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Amor traz ucraniana até terras de Viriato 

por Redação

14 de novembro de 2020, 08:30

Foto DR

CLIPS ÁUDIO

Liana Volianska está em Portugal há quatro anos. Deixou para trás Lutsk, na Ucrânia, e mudou-se para Viseu, cidade onde vivia há já alguns anos o homem, com que veio a casar.

“Eu já conhecia o meu marido há muitos anos, andámos juntos na escola na Ucrânia. Ele veio para cá quando tinha apenas nove anos, hoje já é mais português do que ucraniano. Nós fomos falando pela Internet, porque eramos amigos e depois a amizade passou a paixão. Vim ter com ele, dois meses depois de ter chegado, casámos”, conta. 

Antes de se mudar, Liana primeiro passou por Portugal de férias e só depois veio de malas de bagagens. 

Licenciada em línguas, trabalhou como professora de inglês no país natal. Quando chegou a terras de Viriato, a primeira coisa que fez foi tirar um curso de português, porque como não sabia falar a língua “foi um pouco complicado arranjar trabalho”. “Só sabia falar uma palavra, olá”, adianta. 

Esta emigrante ucraniana ainda trabalhou numa fábrica em Vouzela, mas acabou por deixar a empresa porque sentiu algumas dificuldades em adaptar-se. Optou por tirar outro curso de português, onde se inteirou melhor do idioma, da cultura e da mentalidade lusitana. Frequentou ainda um curso de multimédia e outro de fotografia, um hobby que já tinha. Essa paixão levou-a a abrir há dois meses um estúdio de fotografia

Confessa que o negócio não está a decorrer “tão bem como queria”. Diz que as coisas estão a fazer-se passo a passo, até porque é preciso tempo para conhecer pessoas e arranjar clientes. A pandemia da Covid-19 também não veio ajudar em nada.  “Devia ter mais trabalhos, mas muita gente cancelou as marcações que tinha. As pessoas cancelaram por causa das restrições que temos”, explica. 

Liana Volianska garante que nunca se sentiu discriminada por ser estrangeira e que a adaptação a Viseu e a Portugal não foi nada complicada. Primeiro porque tinha cá o seu atual marido, também porque sempre pensou em emigrar quando estava na faculdade. 

“Como líamos muitos livros estrangeiros sempre quis viajar. Quando andava na escola viajei muito e por isso a emigração para mim foi sempre como uma aventura, não era uma coisa estranha. Não tinha medo nenhum e queria”, salienta. 

Viver numa localidade como Viseu também ajudou porque a cidade é muito parecida com a sua terra natal. “É pequenina e é muito confortável para viver. Por isso sinto-me bem cá. Não gosto muito de grandes cidades”, confessa. 

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Em Portugal gosta de tudo, das pessoas, que descreve como simpáticas, do clima, das paisagens. Já visitou o nosso país quase de uma ponta à outra. A comida está também nas suas preferências. Até já confeciona pratos portugueses. A culinária e sobretudo a pasteleira portuguesa fizeram até com que engordasse no primeiro ano, revela entre risos. 

“Engordei quando cheguei por causa das pasteleiras, os doces são muito bons. Tinha que experimentar tudo”, refere, acrescentando que o doce que mais gosta é o pastel de nata. 

O que não aprecia é a burocracia, que por cá é maior do que na Ucrânia, e também a medicina. Liana diz que em Portugal demora-se muito a tratar dos assuntos, até na hora de resolver problemas de saúde. 

“Lá podemos ir ao hospital com qualquer problema e podemos logo tratar disso, cá demora muito tempo”, lamenta. 

É em Portugal que esta ucraniana quer ficar, pelo menos durante mais algum tempo. E nem a pandemia a fez mudar de ideias. Ela e o marido estiveram confinados quando a Covid-19 chegou ao nosso país, obrigando Portugal e entrar em confinamento. Não esconde que ambos tiveram algum medo, mas agora esse receio já é bem menor. 

“Já sabemos o que é isto. Acho que tudo vai melhorar, tem que melhorar. Mas isso só vai acontecer daqui um ou dois anos”, conclui.  

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