06 Ago
Viseu

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Atrasadas remunerações aos bombeiros integrados no dispositivo de combate aos fogos 

por Redação

05 de Julho de 2020, 16:42

Foto Arquivo Jornal do Centro

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Os pagamentos aos bombeiros integrados no Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR), referentes a junho, estão atrasados. O caso foi denunciado pela Associação Nacional de Bombeiros e Agentes de Proteção Civil (ANBAPC), que considera esta uma “situação deplorável que devia estar previamente acautelada” na fase de pandemia que o país atravessa.

“Este episódio, aliado a muitos outros, vem comprovar o estado em que os bombeiros de Portugal se encontram, neste caso concreto, a falta de resposta, de cuidado e essencialmente falta de planeamento”, afirma em comunicado a ANBAPC. 

A associação publicou ainda uma nota da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) enviada às associações humanitárias e aos corpos de bombeiros a dar conta dos atrasos nos pagamentos dos encargos e a lamentar a situação devido ao “impacto que o mesmo terá nas referidas entidades e em todos os operacionais que integraram aquele dispositivo”.

Ouvido pelo Jornal do Centro, o vice-presidente da Federação Distrital de Bombeiros de Viseu, Guilherme Almeida, também considera grave este caso. 

“Nos outros anos,  mais para o fim do dispositivo, nos meses de setembro e outubro, houve situações de algum atraso. Agora está acontecer logo no início. Para além do atraso já há uma justificação da ANEPC que diz que não há verba para fazer esse pagamento, o que é grave”, declara.  
 
Segundo o também comandante dos voluntários de Nelas, estes atrasos nos pagamentos podem afastar os homens e mulheres do combate às chamas este verão. 

“Considerando eles esta situação uma afronta e uma falta de respeito, eles podem chegar ao pé de nós e dizer que não estão mais disponíveis e isso compromete este dispositivo e vai criar graves problemas. Não direi o socorro de proximidade às populações, porque os quartéis têm as equipas de proximidade, mas em larga escala, no ataque ampliado, nos incêndios de grandes dimensões, pode comprometer as equipas e a mobilização de meios”, defende. 

O Ministério da Administração Interna (MAI) admite os constrangimentos financeiros, mas promete resolver o problema “com a máxima brevidade possível”.

“No âmbito dos pagamentos devidos aos Bombeiros que integraram o DECIR em junho, e fruto de constrangimentos administrativo-financeiros que não são habituais, não foi possível garantir os processamentos indispensáveis para que os mesmos fossem feitos no tempo previsto”, refere a tutela. 

O MAI lamenta o facto e garante que está a desenvolver todas as diligências para que “possa ser regularizada, com a máxima brevidade possível, permitindo que os 4.107.960 euros possam ser transferidos a todos os operacionais do DECIR”.

Desde a passada quarta-feira (1 de julho) que os meios de combate aos incêndios florestais foram reforçados, passando o dispositivo a estar na sua capacidade máxima, sendo o grande desafio conciliar esta época mais crítica em fogos com a resposta à pandemia de covid-19.
 

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