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Alunos ansiosos e pais preocupados no regresso às aulas

por Redação

17 de setembro de 2020, 11:33

Foto Igor Ferreira

CLIPS ÁUDIO

Ansiedade e a vontade de regressar à escola são os sentimentos mais visíveis neste primeiro dia de aulas (17 de setembro) na cidade de Viseu. Às oito e meia da manhã já eram alguns os alunos à porta da Escola Secundária Emídio Navarro. Aguardavam ansiosos pela chegada dos colegas e pela entrada no edifício que aconteceu só depois de colocada a máscara e as mãos desinfetadas.
O Jornal do Centro esteve à porta da escola e ouviu alguns alunos. “Sinto-me ansiosa. Já tinha saudades dos meus colegas”, conta Mariana que diz que o que lhe vai custar mais é o facto de ter de estar sempre com máscara durante as aulas.

A aluna mostra-se confiante nas medidas adotadas pela escola, mas está preocupada com o cumprimento do distanciamento entre os colegas. “Há muitos alunos e a escola não é assim tão grande”, diz. A colega Andreia partilha a mesma opinião. “É um bocadinho o não saber para onde vamos mas acredito que vá correr da melhor forma possível”, desabafa. A aluna diz estar consciente do distanciamento que tem de manter e evitar os “beijinhos e abraços”.

Outro aluno da Secundária Emídio Navarro, Martim Natal, considera que o mais difícil vai ser o uso de máscara. No recreio diz que vai tentar estar o mais distante possível dos colegas da turma ou de outros amigos da escola. Martim acredita que este ano letivo pode ser calmo e sereno “se toda a gente respeitar as normas”.
A frequentar a instituição de ensino há um ano, a Leonor diz que se sente bem por regressar às aulas, mas por outro lado, sente algum receio. “Sei que não vou poder abraçar e cumprimentar os meus colegas”, lamenta. Desejoso por voltar à escola estava o Miguel. “Já estava farto de estar em casa”, conta acrescentando que “basta cumprir um metrinho de distância” para garantir a sua segurança e a dos restantes companheiros.
Há dois anos naquela escola, Ivan considera que o regresso “não está muito bem organizado”. Ainda assim refere que o uso da máscara por todos e o cumprimento das normas pode reduzir o risco de contágio da Covid-19. Acrescenta ainda que a duração de cada aula também deve ser reduzido, como acontece com o tempo de intervalo, para que a desinfeção das salas possa ser feita.

Pais confiantes, outros mais preocupados
Muitos foram os pais que, neste primeiro dia de aulas, fizeram questão de levar os filhos às escolas. Um deles foi Maurício Cruz que acredita que tudo foi preparado para receber os alunos. “Estamos um pouco ansiosos apesar de considerar que a pior parte da pandemia já passou”, acrescenta outra mãe que refere que deu “todas as recomendações aos dois filhos” que esta quinta-feira iniciaram o ano lectivo na Escola Secundária Emídio Navarro.
No agrupamento de Escolas Grão Vasco, em Viseu, esta manhã aconteceu também a receção dos alunos do primeiro ano. Na Escola Básica da Avenida, às nove e meia, as crianças foram chamadas uma a uma e entraram acompanhadas ou pelo pai, ou pela mãe. Se o primeiro dia de aulas é sempre de algum nervosismo, quando a estreia na escola é feita com o receio do vírus da Covid-19, os pais ficam ainda mais apreensivos. Em casa já foram passadas algumas regras. “Ele já sabe que a máscara tem que ser só dele, que tem de a colocar na mochila, desinfetar as mãos... Não estou muito confiante. Estou com um bocado de receio, a pandemia é grande e não há meio de ir embora. Tenho medo que não haja, mesmo nas escolas, a desinfeção que é necessária”, referiu Ana Ferreira.
O medo e a falta de confiança eram transversais aos encarregados de educação que ali estavam. “Se até os médicos e enfermeiros ficam infetados, como é que eu hei-de, como mãe, ter confiança?”, começou por dizer Carla Santos. “Eu fechava a escola até normalizar a pandemia. Se, neste momento, há um surto na população de Viseu, como é que eu me hei-de sentir segura?”, questiona.
“Eu mandava fechar as escolas todas”, confessava Gilberto Pinto, um dos pais ali presentes, enquanto esperava pela entrada do filho na escola. “O meu maior receio é os miúdos ficarem infetados e, depois, irem para casa contagiar os familiares. Neste momento todo o cuidado é pouco. Temos de desconfiar de tudo e de todos”, referiu.
O arranque do novo ano letivo faz-se, desta forma, com muitas dúvidas por parte dos pais e encarregados de educação.

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