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Viseu

GERAL

"O silêncio do PSD sobre Almeida Henriques é uma grande falta de coragem"

por Redação

05 de janeiro de 2020, 14:00

Foto Arquivo Jornal do Centro

Conversa Central com José Junqueiro

CLIPS ÁUDIO

Esta é a primeira Conversa Central de 2020. O que se adivinha para a política local em 2020?

Vão ter muita importância de certeza os processos que correm na justiça com os autarcas de Viseu e Tondela. Para já são situações diferentes. Sobre o presidente da Câmara de Viseu sabe-se de investigações realizadas pelas autoridades e sobre os autarcas de Tondela há já a proposta da perda de mandato…

São situações diferentes com reflexos diferentes em termos políticos?

Espero que 2020 seja clarificador até para libertar as pessoas da pressão a que estão sujeitas. Em relação a Almeida Henriques que tudo possa ser esclarecido ou que a justiça avance para que ele se possa defender…

Como analisa o silêncio do PSD em relação às investigações e suspeitas de que está a ser alvo o presidente da Câmara de Viseu? Não houve uma palavra de apoio com o autarca…

Estranho que isso tenha acontecido. O PSD, partido que suporta a autarquia de Viseu, sem se intrometer no que é da justiça, deveria ter afirmado o direito à presunção da inocência do autarca e o direito que as pessoas têm à sua defesa. O problema existe porque o assunto é falado na opinião pública com desconfiança, um partido político que tem confiança nos seus elementos é o mínimo que se esperava…

É sinal de que Almeida Henriques está sozinho?

Na vida pública, tal como na vida particular, quando é necessário assumir uma posição nem todas as pessoas têm coragem para o fazer. Quando surgiram as primeiras notícias eu disse logo aqui que é preciso ter em conta a presunção da inocência. Estranho que eu tenha sido a única voz que salvaguardou essa possibilidade. O PSD não está a ter uma atitude correta, todos optaram pelo silêncio o que não deixa de ser uma falha grave do PSD perante os eleitores e para a transparência da vida pública.

Em Tondela o PSD saiu em defesa dos autarcas a quem o Ministério Público propõe a perda de mandato…

Até por isso é uma posição ousada por parte do PSD de Tondela. Os autarcas até vieram admitir o alegado crime porque devolveram o dinheiro. E se isso se provar é muito difícil que a perda de mandato não venha a acontecer.

Sabemos que em Portugal a justiça é lenta. O mais provável é que as eleições autárquicas de 2021 cheguem e os processos não estejam concluídos. Quais vão ser os reflexos diretos nessas eleições?

Essa resposta tem que ser dada pelos eleitores…

E pelos partidos que, antes dos eleitores votarem, vão escolher os candidatos…

É politicamente incorreto o que vou dizer. A opinião pública é muito exigente na transparência da coisa pública, mas depois na escolha dos eleitos não é tão exigente. Oeiras é o exemplo. Isaltino de Morais foi condenado e preso, cumprida a pena voltou a ser eleito. Os eleitores podem mudar tudo ou manter tudo na mesma se quiserem.

E quais são os desejos para a região em 2020?

O maior desejo é que exista uma alteração no Hospital de Viseu e que avance de uma vez por todas as obras de remodelação das urgências. Sobre a ligação ferroviária Aveiro, Viseu, Salamanca, penso que isso já morreu.

Em termos nacionais como vai ser o ano novo?

Muito interessante. Novas lideranças no CDS e PSD e daí vamos ver o futuro da direita em Portugal. Muito interessante vai ser o acompanhar da evolução dos novos partidos com assento parlamentar…

E à esquerda como vai ser?

Vamos ver, a “geringonça” não existe, pelo menos formalmente, e vai ser curioso perceber como se vão comportar os sindicatos normalmente mais ligados ao PCP.

Outros temas abordados na Conversa Central: as eleições nos Bombeiros Voluntários de Viseu; o Orçamento do Estado para 2020 e as propostas de alterações anunciadas pelos deputados do PS Viseu; a barragem de Girabolhos e a decisão do ministro do Ambiente que contraria os pareceres técnicos; 2020 internacional.

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