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Marte 2020: Um exercício militar para testar o desgaste físico e psicológico

por Redação

17 de outubro de 2020, 08:00

Foto Arquivo Jornal do Centro

CLIPS ÁUDIO

Começou por ser uma operação de rotina. As ruas quase despidas de olhares a acompanhar a passagem do tanque. A poucos quilómetros do fim, o cheiro a fumo começa a ultrapassar as escotilhas. Ouvem-se tiros difíceis de localizar. Pressentem-se movimentos incertos e duvidosos. O ambiente pesado obriga à deslocação frenética dos dedos para colocar as munições a tempo.  Uma prova de fogo carregada de adrenalina que, por acaso, é uma simulação. 

Feito pelo 2.º Batalhão de Infantaria Mecanizado de Rodas, do Regimento de Infantaria 14, em Viseu, o exercício militar Marte 2020, mobilizou cerca de 150 militares “para treinar o planeamento, a execução das operações e incrementar o desgaste físico e psicológico”. 

Treinam em cenas fictícias sincronizadas com a realidade. Aprendem a superar a dor, a sobreviver em sítios remotos e a travar ameaças contra as populações. São inseridos em cenários mapeados ao milímetro para assimilarem o peso de cada operação. Neste caso, “é uma simulação de uma base avançada de uma operação de estabilização. Não é propriamente uma operação de guerra, é uma operação de apoio á paz”, explica o Capitão Morais de Pina. 

“Sem nenhuma missão em vista”, desenharam um território simulado que, dentro das condições disponíveis, “aproxima-se o mais possível do real”. Falamos de uma guerra fictícia sem uma força inimiga, mas “com algumas fações adversárias que se debatem entre si e contra a população. O que nós estamos a fazer é uma força de entre posição com o objetivo final de garantir a estabilidade e a liberdade de movimentos na região”, conta, enquanto caminhamos pelo acampamento. 

Era para ser em Março. Por força da pandemia, empurraram-se os treinos para o último trimestre do ano. Nos entretantos, “tivemos muitas missões de apoio às populações, montagens de camas em centros de acolhimento”, refere o Tenente-coronel de Infantaria Vítor Borges. 

À covid-19 juntou-se o período dos incêndios que obrigou à manutenção de missões de apoio ao desenvolvimento e bem-estar das populações, através de patrulhas de incêndios. Além disso, “estamos a fazer ações de sensibilização em lares, escolas e estabelecimentos prisionais por causa da covid-19”, acrescenta. 

“Um militar gosta de treinar e ser posto à prova”. Palavras do tenente-coronel Vítor Borges. E, por isso, seguem-se mais dois exercícios até ao final do ano. Na última semana de outubro, o batalhão marcha até Vila Real e, duas semanas depois, até Santa Margarida, no distrito de Santarém. 

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