11 Ago
Viseu

Desporto

Cortes nos apoios das autarquias podem deixar clubes em dificuldades

por Redação

23 de Maio de 2020, 08:30

Foto Arquivo Jornal do Centro

CLIPS ÁUDIO

A pandemia de Covid-19 paralisou grande parte das atividades do país. O desporto não ficou indiferente e a maior parte das competições foram suspensas, acabando mesmo por ser canceladas quase na sua totalidade. Apenas a Primeira Liga de futebol é retomada, para já.

Este cancelamento deixou os clubes sem rendimentos importantes, como é o caso das receitas de bilheteiras e, até mesmo, de alguns patrocínios. Os clubes do distrito de Viseu não ficaram imunes a esta perda de rendimentos, mas as várias equipas do distrito que competem em campeonatos nacionais, tanto de futebol como de futsal, têm pontos de vista diferentes no que diz respeito aos apoios camarários, de onde sai uma grande parte dos subsídios. Esta variação de pontos de vista advém do facto de nem todas as Câmaras Municipais terem tomado a mesma decisão no que ao apoio aos clubes diz respeito. Enquanto algumas prosseguiram com os pagamentos, outras suspenderam-nos e ainda não se sabe quando serão retomados.

rtur Jorge Ferreira, presidente do ABC de Nelas, formação que na época que terminou esteve na Segunda Divisão Nacional de Futsal, admite que o apoio por parte da Câmara Municipal foi suspenso. “Nós recebemos um email por parte do senhor presidente da Câmara a dizer que iam suspender os pagamentos e que iriam depois disso fazer uma análise do valor a pagar em falta”, explica. O dirigente do clube afirma também que até agora “ainda não recebemos mais nenhuma resposta ao email que enviámos por parte do senhor presidente da câmara e continuamos a aguardar”.

Artur Jorge Ferreira diz que, para além da suspensão dos pagamentos por parte da autarquia, o clube sofreu ainda outro revés. “Nós já perdemos também a parte da publicidade que costumávamos receber no início do ano civil, referente há época em que estamos, portanto até ao primeiro quadrimestre do ano”, sublinha.

O impacto financeiro desta pandemia na formação nelense foi grande tal como esclareceu o presidente do clube. “Do orçamento que nós tínhamos previsto para a época de 2019/2020, cerca de 50 por cento desse valor ficou afetado. Ou seja, temos cerca de 50 por cento a menos do que aquilo que estava previsto receber”. Refere ainda que o clube espera que a autarquia retome os pagamentos o quanto antes. Quanto à próxima temporada ainda nada é certo, visto que o clube ainda espera ser recebido na Câmara Municipal para apresentar o seu plano de atividades para a próxima época. O clube está também em contacto com alguns patrocinadores para ver “como é que nos podem ajudar na próxima época”. O dirigente está confiante e afirma que “os patrocinadores dizem que, em princípio, se tudo correr normalmente e se houver a tal retoma esperada, voltarão a ter condições para nos ajudar”.

No que diz respeito ao São Martinho de Mouros, clube que na temporada passada competiu também na Segunda Divisão Nacional de futsal, não recebeu a última parte do apoio orçamentado pela autarquia no início da temporada, e o seu presidente, Mário João Faria, explica que ainda não sabe se essa parte vai ser paga ou não. “Nós temos uma parte que ainda não foi paga, mas ainda não nos transmitiram a certeza quanto áquilo que falta, porque ainda não decidiram. Não posso estar a dizer se vão pagar ou não se ainda não decidiram”. Apesar deste corte no apoio ter acontecido, o impacto nas contas do clube não foi assim tão grande, conforme explica Mário João Faria. “Só pagámos aos jogadores até ao final de fevereiro, quando acabou a primeira fase. Tínhamos agora em abril a fase de manutenção, mas não houve, por isso nós não fizemos mais pagamento nenhum. Por isso, em termos de despesas deste ano está tudo totalizado.”

O presidente do clube acaba mesmo por afirmar que o São Martinho de Mouros não tem razões de queixa no que toca a apoios. Realça ainda a compreensão dos jogadores do clube em relação aos pagamentos e explica qual foi o motivo para estes não serem feitos para lá do mês de fevereiro. “Os nossos jogadores também compreenderam que não havendo jogos não iam receber. Não havendo jogos, tendo acabado a época antes, tudo ficou decidido. Não houve jogos, também não houve pagamentos, nem havia treinos, não houve despesas. Claro que acredito que alguns clubes tenham pago os outros meses, mas isso depende do que estava combinado com cada jogador. Nós pagámos conforme os serviços prestados”, esclarece.

Mário João Faria realça ainda as suas dúvidas quanto ao início do campeonato na próxima época e quais serão as condições para que o mesmo avance. “Eu ainda estou em dúvida se irá haver campeonato para o próximo ano. Não sei em que termos, nem em que moldes, mas acho complicado. Acho complicado para as equipas das distritais, da segunda divisão nacional, até mesmo da primeira. Acho complicado em termos de apoios, mesmo até a nível de patrocinadores, porque as pessoas têm as empresas paradas. Se mesmo as equipas profissionais têm dificuldades, claro que as equipas mais pequenas mais dificuldades terão”, desabafa.

Ainda dentro do futsal, uma fonte oficial do Viseu 2001, que participa na Primeira Liga, explicou que o clube teve de rever os contratos programa que tinha feito com a Câmara Municipal de Viseu, devido à pandemia de Covid-19, e que, neste momento, aguarda uma resposta quanto a essa revisão. A mesma fonte ressalva também que a época desportiva terminou no início de março, o que levou a que tanto despesas como receitas dos clubes deixassem de ser as mesmas. Face a isto o município solicitou aos clubes a referida revisão, com a qual o Viseu 2001 acabou por concordar.

 

E no futebol...

No que ao futebol diz respeito, Alberto Fonseca, presidente do Mortágua FC, formação que na próxima temporada irá disputar o Campeonato de Portugal, admite que a autarquia vai honrar o compromisso assumido no início da época. “O Mortágua não tem razão de queixa do município, porque, tanto quanto eu sei, eles vão continuar a pagar o subsídio que foi atribuído até ao final da época”, que termina agora em maio, explica.

O dirigente elogia mesmo a posição da autarquia que manteve o subsídio originalmente acordado com o clube. No entanto, a época que aí vem pode ser mais complicada por outros motivos que não são só os apoios das câmaras municipais. “Não sabemos se vamos ter jogos com público, as empresas que poderiam ajudar o clube, se calhar não vão poder ajudar”, vaticina. O presidente do clube acredita ainda que o Mortágua não vai ser o único clube a sentir dificuldades na próxima temporada.

Por sua vez, uma fonte oficial do Castro Daire, clube que milita no Campeonato de Portugal, garante que os pagamentos estão todos em dia.

O Jornal do Centro contactou também o Lusitano de Vildemoinhos, igualmente a disputar o Campeonato de Portugal, mas o clube preferiu não prestar qualquer tipo de declaração.

 

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