09 Jul
Viseu

Cultura

Dia 1 de junho reabrem-se, por fim, as portas dos teatros

por Redação

23 de Maio de 2020, 08:30

Foto Igor Ferreira

CLIPS ÁUDIO

O palco do Teatro Viriato, em Viseu, esteve sem atuações presenciais, mas não parou durante o período de confinamento. Ainda assim, a expectativa para a reabertura é grande.

Após estar feita a readaptação às condições necessárias, possibilitadas através de diálogo entre a instituição, a Direção-Geral de Saúde, Proteção Civil e o Município de Viseu, o público pode voltar a sentar-se na plateia.  “Para que as pessoas possam circular em segurança implica máscaras, vidros de proteção, desinfetantes”, entre outras medidas, como dá conta Patrícia Portela, a diretora.

“A sorte dos deuses que está sempre connosco”, atira a responsável. “Vamos abrir com uma peça que, de todas as que tínhamos em cartaz, era a única que podia continuar a ensaiar porque era de uma família”, revela.

“Tangerina” é a uma estreia no palco viseense, com autoria de Ana Bento, artista associada, e conta com os seus filhos e companheiro. A coreografia é de Joana Providência. “É uma peça que continuaram a ensaiar em casa e, portanto, faz todo o sentido que seja apresentada. É maravilhoso podermos ver em palco pessoas que se abraçam, estão juntas... vamos permitir, com a devida segurança e o devido cuidado que as pessoas possam vir, entrar e usufruir desta estreia”, esclarece Patrícia Portela.

Tal como os outros teatros do país, o Viriato viu a sua capacidade reduzida a um terço e, entre outras regras, não pode receber grupos. Por esta razão, e porque “Tangerina” é um espetáculo para escolas, os alunos não vão ficar impossibilitados de assistir à peça. “Vamos fazer uma gravação do próprio espetáculo que pode ser distribuída pelas escolas como material de acompanhamento da atividade escolar, com acompanhamento da folha de sala que a Ana Bento está a preparar. Para aqueles que não têm acesso a computadores, foi disponibilizada uma sala da Cáritas de Viseu para as crianças se poderem deslocar, com os devidos cuidados, para irem ver”, desvenda a diretora.

A nova capacidade do Teatro Viriato é de 60 espetadores no máximo, mas só vão permitir a entrada de 20 pessoas para já. “Queremos fazer tudo devagarinho. Com a parceria dos pais, alunos e artistas associados. Vamos ocupar o espaço do teatro devagar até que possa ser, novamente, uma casa cheia”, diz Patrícia Portela.

A programação está definida até julho. “Noite Fora: Leitura e Conversas Sobre Teatro” e “Guardar Segredo” são exemplos.

“Para nós o céu é o limite. As restrições devem ser respeitadas porque a saúde publica está primeiro e inclui a saúde mental de todos nós. Por um lado temos de nos sentir seguros e confortáveis no dia a dia. Por outro lado, há muita gente que está em confinamento e vai continuar e esse também é o nosso publico e não podemos deixar de estar com eles”, revela a diretora do Teatro Viriato.

As atividades da instituição têm, a partir de agora, sempre uma componente telefónica, de postal ou em plataformas digitais. “Vamos conseguir manter-nos em contacto e essa é uma missão muito importante do teatro. Estaremos em diálogo com a cidade”, remata Patrícia Portela.

Sobre os movimentos de apoio aos artistas, a diretora do Teatro Viriato começa por dizer que se sente privilegiada. “Este teatro tem o apoio da Câmara Municipal de Viseu, da Direção-Geral das Artes, do BPI e uma série de parceiros... não nos podemos esquecer que, por isso, temos uma responsabilidade de abrir nas condições possíveis até porque nunca fechámos na realidade. Sempre estivemos com os artistas e o público”, afirma.

“O movimento é muito importante porque, de facto, teatros que dependem de bilheteira não conseguem abrir e suportar os custos... não há nenhum plano, até agora, que venha reforçar os orçamentos de ninguém”, atenta a porta-voz.

“Somos bichos sociais e que criam. Por isso, acho que todas as plataformas e movimentos são fundamentais para chamar a atenção. Temos que ter um plano de cultura que abarque todos e que tenha em conta que o setor cultural trabalha para um publico que são 11 milhões de portugueses e deve chegar a todo o lado... não só teatros nacionais e municipais, mas também às companhias independentes”, conclui.

 

Teatro Ribeiro Conceição

A “casa de espetáculos de excelência do Douro e da região”, como intitula Ana Catarina Rocha, vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Lamego, volta a abrir no dia 1 de junho.

“Neste momento o programador do teatro encontra-se a trabalhar numa planificação de reabertura progressiva e monitorizada”, explica a vereadora.

Numa primeira fase será feita a abertura de portas ao público para visitação do Teatro Ribeiro Conceição. “Gradualmente vamos retomar a programação com o público. As regras que se impõem agora são apertadas e temos de obedecer a critérios específicos para que possamos ter assistência nesta nossa sala nobre”, afirma Ana Catarina Rocha.

A reabertura será assinalada de forma especial, mas por enquanto fica reservada a surpresa que em breve será divulgada.

Os projetos ao nível do serviço educativo também serão retomados. “‘Trança’ com as aulas de dança para os diferentes grupos etários, o ciclo de teatro para a infância que tem como público alvo os alunos das escolas dos agrupamentos do município”, entre outros.

O Castelo de Lamego, o Centro Interpretativo da Máscara Ibérica, o Núcleo Arqueológico e o Arquivo e Biblioteca Municipais também voltam a abrir portas no dia 1 de junho.

Ouça e trabalhe ao mesmo tempo

Destaques

Podcasts