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Carregal do Sal: avançam obras na Casa do Passal. Candidatura foi aprovada

por Redação

08 de março de 2021, 19:14

Foto Arquivo Jornal do Centro

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A Câmara de Carregal do Sal viu aprovada a candidatura para o financiamento da requalificação e musealização da Casa do Passal, a antiga casa do ex-cônsul Aristides de Sousa Mendes em Cabanas de Viriato.

O investimento é superior a 1,2 milhões de euros, com a autarquia liderada por Rogério Abrantes a assegurar a comparticipação nacional de 15 por cento no valor da obra.

A candidatura foi inicialmente avançada em junho de 2019, primeiro para a requalificação e mais tarde para a musealização, naquele que foi um “longo e moroso processo” segundo o município de Carregal do Sal.

“De lá até ao presente, vicissitudes de vária ordem e a limitação dos serviços decorrentes da pandemia arrastaram no tempo todo este processo e trouxeram dúvidas e críticas infundadas e injustas para quem com verdadeiro empenho e imenso trabalho, de forma abnegada, ia respondendo e pressionando a rápida resolução do processo”, afirma a autarquia em comunicado.

A Câmara de Carregal do Sal já tinha assinado, em dezembro do ano passado, um protocolo que garante a gestão da Casa do Passal com a Direção Regional de Cultura do Centro e a Fundação Aristides de Sousa Mendes, sendo que a autarquia recebeu o valor de 300 mil euros.

Fechada ao público há cerca de 50 anos, a Casa do Passal sofreu uma intervenção nas paredes exteriores e na cobertura em 2014 e agora vai poder ser alvo de novas obras.

A autarquia de Carregal do Sal fala de “uma grande vitória para o concelho e para a região”.

Nascido em 19 de julho de 1885, Aristides de Sousa Mendes desempenhava as funções de cônsul em Bordéus (sudoeste de França) quando, durante a Segunda Guerra Mundial, concedeu cerca de 30 mil vistos para salvar a vida de refugiados do nazismo, a maioria judeus, contra as ordens expressas do governo do Estado Novo, liderado por António de Oliveira Salazar.

Obrigado a voltar a Portugal, Sousa Mendes foi demitido do cargo e ficou na miséria, com a sua numerosa família. Morreu na pobreza em 3 de abril de 1954, no Hospital dos Franciscanos, em Lisboa.

Em 1966, foi reconhecido pelo instituto Yad Vashem, memorial dos mártires e heróis do Holocausto, como um “Justo entre as Nações” e, em 1998, foi condecorado a título póstumo com a Cruz de Mérito pela República Portuguesa, pelas suas ações em Bordéus. Em 2020, o Parlamento aprovou a homenagem a Aristides no Panteão Nacional, sem direito a transladação dos restos mortais.

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