08 Jul
Viseu

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Paragens forçadas obrigam estagiários a se adaptarem

por Redação

13 de Junho de 2020, 08:30

Foto Arquivo Jornal do Centro

CLIPS ÁUDIO

Estágios interrompidos, adiados e novos métodos de trabalho. Finalistas do Ensino Superior de Viseu vêem os seus estágios sofrer grandes alterações em virtude da Covid-19.

Susana Guerra, finalista do curso de Marketing, e Diogo Camões, finalista do curso de Enfermagem Veterinária, foram obrigados a interromper os seus estágios graças à pandemia Covid-19. “A paragem do estágio é sempre algo que não calha bem a ninguém pois é o momento em que metemos todos os nossos conhecimentos em prática e que realmente nos preparamos para o futuro na nossa profissão”, referiu o estudante Diogo Camões, obrigado a parar de estagiar durante cerca de dois meses. O jovem explicou que, num primeiro momento, esta paragem forçada foi vista como umas “férias” para descansar de uma profissão que exige muito dos trabalhadores, “mas com o passar do tempo chega a angústia e o desespero de estar em casa sem puder fazer nada e não puder concluir o estágio final de curso que tanto esperávamos”. “Os pensamentos vão todos de encontro às mesmas questões que são quando podemos retomar? Quando é que vamos acabar? E a pergunta que mais nos deixa angustiados é se e quando vamos ficar finalmente licenciados e ter o nosso "canudo" nas mãos”, questiona.

Para Susana Guerra, a interrupção do estágio significou uma alteração nos métodos de trabalho iniciais. “Retomei o estágio, mas em condições diferentes, devido à impossibilidade de voltar ao ambiente de escritório, sendo que passei a realizar o mesmo através de casa”, explicou.

Para além de interrupções forçadas e adiamentos, são vários os casos em que os estudantes acabaram por ficar sem lugar no local inicialmente escolhido para estagiar. José Serpa, finalista do curso de Publicidade e Relações Públicas, viu não só ser adiada a data de início do seu estágio, mas também uma mudança no local escolhido para a realização do mesmo, que considera ser “uma espécie de último recurso, uma vez que os locais por mim pretendidos deixaram de aceitar estagiários devido à situação atual”. O jovem explicou ainda que começou por estagiar apenas em regime de teletrabalho, mas que, de momento, se encontra num regime misto, entre teletrabalho e presencial.

Questionados sobre a sua posição em relação ao adiamento dos estágios para uma altura onde estes pudessem decorrer com a máxima normalidade possível, as opiniões entre os estudantes divergem. Para a estudante do 3ºano de Comunicação Social, Eva Pais, os estágios deveriam ter sido remarcados para uma altura onde os mesmos pudessem decorrer dentro dos moldes habituais, pois “os estágios acabam por sofrer alterações e acabam por não ter a mesma qualidade que se pretendia”. “Vários colegas tiveram que ser recolocados e viram o sonho de estagiar onde queriam cancelado”, exemplificou. Já para Susana Guerra , “essa possibilidade não seria a mais viável, tendo em consideração que iria verificar-se um atraso muito grande na data final do estágio”, algo que poderia afetar os alunos que pretendem continuar os estudos, ingressando em mestrados.


 

Será o teletrabalho prejudicial para os alunos?

Na opinião da finalista do curso de Marketing, Susana Guerra, estagiar em teletrabalho não é prejudicial, mas implica um esforço diferente do habitual por parte dos estudantes. “Não diria que os estudantes estão a ser prejudicados, uma vez que está a ser feito o melhor para que tudo corra bem, mas, sem dúvida, que é algo completamente diferente e nem sempre é fácil esta nova modalidade. Estagiar a partir de casa pode ser difícil e implica um esforço acrescido para que os alunos se sintam motivados, para se organizarem e serem criativos”, referiu. Com uma opinião semelhante, José Serpa considera que “os alunos são mais prejudicados por estarem a estagiar em lugares que não são totalmente ligados à sua área do que propriamente por estarem a trabalhar a partir de casa”.

Já para Inês Oliveira, também finalista do curso de Marketing, este método não é o adequado, pois “sendo o principal objetivo de um estágio aprendermos o máximo possível, estagiar nestas condições, não é o ideal porque o apoio nunca é o mesmo e, por consequência, o nível de aprendizagem também não”.

Para Luís Freitas, estudante do 3ºano de Comunicação Social, os prejuízos para os estudantes vão muito mais além do que entraves no nível de aprendizagem. “Trabalhar em teletrabalho não é o mesmo que trabalhar dentro do espaço físico da empresa. Tanto falo a nível de aprendizagem, como também de adaptação a nível emocional, todos os fatores acabam por ser influenciados. O meu próprio rendimento enquanto profissional também vai sendo condicionado por estas agravantes, estagiar em casa não é a mesma coisa”, sublinhou.

Eva Pais considera que estagiar em teletrabalho nunca vai igualar a experiência presencial, acrescentando ainda que se sente prejudicada uma vez que o seu estágio “é mais focado para a área artística e com o cancelamento de espetáculos ao vivo, há várias experiências de trabalho que não vou conseguir ter”.


 

Mas afinal, como é estagiar em tempos de pandemia?

“É um misto de emoções. Se por um lado estar a estagiar significa que estou a concluir a licenciatura, por outro não o sinto uma vez que estou a viver esta etapa um pouco mais solitário do que era suposto”, desabafou José Serpa. Já para Susana Guerra, estagiar em tempos de pandemia é uma experiência diferente, considerando ser “fundamental manter uma comunicação constante com a empresa”. “E é necessário haver uma grande organização por parte do estagiário, de forma a cumprir todas as tarefas diárias, e tentar manter ao máximo o nível de produtividade. Nem sempre é fácil, mas com esforço de ambas as partes é possível tirar proveito desta nova situação”, referiu.

Apesar de todas as mudanças e obstáculos que os finalistas com estágios têm encontrado nesta parte final dos seus percursos de licenciatura, os estudantes mostram-se contentes com os locais de estágio e com a forma como estão a ser acolhidos e acompanhados. “Nada nos impede de dar sempre o nosso melhor e apesar de estar a estagiar em casa, vou fazendo sempre o meu trabalho para um dia conseguir a confiança da empresa e acabar a chegar mais longe dentro da mesma. O importante é nunca perder a vontade de aprender, seja onde for”, rematou o finalista Luís Freitas.

 


 


 

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