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Futebol feminino: Lusitano contra teto salarial imposto pela Federação

por Redação

24 de Junho de 2020, 15:56

Foto Igor Ferreira

CLIPS ÁUDIO

A coordenadora do futebol feminino do Lusitano de Vildemoinhos, Francisca Martins, está indignada com a decisão da Federação Portuguesa de Futebol de criar um teto salarial para as equipas da modalidade.

No total, as equipas só podem gastar no máximo 550 mil euros por ano em salários. O Movimento “Futebol Sem Género” mostrou-se contra esta medida, defendendo que se trata de uma alteração discriminatória quando comparado com o que acontece no futebol jogado por homens.

Ao Jornal do Centro, Francisca Martins reafirma que só com igualdade é que se pode criar um produto semelhante entre futebol masculino e feminino. “Se falámos das oportunidades não serem iguais e dos resultados serem comparados na mesma, aqui está mais uma confirmação do que dizia. Comparamos o produto final e não comparamos o que nos leva até ele”, diz.

A antiga jogadora põe-se ao lado das 132 atletas de futebol feminino em Portugal que assinaram o manifesto “Futebol Sem Género”. Francisca Martins refere que a medida da FPF não faz sentido.

“São poucos os clubes que conseguem atingir o teto salarial e daí o facto de não perceber o porquê da medida. Se já são poucos que conseguem, então colocar este limite… não faz sentido que seja assim”, afirma.

Quanto ao argumento de que esta medida vai provocar um maior equilíbrio entre as equipas da Primeira Liga de futebol feminino em Portugal, a antiga jogadora refere que há incoerência por parte de quem decide.

“Não é coerente. Há alguns anos, quando os grandes clubes entraram no futebol feminino, tiveram entrada direta na Primeira Liga. Agora, com esta medida, estamos a tentar não criar grandes discrepâncias entre as equipas mas não se pensou nisso quando deixaram entrar os grandes, que não tiveram de passar pelo processo que as equipas têm. São dois bicos”, afirma.

Até esta medida ser tomada, Portugal era dos poucos países do mundo onde o contrato coletivo de trabalho era igual entre homens e mulheres não havendo restrições ou tetos. Segundo os números apresentados pelo Sindicato de Jogadores Profissionais na Primeira Liga, há 70 jogadoras profissionais e 250 com vínculo desportivo, num universo de 1.000 atletas seniores no total nacional.

Francisca Martins diz que as condições para as mulheres jogarem futebol em Portugal estão a melhorar, mas defende que isso está a acontecer lentamente.

“Nós estamos a tentar contrariar esta realidade há muitos anos. Já conseguimos alguma coisa, porque já há jogadoras que têm algum retorno financeiro. Antes, não era nenhum, o que significa que está a crescer, embora seja um crescimento muito lento, porque enquanto não houver patrocinadores e apoios que façam contrariar isto, não vai haver um crescimento rápido”, conclui.

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