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Desporto

Académico de Viseu: A temporada foi interrompida, mas houve tempo para fazer história

por Redação

23 de Maio de 2020, 08:30

Foto Arquivo Jornal do Centro

A temporada de 2019/2020 foi mais curta do que toda a gente esperava, mas ainda assim o Académico de Viseu fez história ao alcançar a sua melhor participação de sempre na Taça de Portugal

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O Académico de Viseu despediu-se oficialmente da época desportiva 2019/2020 no passado dia 15 de maio. A temporada foi terminada de forma abrupta pela pandemia de Covid-19 e os academistas despediram-se dela sem que pudessem disputar todos os jogos que estavam marcados no calendário. Na retina fica uma participação histórica dos viseenses na Taça de Portugal com uma chegada às meias finais da competição, fase que o clube nunca tinha atingido em toda a sua história. Já no campeonato, os academistas terminaram no 8º posto com 34 pontos, fruto de nove vitórias, sete empates e oito derrotas. O campeonato foi dado como terminado com ainda 10 jornadas por disputar.

A temporada foi de altos e baixos para os comandados de Rui Borges que conseguiram por uma vez estar sem perder ao longo de seis jogos, mas estiveram em dois períodos distintos da época sem vencer ao longo de quatro partidas, chegando mesmo a perder três desafios consecutivos, entre a oitava e a décima jornada do campeonato. Nota ainda para as quatro vitórias consecutivas dos academistas, naquele que foi o melhor período de forma da equipa.

 

Uma página de história foi escrita em plena prova rainha

 

A caminhada do Académico de Viseu na Taça de Portugal da época de 2019/2020 vai ficar marcada na memória dos adeptos viseenses, isto porque foi a melhor da história do clube. A melhor participação dos academistas na prova datava da já longínqua época de 1978/1979, altura em que o clube alcançou os quartos de final da prova, tendo sido eliminado pelo SC Braga.

A mais recente caminhada histórica arrancou na ilha dos Açores, mais concretamente no Estádio Municipal da Ribeira Grande, onde o clube de Viseu bateu o Rabo de Peixe por 1-0. O golo foi marcado já nos momentos finais da partida por Kelvin Medina. O adversário seguinte foi o Real SC e os comandados de Rui Borges bateram a equipa de Queluz, no Fontelo, por 3-1 com golos de Jean Patric (2) e de Fernando Ferreira. A 4ª eliminatória voltou a jogar-se no Fontelo, desta feita frente ao Feirense, e os viseenses voltaram a vencer, desta feita por 1-0, mantendo assim o sonho da taça vivo graças a um golo de Latyr Fall.

O Académico estava, então, nos oitavos de final da prova e uma vitória frente ao GD Chaves separava os academistas de alcançar o feito de há 40 anos, chegar aos quartos de final da prova rainha. Um golo de João Mário foi suficiente para os viseenses baterem os flavienses e voltarem a marcar presença nos quartos de final da Taça de Portugal.

A equipa de Rui Borges não se quis ficar por igualar o que já tinha sido feito e quis escrever a sua própria história. A sorte ditou que o Canelas 2010 fosse a última barreira entre o Académico de Viseu e uma inédita participação nas meias finais da Taça de Portugal. Os adeptos que marcaram presença no Estádio do Fontelo tiveram de esperar pelo minuto 90+1 para ver as redes do Canelas 2010 abanar e poderem festejar o golo de Anthony Carter que colocou os viseenses, pela primeira vez, na história nas meias finais da prova rainha do futebol português.

O Académico de Viseu entrou nas meias finais da competição a sonhar com uma possível presença no Jamor, mas esse sonho acabou por cair por terra frente ao FC Porto, mas não sem antes dar luta. Numa eliminatória a duas mãos e contra um grande do futebol nacional seria difícil prosseguir para a final da competição, mas os academistas saíram do Fontelo a sonhar com uma possível passagem à final, graças a um golo de João Mário que na altura daria o empate a um golo. O sonho iria, no entanto, cair por terra em pleno Estádio do Dragão. A derrota por 3-0 frente ao Porto eliminava o Académico de Viseu da prova, mas em nada manchava a histórica caminhada do clube de Viseu na Taça de Portugal.

