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Volta a Portugal: Miranda-Mortágua aposta em Joaquim Silva para o 'top 10'

por Redação

25 de setembro de 2020, 11:51

Foto Arquivo Jornal do Centro

CLIPS ÁUDIO

A Miranda-Mortágua quer colocar Joaquim Silva, na sua primeira experiência como chefe de fila, no ‘top 10’ final da Volta a Portugal em bicicleta - que começa este domingo (27 de setembro) -, ambicionando ainda lutar por uma das classificações secundárias, revelou o diretor desportivo Hélder Miranda.

“O primeiro objetivo será meter um homem nos 10 primeiros da geral. Esse é o objetivo principal. Neste caso, temos o Joaquim Silva, que nos dá essa confiança de que consiga estar nos 10 primeiros da geral. À parte disso, se a corrida se desenrolar de forma favorável para nós, lutar por uma das classificações secundárias, a montanha, por exemplo”, enumerou o diretor desportivo da equipa de Mortágua, apontando Ángel Sánchez ou Gaspar Gonçalves, “que são mais especialistas em andar em fugas”, como hipotéticos candidatos à camisola branca e vermelha.

Mas é em Joaquim Silva que as atenções de toda a Miranda-Mortágua se vão centrar, com o ciclista de 28 anos, segundo na Volta a Portugal do futuro em 2014 e antigo corredor de W52-FC Porto e da espanhola Caja Rural, a assumir pela primeira vez na sua carreira a qualidade de chefe de fila na Volta a Portugal.

“O Joaquim é um ciclista com provas dadas: esteve no FC Porto, esteve no estrangeiro, e é muito bom ciclista. O Quim está preparado, agora a realidade este ano é que quase não tivemos competição, estivemos estes meses todos sem competir – só tivemos os Campeonatos Nacionais, o Joaquim Agostinho. Ele tem treinado bem, está há três semanas na Serra da Estrela a estagiar, aparentemente está tudo bem, agora é daqueles anos em que não conseguimos ter certezas de quase nada, porque não houve competição”, ressalvou.

Hélder Miranda lembrou que, normalmente, o pelotão nacional chega à prova rainha do calendário com “40, 50 dias de competição”, sendo possível aos diretores desportivos terem “a noção de como cada atleta está”.

“Neste momento, isso não acontece. Estes dois dias do Troféu Joaquim Agostinho não serviram para ver quase nada. Dá para termos uma ideia, mas é muito relativo, porque são só dois dias, é diferente de uma corrida de nove dias. Portanto, tanto para os outros, como para nós é tudo muito relativo. Vamos fazer a Volta a Portugal num contexto completamente diferente”, reconheceu.

Contudo, o diretor desportivo da Miranda-Mortágua não teme que os seus ciclistas acusem falta de ritmo na entrada montanhosa da edição especial da corrida, que arranca no domingo em Fafe e termina em 5 de outubro em Lisboa, frisando que tal só poderia acontecer se a sua equipa não tivesse competido e os outros sim.

“Estamos todos iguais: ninguém competiu mais, ninguém competiu menos. Toda a gente tem falta de ritmo, porque, por muito que se treine, o ritmo de treino nunca é o da competição. Agora, de facto, a Volta começa muito dura e os primeiros quatro dias vão deixá-la praticamente definida. Há que entrar bem, há que entrar forte. Os nossos ciclistas têm estado na Serra da Estrela desde há três semanas, juntos, a treinar mesmo com esse intuito. As indicações que eles nos dão são boas, sentem-se bem, agora, o termo de comparação quase não existe. Vamos ver como as pernas vão reagir quando chegarmos à competição”, pontuou.

Assumindo que o percurso, que tem três chegadas em alto nas primeiras quatro etapas em linha, “não é o ideal, porque está tudo muito concentrado, mas é possível”, Miranda salientou que estamos “num ano atípico para toda a gente” e defendeu que o pelotão não pode querer “um percurso mais equilibrado como nos outros anos, em que havia a Senhora da Graça e passado alguns dias a Serra da Estrela, ou vice-versa”.

“Este ano não há espaço para isso. São menos dias de competição, portanto é natural que as duas chegadas duras sejam muito concentradas – neste caso, só têm um dia de intervalo. Mas penso que não nos podemos queixar. Haver Volta já é muito bom, porque esteve na iminência de não haver. É igual para todos, é duro para todos, esta é a realidade e é com ela que temos de viver, e é com base nela que temos de pensar todos os dias a melhor forma de dar a volta à corrida a nosso favor”, afirmou.

A realidade a que os ciclistas têm de se acostumar inclui um exigente protocolo sanitário no contexto da Covid-19, com o diretor desportivo a garantir que, em cima da bicicleta, os seus pupilos se conseguem abstrair da pandemia, o que não acontece fora da estrada.

“Nós vivemos com um monte de regras que não eram habituais: basicamente, não podemos ter contacto quase com ninguém. Vamos do hotel para a partida, somos fechados no parque 0. Chegamos e vamos para um parque também fechado, onde não há contacto com o público. É uma realidade completamente diferente. É obvio que causa mais stress aos atletas, mas eles durante a competição não pensam nisso garantidamente. Agora, toda a envolvência, que nos outros anos era sempre de uma forma mais descontraída, com toda a ligação que havia entre ciclistas e público, que lhes dava também mais motivação para competir, é diferente”, descreveu.

 

A equipa completa da Miranda-Mortágua

Equipa: Joaquim Silva (Portugal), Hugo Sancho (Portugal), Daniel Freitas (Portugal), Gaspar Gonçalves (Portugal), Pedro Pinto (Portugal), Ángel Sánchez (Espanha) e Leangel Linarez (Venezuela)

Diretor desportivo: Hélder Miranda

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