessa ou proposta para o comércio local. Segundo a comerciante, “eles não falaram muito, entregaram os folhetos e não houve muita conversa até porque uma pessoa está a trabalhar e não é o momento para isso”.

Na Rua Alexandre Lobo, as respostas repetem-se. Poucas palavras e folhetos ‘a mais’. Ao Jornal do Centro, o proprietário de uma loja de vestuário disse que “passaram aqui quase todos, sabe como é, só aparecem nesta altura com folhetos e bandeiras. Olhe que para a semana, já estão todos em casa”, lançou, sem esquecer que, a seu ver, “não há dinheiros que cheguem ao comércio pequeno, isso aí é para esquecer”. No entender do lojista, há “folhetos a mais, trabalho a menos” e até “podem dizer que ouvem as queixas deste e daquele, mas só fica por aí”, suspirou.

E em direção à Avenida Alberto Sampaio, parámos numa das pastelarias da cidade para perceber que caravanas por ali passaram. Em instantes, uma das colaboradoras disse que não ouviu novas propostas, nem motivos para votar "em x partido". Segundo a mesma, “nem uma caneta deram, nada mesmo e nós que precisamos sempre de canetas. Só passaram, de resto mais nada”, disse, entre sorrisos.

Caminhávamos ainda pela mesma rua quando páramos num pequeno minimercado. A proprietária andava na azáfama típica das segundas-feiras, quando parou para nos receber. Disse-nos o mesmo que os outros comerciantes: “passaram por aqui os principais partidos, PS, PSD e outros… Entregaram alguns folhetos e foram embora até porque eu estava aqui sozinha e tinha que fazer”.

À presidência da Câmara Municipal de Viseu concorrem nestas eleições Nuno Correia da Silva (CDS), Diogo Chiquelho (PAN), João Azevedo (PS), Fernando Ruas (PSD), Francisco Almeida (CDU), Manuela Antunes (BE), Fernando Figueiredo (IL) e Pedro Calheiros (Chega).

O município é liderado por Conceição Azevedo (PSD), que assumiu a presidência em abril de 2021, após a morte, devido a complicações de saúde provocadas pela covid-19, de António Almeida Henriques, que liderava a Câmara desde 2013, tendo, em 2017, conquistado 51,74% dos votos (seis mandatos), e o PS 26,46% (três mandatos).