Nesta caminhada destacaram-se Jean Patric e João Mário como os melhores marcadores da equipa na prova com dois golos cada.

 

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Um campeonato que terminou com muito por jogar

 

A Segunda Liga portuguesa terminou mais cedo do que aquilo que seria de esperar, a culpa foi da pandemia de Covid-19. Das 34 jornadas originalmente planeadas, apenas se jogaram 24, tendo o Académico de Viseu terminado o campeonato no 8º posto da classificação com 34 pontos, conseguidos através de nove vitórias, sete empates e oito derrotas.

A campanha dos academistas foi marcada pela inconsistência de resultados, tendo variado várias vezes entre séries de jogos a vencer e períodos sem ganhar qualquer partida. Os viseenses até entraram bem no campeonato, com uma vitória na 1ª jornada, frente ao Penafiel, mas só conseguiram voltar a vencer na 6ª ronda da competição. O pior período de forma dos viseenses chegou a partir da jornada oito com três derrotas consecutivas, entre a 8ª e 10ª jornada da prova. A maior série de jogos sem conhecer o sabor da derrota aconteceu entre a 14ª e a 18ª ronda, foram cinco consecutivos em que o Académico não perdeu (duas vitórias e três empates). Esta série de resutados fez com que, na altura, os academistas saltassem da 9ª para a 6ª posição. Nas últimas seis jornadas que foram disputadas, os viseenses obtiveram duas vitórias, um empate e três derrotas. Estes resultados ditaram que o Académico de Viseu ficasse então no 8º lugar da Segunda Liga portuguesa.

Por jogar ficaram as últimas 10 rondas, os viseenses iriam disputar ainda cinco jogos em casa (frente a Estoril, UD Oliveirense, Leixões, CD Mafra e Varzim) e outros cinco fora de portas (frente a FC Porto B, Vilafranquense, Cova da Piedade, Nacional e GD Chaves). Se as partidas que ficaram por disputar fossem realizadas e o Académico de Viseu obtivesse os mesmos resultados que conseguiu na época passada nestes mesmos desafios alcançaria os 44 pontos, mais 10 do que os 34 com que terminou a temporada. Para esta contabilidade ficam de fora os jogos frente a Vilafranquense, Nacional e CD Chaves, visto que estas três equipas não se encontravam na mesma divisão do Académico de Viseu na temporada de 2018/2019.

No que a golos diz respeito, Anthony Carter foi o jogador do Académico de Viseu que mais se destacou com cinco remates vitoriosos, contribuindo dessa forma para os 21 tentos apontados pela sua equipa ao longo do campeonato.

 

O futuro próximo será difícil de prever

 

A época de 2019/2020 terminou e agora é necessário pensar na temporada que aí vem. A composição do plantel academista para a época de 2020/2021 é, para já, uma incógnita, ainda para mais com tantos jogadores que fizeram parte do plantel nesta temporada em final de contrato.

Com base em dados recolhidos no site transfermarket, o Jornal do Centro apurou que o Académico de Viseu tem 15 atletas em final de contrato, sendo eles: Ricardo Janota, Elísio Pais, Felix Mathaus, Fábio Santos, João Pica, Lucas Silva, Rui Silva, João Oliveira, Diogo Santos, Bruno Loureiro, Luisinho, Bruninho, Latyr Fall, João Mário e Nathan Junior. Nota para dois dos jogadores que terminam contrato e foram dos mais utilizados por Rui Borges ao longo da temporada, Felix Mathaus, jogador que totalizou mais minutos pelo clube em todas as competições (2 520 minutos) e Ricardo Janota, atleta que mais minutos realizou pelos academistas na Segunda Liga (1 909 minutos).

Nota ainda para dois atletas que estavam emprestados ao Académico de Viseu até ao final da presente temporada e deverão regressar aos clubes de origem. São eles Steven Pereira e Johnatan Cardoso.

Por este motivo é, para já, difícil prever qual será a constituição do plantel do Académico de Viseu na temporada de 2020/2021.

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