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Viseu

Cultura

Três mulheres “invadem” o palco do Teatro Viriato e contam o que é ser negra

por Redação

26 de setembro de 2020, 08:00

Foto D.R./Filipe Ferreira

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Três mulheres negras sobem este sábado (26 de setembro) ao palco do Teatro Viriato, em Viseu, para darem voz a uma classe “invisível” nas artes performativas e revelarem o que lhas vai na alma.

“Aurora Negra”, vencedor da segunda edição da Bolsa Amélia Rey Colaço, é um espetáculo que reflete ainda sobre as raízes das culturas das suas intérpretes. Cleo Tavares, Isabél Zuaa e Nádia Yracema apresentam-se a partir das 21h30 de sábado, numa altura em que a igualdade de direitos e o racismo são temas cada vez mais presentes na atualidade mundial.

No espetáculo, o canto começa na voz de uma mulher que fala crioulo, tchokwe (uma língua falada em Angola) e português. Em cena, três mulheres negras na condição de estrangeiras em lugares onde são faladas essas três línguas.

Segundo as criadoras deste espetáculo, aos corpos, é-lhes negado constantemente “o acesso à construção das suas narrativas, quer seja pela sua ausência nas criações da maioria vigente, ou pela sua presença que quando existente é muitas vezes justificada e remetida a estereótipos e preconceitos”.

Esta ideia é reforçada por Cléo Tavares, que garante que, com “Aurora Negra”, ela e as suas duas colegas de palco querem “contar histórias que sabemos que outras pessoas passaram pela mesma trajetória”. “Quando virem este espetáculo, vão sentir-se convidados a estar connosco. Há essa vontade de representação que nos faltou”, afirma.

Já Isabél Zuaa fala de um “statement (declaração)” que esta peça quer ser. “Esta reflexão tem de ser feita, não só por nós, que o fazemos há muito, mas também pelos outros”, refere.

Contudo, apesar do tom sombrio com que o espetáculo vai ser sobretudo baseado, as três intérpretes também falam de uma peça “tão plural quanto as nossas experiências”, mas também sobre as suas conquistas e o pensamento positivo. “Não é só sobre experiências relacionadas com o racismo. É também sobre felicidade, sobre sonhos”, remata Isabel Zuáa.

“Aurora Negra” foi o vencedor da Bolsa Amélia Rey Colaço em 2019, promovida pelo Teatro Viriato em parceria com o Teatro Nacional D. Maria II (Lisboa), o Centro Cultural Vila Flor (Guimarães) e o Espaço do Tempo (Montemor-o-Novo).

Na terceira edição desta iniciativa dedicada a premiar peças de jovens artistas e companhias emergentes, “Ainda Estou Aqui”, de Tiago Lima, ficou em primeiro lugar e vai ser apresentado em 2021. 

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