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13 de 10 de 2021, 11:36

Lifestyle

Efeitos da pandemia na saúde mental dos jovens

Claro nem todos são afetados da mesma forma. Os riscos serão maiores em função da idade, género, ocupação, estatuto socioeconómico, da personalidade ou recursos disponíveis

pandemia jovens

A pandemia de Covid-19, que obrigou ao confinamento e a um grande número de restrições,
está a ter um impacto significativo no estado de saúde mental dos jovens.

Os problemas de saúde mental na adolescência são frequentes, podem afetar gravemente o
desenvolvimento e a autonomia do futuro adulto, e a maior parte tende a desenvolver uma
evolução crónica, com reflexões negativas e graves a nível familiar, educativo e social. A saúde
mental dos jovens está profundamente ligada à organização familiar, mas por outro lado os
jovens permanecem grande parte do seu tempo na escola.

O contexto pandémico atual em que nos encontramos, desencadeou uma crise mundial com
impacto na vida de milhões de pessoas, provocado não apenas pela doença, mas pelos
empregos perdidos, pela influencia no orçamento das famílias, pelos lutos adiados, pelo
aumento das desigualdades e, sobretudo, pela incerteza do futuro. Para além desta crise da
saúde, social e económica, assistimos a uma outra, a da saúde psicológica, com dimensões e
efeitos ainda imprevisíveis e desconhecidos.

Claro nem todos são afetados da mesma forma. Os riscos serão maiores em função da idade,
género, ocupação, estatuto socioeconómico, da personalidade ou recursos disponíveis. No
entanto, os estudos indicam que aqueles com menos de 30 anos são um dos principais grupos
de risco para o desenvolvimento de problemas de saúde psicológica (para além dos profissionais
de saúde, idosos e populações vulneráveis), entre eles, ansiedade, depressão, alterações de
humor, exaustão emocional, perturbações de sono ou aumento do comportamento suicidário,
este entendido num espectro de autoagressão que envolve ideação suicida, ameaças, tentativas
e atos suicidas.

A liberdade limitada, a interrupção da interação com colegas e amigos e a supressão de
momentos de lazer podem aumentar os sentimentos de solidão, tristeza, preocupação e
desesperança. Paralelamente, a diminuição da atividade física, a nova realidade do ensino online
e o aumento da exposição a ecrãs, a conteúdos relacionados com comportamentos auto lesivos
e suicidas e ao risco de cibervitimização são uma agravante, prejudicando a concentração, o
sono, o desempenho académico e a capacidade de julgamento. Estes fatores podem convergir
num cocktail explosivo, especialmente para os que já sofrem de problemas de saúde psicológica.

Num estudo recente divulgado pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), cerca
de 40% dos entrevistados relata sintomas de problemas de saúde psicológica, em particular de
ansiedade, depressão ou trauma, bem como aumento de uso de substâncias – fatores de risco
que podem desencadear o comportamento suicidário. Vinte por cento das crianças e
adolescentes têm, pelo menos, uma perturbação mental. Em Portugal, quase 31% dos jovens
têm sintomas depressivos, a maioria moderados ou graves. Os psicólogos dizem que estes
números são preocupantes. Os sinais de alerta nem sempre são fáceis de identificar nas crianças.
Os pais e a comunidade escolar devem estar atentos.

As instituições de ensino, através do gabinete de Psicologia têm um papel importante na
normalização da questão, na diminuição do estigma e na promoção da literacia em saúde
psicológica entre estudantes, corpo docente e restantes profissionais. As escolas devem adotar
uma cultura que promova a partilha das dificuldades relacionadas com a pandemia e com a
saúde psicológica, adaptar e reforçar os seus serviços de apoio social e psicológico às atuais
circunstâncias (por exemplo, criando grupos de apoio online, promovendo campanhas de
sensibilização, bem como informação sobre serviços, redes e associações de apoio) e criar
estratégias de identificação de sinais de alerta que nem sempre são evidentes (historial familiar
de suicídio, irritação ou agitação excessiva, tristeza e baixa auto-estima, interesse por conteúdos
virtuais relacionados com comportamento suicidário, uso de substâncias, sentimentos de
inadequação, desinteresse pela vida académica e pelos amigos, etc.).

Os Pais e cuidadores devem também manter-se atentos a estes sinais de isolamento, depressão
ou irritação excessiva, adotando comportamentos que possam minorar o sofrimento entre os
mais jovens, promovendo mais o diálogo no seio familiar, evitamento de mensagens alarmistas
sobre a situação (por exemplo, stress gerado por dificuldades financeiras, atualização constante
de notícias), optando por um diálogo franco e operativo, orientado para a solução das
dificuldades e problemas concretos. A procura de ajuda não deve ser dispensada, quer através
das linhas de apoio disponíveis, quer consultando um psicólogo.
Como poderemos apoiar os jovens neste contexto?

Todas estas linhas são de duplo anonimato, garantido tanto a quem liga como a quem atende.
Para encaminhamento, a linha do SNS24 (808 24 24 24) é assumida por profissionais de saúde.
Linhas de Apoio e de Prevenção do Suicídio em Portugal

SOS Voz Amiga
Lisboa
Das 16h às 24h
213 544 545 - 912 802 669 - 963 524 660
Linha Verde gratuita - 800 209 899 (Entre as 21h e as 24h)
Conversa Amiga
Inatel
Das 15h às 22h
808 237 327
210 027 159

Vozes Amigas de Esperança de Portugal
Voades-Portugal
Das 16h às 22h
222 030 707

Telefone da Amizade
Porto - Desde 1982
Das 16h às 23h
222 080 707

Voz de Apoio
Porto
Das 21h às 24h
225 506 070


Paula Cristina Oliveira Silva
Enfermeira Especialista de saúde Materna
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