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Videochamadas pelo tablet do lar e diretos no Facebook. Maioria dos idosos celebrou o Natal sem a família

por Redação

26 de dezembro de 2020, 08:00

Foto Arquivo Jornal do Centro

A Direcção-Geral de Saúde acabou por não avançar com orientações para a época natalícia nas estruturas residenciais para idosos, mas os representantes das misericórdias dizem que, este ano, preferem manter os idosos dentro de portas “para evitar isolamentos e possíveis surtos”

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Dizem que é um ano atípico e o Natal não fugiu à regra. São poucos os idosos residentes em lares que passam a quadra natalícia junto da família. A solidão aperta e sentiu-se a falta da tradicional mesa com todos à mesa. Contentam-se com os rostos de amigos e colaboradores. “Tem de ser”, lançou Adelino Costa, provedor da Santa Casa da Misericórdia de Viseu. Mas, para esquecer um Natal mais amargo, adoçou-se o olhar dos utentes com visitas de meia hora e videochamadas com os familiares. 

Na Santa Casa da Misericórdia de Viseu, os utentes tiveram “um Natal muito para dentro”. Decoraram-se as divisões, montou-se o presépio e foi dada uma prenda a cada idoso “para marcar a época natalícia”. Também se mantêm, por estes dias, as visitas por marcação e ligam-se os iPads para ver a família. “O Natal é todos os dias e só queremos que possa haver este Natal em março ou abril para eles irem lá fora e estarem com as famílias”, anseia o provedor, garantindo que “neste momento, é com todos os cuidados, mas é também marcar a quadra natalícia com a refeição típica e especial que costumamos fazer no dia de Natal e na passagem de Ano”.

No Lar de São Caetano, a situação tem sido diferente. “Estamos com mais problemas porque tem havido alguns casos positivos, isolamentos e as limitações são maiores do que na Residência Rainha D. Leonor”, lamenta Adelino Costa. Cada ala teve a sua celebração natalícia “à espera de que isto se resolva o mais breve possível para termos alguma paz”. 

Para os lados de Armamar, no Lar de São Cosmado, transmitiou-se a ceia de Natal pelo Facebook “para os familiares verem". "Conseguir ver em direto todos os idosos”, adiantou o presidente do lar, Américo Moreira, admitindo que não existem condições para os utentes irem a casa porque “teriam que testar negativo à covid-19 e mesmo assim teriam que estar aquele período de quarentena”. 

Não faltaram iguarias, como em anos anteriores, assim como a boa disposição de todos os colaboradores e do próprio presidente. “Todos estamos cá a acompanhá-los. Foi na ceia de Natal, nas visitas alargadas e outros puderam, através de videoconferência, falar com os seus entes queridos”, contou. É assim que se vai passar este ano”, rematou. 

Também na Santa Casa da Misericórdia de Lamego, os tablets e os smartphones encurtaram distâncias e compensaram a ausência da família. “Tentámos fazer o melhor possível. Por um lado, pôr os idosos em comunicação com os seus familiares e dentro do lar fazer uma animação como sempre fizemos nesta quadra do natal”, referiu António Marques Luís, provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lamego, reconhecendo que “é um período difícil para toda a gente”. 

Mas, o cenário é diferente na Santa Casa da Misericórdia de Mangualde. Com alguns utentes em isolamento e outros positivos à covid-19, neste momento, “a grande preocupação é mitigar a pandemia e, portanto, significa que toda a programação de Natal que estava prevista, fosse suspensa”, lamenta José Tomás, provedor da Misericórdia de Mangualde. 

Com um surto dentro de portas, o contacto entre os próprios utentes e colaboradores está comprometido. “Vamos lembrar o Natal, mas obviamente que a grande prioridade é salvar as pessoas e esperamos que para estes utentes e para estas famílias haja mais natais do que este”, remata o provedor. 

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