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Desporto

Jogos adiados, calendários sobrecarregados e clubes preocupados

por Redação

31 de outubro de 2020, 08:30

Foto Arquivo Jornal do Centro

CLIPS ÁUDIO

Os campeonatos de futebol e futsal tiveram início, têm sido disputados, contudo, a Covid-19 tem gerado vários problemas às equipas. Com o registo de casos nos mais variados clubes, são vários os jogos que já tiveram de ser adiados por os jogadores terem de estar em isolamento.

Olhemos o caso da Segunda Divisão de futsal, onde o ABC de Nelas já viu dois encontros adiados por haver casos do novo coronavírus nas equipas adversárias. Também os Gigantes de Mangualde já viram um dos seus jogos adiado.

Em declarações exclusivas ao Jornal do Centro, Rui Almeida, treinador do ABC, admite que a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) está a fazer “o possível para as coisas conseguirem andar para a frente e para os campeonatos se realizarem”, e salienta que é importante que tal esforço seja feito, pois “a realização dos campeonatos é um fator muito importante”.

Contudo, o técnico do conjunto nelense levanta uma questão. “Há aqui uma questão que me parece preocupante enquanto treinador do ABC. Eu não sou profissional, os meus jogadores não são profissionais. Esta história depois da gente ir jogar ao sábado e à quarta, é uma história que para nós vai ser muito complicada”, diz.

Rui Almeida explica que estes adiamentos vão causar uma “sobrecarga muito grande” e lembra que os jogadores têm os seus trabalhos para além do futsal, o que pode ser um constrangimento para a realização de jogos a meio da semana.

“Nós temos um jogo marcado para o dia 11 [de novembro], às 21h00, na Covilhã, ou seja, já se consegue perceber que há atletas que têm de sair mais cedo dos trabalhos, caso os patrões assim o permitam”, explica.

O treinador do ABC assume que “é bastante difícil, e é preciso ter algum cuidado, naquilo que é a gestão dos jogos, às quartas e sábados” e admite que “é preciso da parte de quem controla, ter isso em atenção”.

Também Dário Figueiredo, treinador dos Gigantes de Mangualde, mostra o seu descontentamento e as suas dúvidas perante esta situação. O técnico diz que a sua equipa está sujeita a “no mês de novembro a fazer sete, oito jogos, se isto continuar com estes adiamentos”.

“Já temos jogos marcados para 28 e 29 [de novembro], agora com o jogo da Taça de Portugal [a 21 de novembro], ou seja, nós em duas semanas vamos fazer cinco jogos. Para uma equipa que treina três vezes por semana, amadora, não é fácil. Isto vai ser uma competição muito esquisita”, conta.

O técnico da equipa mangualdense questiona como vai ser gerida a situação por parte da FPF, caso volte a haver casos nas datas para as quais os jogos foram remarcados.

“Vamos imaginar que nós [Gigantes] mais para a frente apanhamos a Covid-19. Se eu tenho jogos adiados para essa semana, quando é que eu vou fazer esses jogos? O que é que vai acontecer a seguir? Vou perder os jogos quando eu adiei porque os outros também precisaram?”, questiona-se?

Apesar do regresso das competições, no futsal não se têm vivido dias fáceis e as equipas temem que a verdade desportiva seja posta em causa.

 

Futebol não está melhor

Nos campeonatos amadores e semiprofissionais de futebol, como é o caso das competições distritais e do Campeonato de Portugal, também têm sido alguns os jogos já adiados por causa de casos positivos de Covid-19 nos plantéis.

Estivemos à conversa com Vasco Almeida, treinador do Castro Daire, que milita no Campeonato de Portugal, que explica que o protocolo estipulado pela FPF.

“O que diz o protocolo da Federação, é que as equipas que tivessem casos de Covid 19, seriam isolados os jogadores infetados, seriam testados os outros, e regressavam ao trabalho”, explica.

Contudo, não é isso que se tem verificado. “Aquilo a que temos assistido por parte dos delegados de saúde, é que existindo um caso de Covid 19 confinam a totalidade do grupo de trabalho, mesmo dando os restantes negativo. Isso aí não me parece correto, porque nós estamos sujeitos a que haja dois ou três casos num ano e neste período teremos de estar um, dois ou três meses de quarentena”, assume.

O técnico castrense defende que se devia “reger pelo protocolo que foi estipulado pela FPF”, pois, se tal não acontecer, admite que os clubes vão “estar sujeitos a um número de adiamentos de jogos que poderá impossibilitar o términus do campeonato na pior das hipóteses”.

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