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Futsal: afinal as subidas à Primeira Liga decidem-se na quadra

por Redação

29 de Maio de 2020, 19:21

Foto Arquivo Jornal do Centro

CLIPS ÁUDIO

A Federação Portuguesa de Futebol já decidiu o que vai acontecer com as competições nacionais de futsal depois destas terem sido canceladas devido à pandemia de Covid-19. Muito já se falou sobre o potencial regresso da terceira divisão, ideia que caiu por terra, ficando apenas para 2021/2022. O que vai mesmo acontecer é o alargamento da primeira divisão de 14 para 16 equipas já na próxima temporada, algo que já tinha sido bastante debatido e era muito provável de acontecer, mas o que apanhou muita gente de surpresa foi a forma como estas subidas de divisão se vão decidir. A FPF anunciou que, depois de ter cancelado todas as suas competições de futsal, as equipas que estavam apuradas para a fase de subida vão ter de regressar às quadras antes da próxima temporada para decidir quem ocupa os dois lugares que faltam na primeira divisão em 2020/2021.

A decisão levada a cabo pela FPF faz com que a equipa do ABC de Nelas tenha de voltar às quadras para disputar a fase de subida à primeira divisão.

Fábio Almeida, guarda redes da equipa de Nelas, mostrou-se de acordo com esta decisão, apesar de saber que nunca será consensual, acrescentando que “é uma boa decisão a de podermos lutar pelos objetivos a que nos propusemos na época “anterior”. "É um prémio para estes jogadores destes 12 clubes que muitos sacrifícios fizeram durante a fase regular e pelo seu desempenho que levaram as suas equipas a atingir as posições de acesso a esta fase de subida à 1ª divisão”, diz.

Já Júlio Mendes, capitão do ABC de Nelas, não se opõem à realização deste playoff, visto que é bom voltar a competir, mas deixa algumas questões no ar, sobre o regresso da competição, deixando ainda uma crítica à FPF por ter voltado com a sua palavra atrás. “Precipitou-se ao anunciar o cancelamento de todas as competições e traz muitas complicações regressar agora com a palavra atrás”, explica. O jogador mostra-se ainda indignado com este anúncio por parte do órgão que tutela o futsal em Portugal. “não consigo entender como é que se anuncia publicamente a realização de uma competição com 12 clubes, sem contacto prévio com os mesmos, ou pelo menos com todos. Fazendo uma pequena analogia, não se lança um cartaz de um festival de concertos sem contacto prévio com as bandas”, diz.

Com uma opinião semelhante, Fábio Faria, atualmente jogador do Ladoeiro, clube que também vai disputar este playoff, e que teve passagens pelo Viseu 2001 e ABC de Nelas, considera que esta decisão “é um prémio justo e uma decisão pensada e correta, pois todos os clubes que irão disputar esta fase fizeram-no por merecer com mérito desportivo e com muito sacrifício ao longo do ano, muito investimento e muito trabalho, acho que foi a maneira certa de o compensar.”

No que a datas para o regresso diz respeito o capitão do clube de Nelas aponta que “realizar esta prova antes de setembro não me parece viável”, apelando à federação que indique aos clubes o mais rápido possível as datas em que pretende realizar a prova. Por sua vez Fábio Faria é mais otimista e aponta que “poderíamos começar a fase final no mês de julho ou agosto”.

Este regresso à competição depois de uma paragem tão longa trás preocupações com o nível físico dos atletas. Fábio Almeida admite que o rendimento dos jogadores vai ser afetado pela paragem porque “por muito que nós queiramos manter a forma física em casa, é sempre mais complicado. Muitos não têm materiais nem o acompanhamento que a este nível os jogadores tem em condições normais nos seus clubes para jogar uma subida de divisão”. Por sua vez, Júlio Mendes acredita que “o rendimento dos jogadores não será, obviamente, o mesmo que teríamos se a época tivesse continuado normalmente”, sugerindo ainda que sejam feitas algumas adaptações para precaver a condição física dos jogadores.

Fábio Faria admite que os efeitos desta paragem se vão sentir de forma diferente nos vários jogadores. “Depende de jogador para jogador, é verdade que a alguns irá fazer bem, pois com o decorrer da época estavam desgastados e uma pausa sempre dá para recompor energias, por outro lado, outros estariam a atravessar bons momentos e a paragem e a falta de treino vêm prejudicar muitos atletas.”, explicou, acrescentando ainda que “com a antecedência que estão a avisar desta fase, temos todos obrigações de nos preparar para chegar nas melhores condições”. Já a nível psicológico, os três jogadores concordam que todos estarão em condições psicológicas para regressar à competição, com Fábio Faria a rematar que se os jogadores não estiverem mentalmente preparados para jogar “não somos merecedores". "Seja agora, seja a meio ou no final de época, temos de estar sempre preparados para jogar os grandes jogos”, diz.

O nível de preparação das equipas para a disputa deste play-off é algo que divide opiniões. Para os atletas da equipa do ABC de Nelas, existem muitas equipas que não estão preparadas para este regresso, nomeadamente as equipas mais dependentes de apoios externos. “Há clubes que podem não ter as melhores condições para jogar este play-off. A verdade é que ninguém estava à espera que isto (pandemia) acontecesse, e clubes com mais dificuldades financeiras, devido aos apoios das autarquias e dos seus patrocinadores, também podem sofrer algumas dificuldades no reatar da competição. Manter os jogadores e proporcionar condições de segurança a todos, seja em treinos, seja em jogos, pode também ser uma dificuldade”, explicou o guarda redes do ABC. Enquanto que Fábio Faria é da opinião que os clubes estão preparados para o regresso às quadras. “Se durante a época toda estiveram a preparar se para a realização do play off, neste momento os clubes têm de estar preparados, se em abril estavam preparados, em setembro também o estarão. Aliás, até acho que estarão melhor preparados, pois com esta pausa e com a antecedência da informação, os clubes têm muito tempo para preparar, reforçar e tudo mais para esta fase.”, salientou.

Comum a todos estes os jogadores está a vontade de regressar ao trabalho, cumprindo todas as normas exigidas para que possam competir em segurança.

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